Diário da Região

04/10/2019 - 10h13min

DOR E GLÓRIA

Filme de Almodóvar é um grande concorrente no Oscar

Na disputa pela estatueta de filme internacional, 'Dor e Glória', do espanhol Pedro Almodóvar, e 'Parasita', de Joon-ho Bong, têm lugar praticamente garantido

Divulgação Na disputa pelo Oscar de filme internacional, uma coisa é certa: 'Dor e Glória' estará entre os indicados
Na disputa pelo Oscar de filme internacional, uma coisa é certa: 'Dor e Glória' estará entre os indicados

A Amazon vai concentrar seus esforços na divulgação de duas produções para a disputa do Oscar de melhor filme internacional: o brasileiro "A Vida Invisível", de Karim Aïnouz, e "Les Misérables", de Ladj Ly, representante da França. Dois longas muito distintos - enquanto o nacional é um tocante melodrama sobre questões de gênero, o francês foca utiliza os subúrbios parisienses para tratar dos problemas de imigração.

A julgar pelos elogios de alguns críticos americanos, o filme brasileiro reúne grande chance de chegar entre os cinco finalistas, que serão conhecidos no dia 13 de janeiro - a cerimônia do Oscar será em 9 de fevereiro. "Acredito que dois longas têm lugar certo nesta lista: 'Dor e Glória', do espanhol Pedro Almodóvar, e 'Parasita', de Joon-ho Bong, representante da Coreia do Sul", observa Rodrigo Teixeira, da RT Features, produtora de "A Vida Invisível". "As outras três vagas seriam disputadas pelo restante." Ele ainda vê com boas chances o dinamarquês "Rainha de Copas", de May El-Toukhy.

Mesmo assim, a disputa pelo Oscar de produção internacional é diferente das demais categorias, cujas premiações paralelas indicam os mais fortes candidatos - normalmente, os vencedores do Sindicato dos Atores, por exemplo, acabam faturando também a estatueta dourada. Neste ano, a mecânica de escolha mudou: antes, era divulgada uma pré-lista com nove finalistas, agora serão dez: sete serão escolhidos por um comitê internacional e os outros três serão votados por um comitê executivo. Os dez escolhidos serão avaliados novamente pelo comitê internacional, que vai definir os cinco finalistas. "E, nos últimos anos, a Academia rejuvenesceu, contando agora com menos membros conservadores."

É esse aspecto que transforma as redes sociais em grande trunfo na divulgação do filme - para isso, a Amazon se prepara para disparar, por exemplo, uma série de newsletter sobre "A Vida Invisível" - não é segredo o interesse da plataforma em ganhar esse Oscar, uma vez que, no ano passado, o vencedor foi "Roma", do mexicano Alfonso Cuarón, belíssima produção da Netflix.

"Os executivos da Amazon estão otimistas, muitos me confessaram terem amado o filme do Karim", conta Teixeira, que percebe outro fator positivo, provocado pela forma com que o restante do planeta observa hoje o Brasil. "Nossa imagem agora é estranha, não é mais favorável como antes", disse ele, que esteve no Festival de Zurique no fim de semana passado, quando teve a percepção. "Com isso, a arte desponta como resistência e os estrangeiros estão dispostos a premiar isso."

Além da indicação para a estatueta de produção internacional, "A Vida Invisível", que estreia dia 31 no Brasil e já foi vendido para 30 países, tem grande chance também na disputa da categoria fotografia, com a francesa Hélène Louvart. "Ela já recebeu prêmios específicos da sua área, o que a deixa com muitas chances", explica Teixeira, cuja produtora terá chance de participar de outras categorias de peso com outras produções: "Ad Astra" e "Wasp Network".

Já em cartaz no Brasil, "Ad Astra" é uma ficção científica intimista, dirigida por James Gray e é estrelada por Brad Pitt, também produtor. "Esse é o grande ano de Pitt, que está também fabuloso em 'Era uma Vez em... Hollywood', do Quentin Tarantino", comenta o produtor, que vê a possibilidade de uma dupla indicação para ele, como ator e ator coadjuvante - além de uma indicação para Gray e até de melhor filme: com isso, em caso de vitória, Rodrigo Teixeira será o primeiro brasileiro a conquistar o prêmio máximo da Academia.

Já "Wasp Network", de Olivier Assayas e inspirado em livro de Fernando Morais, pode ter chance nas categorias de atriz (Penélope Cruz) e Gael García Bernal (ator coadjuvante).

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