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PRÉ-ESTREIA

Coringa tem pré-estreia nos cinemas de Rio Preto

Filme foi vencedor do Leão de Ouro do Festival de Cinema de Veneza e é a nova aposta do DC Comics


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Nunca antes um filme de herói – ou anti-herói, havia vencido o Leão de Ouro, prêmio máximo oferecido pelo Festival Internacional de Cinema de Veneza, até a chegada de Coringa, nova produção da Warner Bros. Pictures. Concedido anualmente desde 1946, neste ano a premiação chegou a sua 76ª edição. De acordo com o juri, o filme dirigido por Tood Phillips, mesmo tratando-se de uma ficção, foi capaz de construir um recorte bastante fiel da nossa realidade atual.

O longa-metragem apresenta a história de Arthur Fleck (Joaquim Phoenix), um homem aspirante a humorista, desprezado, e que luta para se integrar à sociedade despedaçada de Gotham. Morando com a mãe, para manter o sustento Fleck trabalha como palhaço durante o dia e tenta a sorte como comediante stand-up durante à noite. Apesar de suas tentativas frustradas de socialização, ele acaba sendo visto como um parasita pela sociedade. Por esses aspectos é que o filme não se limita a apresentar uma visão inédita do personagem, mas sim de levantar um debate mais amplo.

Tood Phillips criou um personagem humanizado e fragilizado e que, a qualquer momento, pode vir a sucumbir. Mas este não é um filme tradicional. Este é o Coringa. No decorrer da trama, seu lado inocente passa a dar lugar a um perfil mais macabro. Uma das características mais marcantes do vilão não foi suprimida no longa: a risada. No entanto, sua origem possui explicação diferente. Na trama, Fleck declara que possui um problema psicológico que o faz rir em momentos inapropriados (problema real, conhecido como afeto pseudobulbar).

A trama é ambientada em 1981 - mas a história pode ser facilmente ser confundida com os dias atuais. A época não foi escolhida ao acaso, pois o diretor queria evitar qualquer tipo de conexão com outros heróis ou mesmo personagens do universo Batman.

O Coringa é um dos personagens mais emblemáticos do universo da DC Comics. Essa fama não se moldou apenas pelo fato de o vilão estar presente em quase todas as sagas que envolvem Batman, mas também pelas interpretações de alguns atores que já vestiram a pele do supervilão.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

Na década de 60, o personagem foi interpretado por Cesar Romero na série de Televisão Batman. Nesta primeira aparição na TV, Coringa foi construído utilizando traços cômicos, com uma versão mais infantilizada. Já em 1989 foi a vez de Jack Nicholson encarnar o personagem. Conhecido por interpretar vilões como Jack Torrance, de “O Iluminado”, Nicholson apresentou um personagem com perfil mais violento que seu antecessor. Era o início do sadismo típico do personagem. A atuação, em diversos momentos engraçadas, rendeu ao ator uma nomeação como Melhor Ator nos Golden Globes, em 1989.

Duas décadas mais tarde, o vilão seria imortalizado na pele do ator australiano Heath Ledger, em “O Cavaleiro das Trevas”, 2008. Para muitos, essa teria sido a melhor interpretação do personagem que mostrou ao público seu lado mais psicótico e sombrio. De acordo com o diretor Christopher Nolan, o ator estudou o personagem intensivamente, como se estivesse verdadeiramente enlouquecendo.

No dia 22 de janeiro de 2008, o ator foi encontrado morto em seu apartamento, meses depois de terminar as gravações de “O Cavaleiro das Trevas” e antes de seu lançamento. A causa de sua morte teria sido “intoxicação acidental por remédios prescritos”. A interpretação de Ledger rendeu-lhe diversas premiações póstumas, como o Globo de Ouro e o Oscar, na categoria de melhor ator coadjuvante.

Sete anos depois, foi a vez de Jared Leto vestir a pele do criminoso, em “Esquadrão Suicida”. A atuação, no entanto, não agradou nem a crítica nem os fãs, que enxergaram no personagem de Leto um típico gangster, diferente de outras atuações que apresentavam um Coringa consumido pela loucura e pelo prazer de criar caos.

Neste a apresentação também é diferente, pois temos um personagem preso a uma existência fragmentada, oscilando entre a realidade e a loucura. Essa dualidade persiste até que Arthur toma uma decisão equivocada que causa uma reação em cadeia, com consequências cada vez mais graves e letais, nesta exploração ousada do personagem.

O ator Joaquin Phoenix, durante uma entrevista coletiva na premiação de Veneza, disse que o primeiro desafio para interpretar o personagem foi perder peso. “Acho que essa foi a primeira coisa que comecei e isso acaba afetando seu psicológico”, contou. O ator ainda destacou que: “você começa a ficar mau quando você perde tanto peso rapidamente”.

Quando Phoenix passou a estudar o personagem, tentou não caracterizar Arthur como uma personalidade particular. “Eu queria ter a liberdade para criar algo que não fosse identificável. Esse é um personagem fictício e eu não queria que um psiquiatra conseguisse identificar o tipo de pessoa que ele era”, destacou.