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Dança

'Loucas Mulheres' homenageia a escritora chilena Gabriela Mistral

Vencedor do Prêmio Nelson Seixas, espetáculo 'Loucas Mulheres' presta homenagem à poetisa chilena que ganhou o prêmio Nobel de Literatura em 1945. Solo com Zilda Arali estreia hoje em Rio Preto


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Depois de produzir "Lispectores Processos", espetáculo que observa e reflete o universo feminino de maneira contemporânea, baseado na plasticidade das palavras escritas por Clarice Lispector, a Ellos Cia de Dança, da bailarina Zilda Arali, decidiu abordar, mais uma vez, a mulher em uma nova produção. Trata-se de "Loucas Mulheres", que homenageia a escritora chilena Gabriela Mistral.

Vencedor do prêmio Nelson Seixas 2019, no módulo produção, o espetáculo, que usa elementos coreográficos e cenográficos para narrar a escrita da poetisa, escritora, educadora, Nobel de Literatura em 1945, estreia nesta terça-feira, 22, às 14h, no Projeto Mundo Novo, localizado no Eldorado. A entrada é gratuita.

O espetáculo, para todas as idades, presta uma homenagem a uma das mais importantes figuras das artes do país, cujo pseudônimo guardava a verdadeira identidade de Lucila de María del Perpetuo Socorro Godoy Alcayaga. "Ela foi uma mulher muito importante naquela época e até hoje. Seus poemas e trabalho focado no desenvolvimento educacional atingem desde a criança até os adultos", afirma Zilda Arali, que é rio-pretense e acumula três décadas de carreira no universo da dança.

Em 45 minutos, o solo com Zilda Arali é realizado em um espaço cênico definido por um tapete cenográfico circular de seis metros de diâmetro produzido a mão durante quatro meses por Zilda, a mãe dela, Darcy Arali, e Marcelo Zamora, ator e diretor, que é responsável também pela produção e iluminação. Ela e Zamora já haviam trabalhado juntos em produções da Virtual Companhia de Dança. "O tapete contribuiu muito na construção coreográfica. Ele serviu de base e reflete toda a história de Gabriela Mistral, cujo texto fala muito sobre a terra que nasceu."

Zilda conta que o tapete foi inspirado na arpillera, que é uma técnica de bordado chilena usada por mulheres durante a ditadura para denunciar violações e driblar a censura. "Muitas mulheres usaram a técnica como manifesto."

Para produzir o espetáculo, Zilda contou com a participação de outra parceira da dança. Trata-se da coreógrafa rio-pretense Andressa Miyazato, que hoje mora na Áustria, onde é integrante do Landestheater Linz. Para construir as cenas, elas iniciaram uma pesquisa no ano passado. Mas foi em setembro deste ano, com a vinda de Andressa para Rio Preto, que as duas fizeram um laboratório para trabalhar e transformar as poesias em movimentos.

As duas bailarinas foram integrantes do Balé de Rio Preto, onde Zilda atuou por 13 anos. "Somos muito amigas e por isso tudo ficou mais fácil. Além da amizade, ela tem uma grande capacidade de trabalho. É muito talentosa e uma grande bailarina."

"Loucas Mulheres", neste cenário, diz respeito à possibilidades de diálogo da dança com outro objeto artístico: a literatura. "Por isso, o projeto baseia-se na vida e obra de Gabriela Mistral, na investigação de elementos que possam tornar ou traduzir a escrita poética e suas imagens em movimento: ação realizada pela óptica gestual da dança", revela a sinopse.

O espetáculo também trabalha a inclusão. Um dos destaques da produção é o uso da tradução em libras para deficientes auditivos. Foi feito um vídeo com um intérprete, que é professor da Língua Brasileira de Sinais, que será exibido no palco.

O projeto audiovisual é assinado por Jonatan Salgado Romero, da Espanha, que, atualmente, é vídeo realizador do Landestheater Linz, e desenvolve documentários para OÖ Kulturquartier, vídeos promocionais para KunstVia e Linz Tourismus, além de vídeos musicais para artistas como Sister Jones, Ariana Schirasi-Fard e Dramas. Já a trilha sonora original foi composta pelos músicos argentinos César de Medeiros e Leandro Doliri.

Após a estreia em Rio Preto, o espetáculo tem sessão agendada neste sábado, 26, em Votuporanga, dentro da programação do Festival Literário de Votuporanga (Fliv). Na sequência, a produção fará uma série de apresentações em Rio Preto até o dia 6 de dezembro, que incluem locais como a Escola Municipal Professora Iolanda Ferrari Vargas, o Anfiteatro da Unilago e o Centro de Artes e Esportes Unificados.

Serviço

  • Estreia do espetáculo "Loucas Mulheres". Nesta terça-feira, 22, às 14h, no Projeto Mundo Novo (Avenida Monte Aprazível, 2640 - Eldorado). Gratuito