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Onde os bandidos mais atacam em Rio Preto

Levantamento do número de roubos e furtos nos últimos cinco anos, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública, mostra em que áreas de Rio Preto os criminosos mais deixam vítimas


    • São José do Rio Preto
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O risco de ser roubado na região do Jaguaré, João Paulo, São Deocleciano e demais bairros da área de abrangência do 3º Distrito Policial de Rio Preto é até três vezes maior do que a chance de ser assaltado na região do Mansour Daud, Damha, Vila Toninho e Jockey Club, áreas do 7º D.P. A constatação está em levantamento do Diário sobre estatísticas de roubos na cidade registrados pela Polícia Civil nos últimos cinco anos.

Os dados mostram que de 2015 a agosto deste ano, 1.248 vítimas da criminalidade procuraram a polícia depois de serem assaltadas na região do 3º D.P. Dessas, 127 tiveram o carro roubado e outras 1.121 queixas, segundo dados de boletins de ocorrências, foram roubadas no ônibus, no comércio, em saidinha de banco ou tiveram objetos pessoais levados sob ameaça.

"Maioria dos roubos é de celular para trocar por droga. O celular é uma mercadoria muito fácil. A pessoa pode estar sem a carteira, mas nunca fica sem o celular. E a maioria das vezes o bandido não tem arma. Ele chega, simula que tem arma, e faz o roubo", diz o tenente Cláudio Ziroldo.

A segunda área mais violenta, segundo o levantamento é a região do 4º D.P. A área compreende os bairros Planalto, Vila Mayor, Jardim Nunes, Santo Antônio e registrou 1.168 assaltos nos últimos cinco anos. No total foram 1.013 roubos e 155 roubos de veículos.

A região do 2º D.P. é a terceira com mais casos de assaltos no período. A delegacia abrange os bairros Parque Industrial, Boa Vista, Gonzaga de Campos e registrou 968 assaltos de 2015 até agosto deste ano.

Entre os casos estão o de uma vendedora, 22 anos. Ela procurou a Central de Flagrantes, em março deste ano, para denunciar dois suspeitos por roubo do celular. Segundo o depoimento registrado no boletim de ocorrência, ela estava a caminho da casa, no Boa Vista, quando a dupla se aproximou de moto, "o da garupa puxou a arma e exigiu o celular", afirmou à polícia.

Do restante das sete delegacias, o 6º D.P. vem em quarta região com mais roubos, seguida do 1° Distrito Policial, onde está a região central; depois vem o 5º D.P. e, por fim, o 7º D.P. como a região com o menor índice de assaltos: 434 - 41 roubos de veículos e 393 outros casos. "No caso do 7º, é uma região de menor abrangência", afirmou Ziroldo.

Clique na imagem para ampliar  (Foto: Reprodução)

Furtos

Quando o ranqueamento está relacionado aos furtos, crime sem violência ou ameaça, a região com mais risco é a do Parque Industrial, Boa Vista, onde há faculdades, a Santa Casa, clínicas e restaurantes. De acordo com os dados, nesses últimos cinco anos foram 6.540 vítimas de furtos na área.

Com 385 casos a menos, a área da Vila Elmaz, Caparroz, Anchieta, Jaguaré, Maceno e João Paulo 2º fica em segundo lugar. A região é a que mais registrou furtos de carro no período - 1.161. Os índices elevados estão relacionados com a movimentação intensa e concentração de veículos em portas de faculdades e hospitais. "Infelizmente faz com que os furtos sejam mais frequentes", afirmou o tenente Ziroldo. "Principalmente os carros mais antigos e mais fáceis de abrir", completou.

Em terceiro lugar do ranking de área com mais risco de ser furtado em Rio Preto aparecem os bairros do 5º D.P., como o São Manoel, região do Hospital de Base, Estoril, Maracanã e São Francisco. No período levantado, os criminosos fizeram 5.941 vítimas nessa região - 1.055 alvos de furto de veículo e outras 4.886 tiveram objetos pessoais levados, casas furtadas, interior de carros arrombados e objetos saqueados, entre outros tipos.

"Nosso maior 'problema' hoje são as faculdades e os hospitais. Colocamos sempre o patrulhamento. Mas qualquer brecha que as pessoas dão tornam-se vítimas", disse Ziroldo.

Para o delegado chefe da seccional, Silas José dos Santos, a principal motivação do crime é o tráfico de drogas. "Tudo canaliza nos traficantes. O celular furtado, o veículo furtado, tudo vai para a 'boca'. A grande atenção da polícia hoje é o tráfico de drogas."

Ações

A Polícia Militar afirma que um mapeamento é feito diariamente com os índices apresentados. "Pegamos todos os dados, vemos os crimes mais graves e reforçamos o patrulhamento", disse Ziroldo. Para a PM, as estatísticas estão dentro do esperado. "Mas gostaríamos de zerar."

A mesma avaliação foi feita pelo seccional. "Se a gente for comparar, só na Seccional tivemos uma redução de 30% do efetivo desde 2008. Por outro lado, a população aumentou bastante e conseguimos fazer com que o crime não aumentasse na mesma proporção", finalizou.

Na soma, a quantidade de furtos e assaltos em Rio Preto nos últimos cinco anos assustam. De janeiro de 2015 a agosto de 2019, foram 35.619 furtos e 5.956 assaltos. Mas a boa notícia é que os índices estão caindo ano a ano.

Na região do 3º Distrito Policial, área com mais incidência de roubo das sete delegacias da cidade, a quantidade de assaltos caiu de 237 para 55 roubos na comparação de 2015 com 2019 (até agosto). No roubo de veículos também houve queda. Enquanto no primeiro ano do levantamento foram 51 casos, neste ano foram 13.

Outro exemplo de redução está no crime de furtos. Na área do 2º DP, a Polícia Civil registrou 990 ocorrências em 2015. Já neste ano foram 605 crimes do tipo. O furto de veículos na região também caiu e passou de 303 para 89 neste ano.

Na avaliação da Polícia Militar, a redução gradual tem a ver com uma intensificação do patrulhamento em áreas mais violentas. "Concentramos o patrulhamento ostensivo nesses locais com mais índices e com isso estamos conseguindo baixar as estatísticas", afirmou o tenente Cláudio Ziroldo.

Já o seccional, delegado Silas José dos Santos, relacionou os resultados a um enfrentamento mais intenso contra receptadores (criminoso que compra coisas furtadas ou roubadas), ao combate ao tráfico e a uma maior integração e compartilhamento de informações entre as polícias. "Nós temos uma reunião mensal entre PM e PC. Isso engloba delegados, comandantes das companhias e dos batalhões. Nosso objetivo é acabar com a bandidagem", disse. (FP)