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Operação Circe

PF prende suspeito com 1,6 tonelada de agrotóxicos

Produtos são falsificados e eram vendidos a agricultores de outros Estados


    • São José do Rio Preto
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A Polícia Federal (PF) prendeu o representante comercial André Tresso na manhã desta quinta-feira, dia 3, suspeito de fabricar e vender defensivos agrícolas falsificados. Foi apreendida 1,6 tonelada dos produtos em um apartamento na rua Coronel Spínola de Castro, no Centro de Rio Preto, e em uma chácara na Estância Santa Clara, zona norte. O pai do suspeito também chegou a ser detido, mas foi liberado após depoimento.

Segundo o delegado coordenador da PF de Rio Preto, André Luiz Previato Kodjaoglanian, a prisão fez parte da Operação Circe, iniciada pela PF de Uberaba, em Minas Gerais, que apura o comércio ilegal de defensivos agrícolas.

"Recebemos da PF de Uberaba dois mandados de busca e apreensão para serem realizados em Rio Preto, no apartamento onde morava o alvo principal e na chácara da família. Nos dois locais, foram encontradas grandes quantidades de produtos falsificados, destinados à lavoura. Pai e filho foram conduzidos para a delegacia e o delegado de plantão determinou a prisão em flagrante do filho", explicou o delegado.

De acordo com a PF, Tresso era do ramo de venda de produtos de alimentação natural, mas depois enveredou para falsificação e venda de defensivos. "Ele começou a carreira na venda de produtos orgânicos, depois teve contato com o mundo do agrotóxico e, desde de 2016, ele vem comercializando, de forma clandestina, os produtos que hoje foram apreendidos", diz o delegado.

De acordo com as investigações, os produtos falsificados eram vendidos como se fossem de grandes marcas legalizadas para agricultores de Minas Gerais, Mato Grosso e Espírito Santo. Os produtores não suspeitavam do golpe porque os agrotóxicos tinham embalagens idênticas às dos produtos legalizados.

"Nós autuamos o filho e o pai vai figurar como testemunha no processo, porque nos pareceu que ele apenas armazenava os produtos falsificados na chácara em que morava, na Estância Santa Clara", explicou o delegado.

Todos os produtos apreendidos serão submetidos à perícia técnica para saber a composição. A PF vai listar quantos agricultores compraram os produtos falsificados e foram enganados.

O delegado estabeleceu fiança de R$ 10 mil para soltura do representante comercial, que até o fechamento desta edição não tinha pagado o valor. Assim, ele deve passar na manhã desta sexta-feira, 4, por audiência de custódia na Justiça Federal de Rio Preto.

Ainda será analisado o quanto o representante comercial faturava com o golpe. Caso fique comprovada a falsificação, Tresso poderá pegar de dois a quatro anos de reclusão.

Esta é a quarta apreensão de defensivos agrícolas falsificados em Rio Preto neste ano. As três primeiras foram realizadas pela Polícia Civil, por equipes do 1º DP e da Delegacia de Investigações Gerais (DIG) de Rio Preto.