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Após polêmicas em 2018

MEC promete prova do Enem 'neutra'


    • São José do Rio Preto
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Atendendo ao pedido do presidente Jair Bolsonaro, o Inep, órgão responsável pelo Enem, promete que a prova deste ano será "neutra" e vai trazer apenas questões que "não tirem o foco do conteúdo escolar". Para professores de cursinhos e técnicos do órgão, a expectativa é a de que o exame traga questões que se distanciem de uma interpretação política ou que abordem minorias, mas temem interferência ou uma mudança no estilo da proposta de Redação.

A preocupação se deve ao fato de que a definição da proposta de Redação é mais rápida e segue um protocolo mais simples do que a elaboração e seleção das 180 questões. O tema é escolhido em consenso por especialistas selecionados pelo Inep em um processo que começa cinco a seis meses antes do exame, quando os assuntos são analisados. A decisão final é tomada em maio e junho.

O primeiro Enem sob a gestão Bolsonaro começa no domingo. Mais de 5 milhões de pessoas estão inscritas e devem realizar o 1º dia de prova, com 90 questões de Linguagens, Ciências Humanas e a Redação. Presidente do Inep, Alexandre Lopes disse ter recebido do ministro da Educação, Abraham Weintraub, a recomendação de entregar um exame "equilibrado". Após a realização do Enem de 2018, dias após ganhar a eleição, Bolsonaro criticou a questão que mencionava um dialeto usado por gays e travestis.

Lopes garantiu que o presidente e o ministro não tiveram acesso prévio à prova e também que a determinação do presidente será seguida. "[Os estudantes] não vão fazer uma prova de direitos humanos, mas uma que percorre os conteúdos escolares que devem ser cobrados. Se a questão envolve direitos humanos, entrará desde que bem formulada e não tire o foco do conteúdo. A contextualização é livre, mas não se pode errar a mão. Afinal, a gente quer avaliar o conhecimento do aluno ou discutir temas sensíveis?".