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Entrevista

A trajetória de sucesso de José Carlos Semenzato

De vendedor de coxinha a jurado do Shark Tank Brasil, Semenzato é ócio de mais de dez marcas com mais de 1.800 franquias e R$ 1,45 bilhão de faturamento em 2018

Jéssica Reis - 12/10/2019 00:15

Ele é um dos tubarões da quarta temporada do reality Shark Tank Brasil e a história da sua vida daria um filme. José Carlos Semenzato, 51 anos, tem uma carreira de sucesso no mundo dos negócios. Tudo começou aos 13 anos, quando vendia coxinhas feitas por sua mãe. Aos poucos, com o dinheiro que ganhava, teve as primeiras conquistas, uma bicicleta e mais tarde um Fusca 1962.

Em entrevista à revista Vida&Arte, Semenzato conta que teve uma infância pobre, enfrentou muitos obstáculos e chegou a falir. Deu a volta por cima e hoje está à frente da SMZTO Holding de Franquias, é sócio de mais de dez marcas com mais de 1.800 franquias e R$ 1,45 bilhão de faturamento em 2018. Entre as empresas estão Espaçolaser, Instituto Embelleze, Casa X, OdontoCompany, entre outras.

Nascido em Cafelândia (SP), Semenzato é também cidadão rio-pretense e mantém uma de suas residências na cidade, além de um apartamento em São Paulo, no Cidade Jardim, um na Trump Towers, em Miami, e uma casa no condomínio Fazenda Boa Vista.

V&A - Você começou vendendo coxinhas, como foi isso? Pode nos contar como chegou onde está?

José Carlos Semenzato - Minha trajetória começou cedo: aos 13 anos. Na época, vendia as coxinhas que a minha mãe, dona Alzira, fazia em casa. Em pouco mais de um ano, consegui comprar uma bicicleta. Eu tinha uma estratégia: chegava à casa das pessoas na hora da fome, anotava as vendas numa caderneta e, aos sábados, passava para receber. Vendia até 600 coxinhas por dia. Coloquei dois tios meus, que tinham a mesma idade, para me ajudar nas vendas.

Tempos depois, juntei dinheiro para comprar um Fusca 1962 só com o dinheiro das vendas das coxinhas. Nesta época, fui fazer um curso de computação e de programação, conhecimento que me ajudaria a escrever meu nome no empreendedorismo. Durante esses dias, eu trabalhava em uma copiadora da cidade e, aos 16 anos, me tornei gerente da operação - isso porque trabalhava com um atendimento ao público primoroso, qualidade que fez com que diversos clientes apenas quisessem ser atendidos por mim. Foi quando eu entendi que a diferença está nos detalhes e que minha preocupação com o atendimento era, de fato, importante.

Meses depois, fui convidado a trabalhar em uma grande construtora da cidade. Esse mundo me fascinava: passava de 12h a 14h dentro de uma sala programando. Com isso, aos 17 anos, eu já tinha desenvolvido softwares de controle de gado, de contas a pagar e a receber, de controle de estoque.

Aos 18 anos, fui convidado pelo Instituto Americano de Lins para ser professor de segundo grau em computação. Dar aulas para alunos praticamente da minha idade foi um desafio enorme. Passados seis meses, os alunos começaram a me procurar para aulas de reforço aos sábados e domingos. Comecei, então, a dar essas aulas adicionais no computador do meu sogro, numa padaria em Lins. Em 1991, aos 23 anos, troquei meu emprego como professor, em que tinha um ótimo salário, para criar a Microlins.

Com toda minha rescisão - e em meio às emoções do nascimento do meu primeiro filho - comprei quatro computadores. Juntei todas as economias adicionais que tinha para criar a Microlins. E, além da arriscada decisão de franquear a marca, também ousei em 2001, quando passei a inserir a rede em ações de merchandising na televisão brasileira.

Em 2001, tive de tomar uma decisão muito difícil. Tinha uma Mercedes, de R$ 200 mil, e recebi uma proposta para colocar a Microlins na TV brasileira, em rede nacional. Era preciso pagar R$ 300 mil e meu sócio foi contra. E eu tinha convicção de que, se não levasse minha marca a todo o Brasil, eu não ganharia escala. Assinei a fatura tomando o risco sozinho e, 45 dias depois, a empresa criou mais de R$ 1,5 milhão em recebíveis. Paguei a primeira fatura e nunca mais saí da televisão. A presença nos programas de TV fizeram com que outras marcas fundadas por mim também ganhassem notoriedade e corpo dentro do franchising, como o Instituto Embelleze. Capacitamos mais de 150 mil cabeleireiras ao ano. Tenho muito orgulho de ter ajudado a renda de diversas famílias subir substancialmente.

V&A - O que você passou para chegar até onde está hoje? Quais as dificuldades que você superou e como superou?

Semenzato - Além da infância pobre, enfrentei outros obstáculos. Em 1995, logo após o Plano Real, fali. Na época, tinha 17 escolas próprias da Microlins, as mensalidades dos alunos caíram, enquanto os juros de empréstimos feitos por leasing dispararam. Eu dormia e acordava com cobradores. Ainda mantinha o otimismo, simbolizado por um carrão na garagem. Visitava os possíveis clientes e parceiros de negócios com a BMW e mantinha uma estratégia curiosa: estacionava o veículo em frente à garagem de possíveis parceiros. Quando perguntavam a quem pertencia o veículo, eu erguia o braço, orgulhoso. Você precisa sempre mostrar poder, ninguém faz negócios com coitadinhos. Eu tinha duas opções: ou tornaria minha empresa uma rede de franquias, conceito que nem sequer conhecia à época, ou não existiria mais. O franchising entrou na minha vida por necessidade, e não por planejamento. Em seis meses, das 17 escolas próprias, 16 viraram franquias. A unidade de Lins continuou própria. A Microlins chegou a ter 700 franquias e mais de 500 mil alunos.

V&A - Qual a sua filosofia de vida?

Semenzato - O meu negócio é realizar o sonho das pessoas. Vejo a minha empresa como uma forma de investir em sonhos, e ajudar as pessoas a realizá-los.

V&A - Tem alguma crença? Você acredita que isso ajudou no seu sucesso?

Semenzato - Eu acredito em Deus, sou evangélico e acredito, sim, que a minha fé em Deus ajudou o meu sucesso, mas também acredito que foi fruto de muito trabalho duro.

V&A - Seus pais foram um incentivo para alcançar seus objetivos?

Semenzato - Com certeza, minha mãe sempre me apoiou nos meus sonhos, tanto que me ajudava a fazer as coxinhas, e o meu pai sempre trabalhou para sustentar a casa. Todos os valores que eu tenho vieram da minha família.

V&A - Como foi sua infância e adolescência?

Semenzato - Nasci em uma família pobre em Cafelândia (SP), mas cresci em Lins (SP). Aos sete anos eu ajudava meu pai, José, a carregar tijolos em obras. Aos 13 anos, deixei a construção civil para vender coxinhas na vizinhança. Tive uma infância de muita luta, mas com muitas alegrias e vontade de crescer.

V&A - Como conheceu sua esposa, vocês estão juntos há muito tempo, o que ela representa para você?

Semenzato - Nos conhecemos quando eu tinha 12 anos no grupo de jovens da Assembleia de Deus, na qual o meu pai atuava como pastor. Desde então nunca nos separamos. Na nossa história de amor, havia um porém: o pai de Samara era comerciante na cidade, rico, e eu sentia um certo "olhar torto" dos cunhados ao chegar na minha Monareta 84 para encontrar a minha amada. Eu só tive coragem de entrar no casarão e pedi-la em namoro aos 18 anos, quando comprei meu primeiro carro, um Parati 84. Hoje eu me dou bem com todos eles, mas é impressionante como a vida dá voltas: eu que presenteei meus sogros com a casa em que moram atualmente.

V&A - Qual a sua maior alegria? E a maior dor?

Semenzato - A minha maior alegria é poder estar gerando oportunidades de transformação de vidas para tanta gente. Ter dado a oportunidade para meus filhos estudarem e estarem preparados para dar continuidade ao meu legado. A minha maior dor é ver que sou incapaz de levar as mesmas oportunidades que tive para tanta gente que precisa. Mas, através do meu testemunho, quero mostrar a elas que podem e que só depende delas para a transformação acontecer.

V&A - O que não faria hoje, qual erro não repetiria?

Semenzato - Acho que minha vida daria um bom filme americano. Não faltaram desafios durante a minha trajetória empreendedora. Cometi alguns erros, mas acertei também. Sempre procuro falar para a nova geração de empreendedores que seu negócio vai te ensinar a ser uma pessoa mais persistente. Andando naquele Fusca vendendo coxinha, talvez não imaginaria que hoje estaria morando no Parque Cidade Jardim. E tudo isso aconteceu porque a palavra "desistir" nunca esteve em meu dicionário. Tenho foco na solução dos problemas. Resiliência talvez seja uma das minhas maiores virtudes. Tenho uma capacidade de superação incrível e pude colocar isso à prova em vários momentos da minha trajetória, até mesmo quando quase quebrei.

V&A - Que conselho daria para as pessoas que sonham em se tornar empreendedoras? O que é preciso fazer para conquistar algum sonho?

Semenzato - É preciso sonhar grande, trabalhar duro, ter humildade, resiliência e muito otimismo para suportar os dias difíceis com a sua empresa. Sempre virão as "tempestades", mas é possível superá-las se você acreditar no potencial da sua ideia.

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