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Mulheres de Areia, uma reflexão sobre pertencer

Núcleo Digital - 15/09/2019 00:00

As vezes pensamos ser indizível e até incompreensível algumas dores e angustias que nos assolam em alguns momentos da vida. Nos sentimos aprisionadas pelo meio, pelo outro e até por nossas próprias expectativas em relação a nós mesmas. Aquela cobrança de que tudo tem que estar sempre bem e assim não conseguimos sequer vislumbrar saídas bem escancaradas na nossa frente, nos deixamos ali, no total abandono aceitando as vezes os títulos que a nós são conferidos pelo mundo e por nós mesmas. Ansiosas, deprimidas e angustiadas.

As vezes como diz tão poeticamente Clarisse Lispector: ¨Nos sentimos como se tivéssemos nascido e ficado ali, simplesmente nascidas¨.

Várias fases da nossa vida nos encaixamos nesse sentimento de abandono e não pertencimento. A infância, as vezes o pós-parto, a mudança ou desligamento de algum emprego, alguns rompimentos afetivos, quando nossos filhos saem de casa em rumo as suas próprias jornadas, e por ai vai.

E realmente somos “abandonadas” e abandonamos várias vezes ao longo da vida. Essa dor é real, porém podemos ser criativas e responsáveis por nos reerguermos e redefinirmos o sentido desta experiência. Primeiro passo é o reconhecimento dessa dor e então começar uma nova etapa para nós mesmas, descobrindo ou apenas nos dando uma segunda chance de fazermos o que sempre deixamos de lado por nunca nos colocarmos em primeiro plano.

A hora é agora. Por exemplo nos entregarmos a algo prazeroso, como aprender uma arte nova, cursos, leituras e atividades físicas. Enfim, algo que nos dê a sensação do desafio e o reconhecimento por nós mesmas de toda capacidade que temos e o entendimento de que apenas uma fase da vida mudou e devemos estar dispostas a aproveitá-la da melhor maneira, evitando assim a somatização e o possível desenvolvimento de alguma doença posteriormente. Os motivos desse sentimento na maioria das vezes foge do nosso controle ou vontade, sendo assim, vamos nos ater ao pertencer a nós mesmas, contando com nossa força em ser útil aos nossos e principalmente a nós mesmas, nos apropriando da nossa responsabilidade enquanto adultas e buscar novas possibilidades de ser.

Ser de verdade, usufruindo da nossa garra e coragem de fazer o que é preciso para dar sentido à vida, sem provar nada para ninguém e sim nos superarmos a cada dia, sendo pertencentes e comprometidas com nosso crescimento, realmente nos desafiando a entregar-nos a algo novo e desconhecido até então, e não estou falando em algo longe, difícil ou custoso, mas em investimento no dia a dia, na vida real e cotidiana, com você mesma, fazer o que tem que ser feito, sempre com seu melhor adereço: seu sorriso e bom humor.

Estar aberta para a beleza da vida e de todas as possibilidades que o estar vivo inclui, se permitir embrenhar por territórios desconhecidos dentro e fora de você, acredite existe muita beleza e arte a ser descoberta por nós, desafie-se, você consegue, não precisar ser sozinha, busque ajuda.

Por: Daniella Munhoz Cardoso

CRP: 06/56992-0

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