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Vida afetiva: A sua pressa de fazer um relacionamento dar certo faz ele dar errado

Alexandre Caprio - 12/10/2019 00:10

A solidão é um dos maiores medos que temos. Não é por acaso, afinal somos uma espécie acostumada a viver em grupo. O medo de ficar sozinho pode chegar ao nível do terror, levando as pessoas a fazerem e manterem escolhas afetivas ruins. É o caso de A.C.S. Vamos dar uma olhada na mensagem dela?

"Olá, Alexandre. Tenho 28 anos e um problema sério: não consigo estabilizar minha vida afetiva. A impressão que eu tenho é a de que tem muita mulher no mercado e, por causa disso, os homens não querem mais assumir compromisso. Sinto que o tempo está passando e o medo de acabar sozinha aumenta a cada ano. Frequento lugares diferentes e conheço pessoas o tempo todo, mas cada nova tentativa é uma frustração enorme e a sensação de rejeição cresce junto com a solidão. Será que estou fazendo algo errado ou as relações e as pessoas estão se tornando mais superficiais?".

Embora pareça o contrário, o medo de perder leva à perda. E o medo de ficar sozinha acaba aumentando as chances de você ficar sozinha. Se, por exemplo, um homem tem medo de perder a namorada, ele acaba ficando ciumento e possessivo. Por causa disso, começa a questionar, brigar e duvidar dela constantemente, fazendo com que os momentos juntos se transformem em uma coisa ruim ao invés de boa. Depois de algum tempo, ela não consegue mais associar a imagem dele ao prazer, e sim ao desgaste, aumentando muito as chances de ela desanimar e realmente ir embora.

Em resumo, o medo de perder fez ele perder a namorada. Já o seu medo de ficar sozinha deixa você sozinha. Como não tem paciência para encontrar a agulha no palheiro, acaba enfiando palha nos bolsos. Qual é a chance de estar com a pessoa errada quando a certa passar? Quais são as chances de encontrar a pessoa certa, se estiver distraída ou comprometida com a errada? Como diz o gato do livro 'Alice no país das maravilhas', "para quem está perdido, qualquer caminho serve".

Desenvolva a habilidade de se sentir em equilíbrio sem a presença de outra pessoa. A terapia é uma excelente ferramenta para alcançar esse patamar. Nela, dentre outras coisas, você aprenderá que existe uma grande diferença entre solidão e solitude. Solidão é quando não nos sentimos bem sozinhos. Isso acontece quando não gostamos de nossa própria companhia (quando nossa autoestima não está bem) e, por isso, acabamos precisando da presença constante de alguém que dilua esse mal-estar. Já a solitude é um estado que permite que encontremos a paz, mesmo sós. Para alcançar essa condição, precisamos ter sonhos e lutar por eles.

Precisamos trabalhar em coisas e causas que façam sentido para nós. A solitude permite que tenhamos tempo e espaço para encontrar pessoas com maior afinidade. Já a solidão nos pressiona a desenvolver relação com qualquer um, criando uma necessidade que, muitas vezes, confundimos com amor. A sua pressa de fazer um relacionamento dar certo faz seus relacionamentos darem errado. Você tenta artificializar uma coisa que só funciona se acontecer de forma natural. Acaba deixando seus sonhos de lado para gastar tempo e energia procurando pessoas erradas nos lugares errados para, depois, culpar o destino e os tempos atuais.

Aprenda a selecionar, esperar, dar tempo ao tempo. Encontre pessoas semelhantes a você se mantendo na sua estrada e investindo naquilo que faça sentido e que traga prazer à sua vida. Faça isso e não precisará mais de alguém que a faça feliz, mas poderá, finalmente, encontrar alguém com quem possa compartilhar a sua felicidade.

Participe, envie suas dúvidas sobre relacionamento para: alexandrecapriopsicologo@gmail.com

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