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Saúde

Pílulas de dó, ré, mi, fá...

Música é utilizada como aliada importante da saúde e no tratamento da dor


    • São José do Rio Preto
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Não é por acaso a expressão da sabedoria popular: "música para os ouvidos". Ela é uma combinação de sons rítmicos, harmônicos e melódicos e muitos povos, através da história, acreditavam em seu efeito medicinal. Hoje, ela já é usada oficialmente como coadjuvante no combate à dor.

Essa relação começou a ser estudada após 1940, quando, no fim da Segunda Guerra Mundial, músicos foram chamados para tocar em hospitais e ajudar no tratamento dos feridos. A experiência deu certo. Médicos americanos decidiram, então, habilitar profissionais para utilizar a música como terapia. A partir daí, esta terapia correu o mundo com a mesma velocidade que as pesquisas realizadas para comprovar sua eficácia e incentivar sua aplicação na busca de uma medicina mais humanizada.

Diminuição da dor e dos analgésicos

A musicoterapia, dizem as mais recentes pesquisas, é capaz de beneficiar os pacientes antes, durante e depois dos procedimentos cirúrgicos, diminuindo a angústia, a percepção da dor, quantidade de analgésicos e o tempo de restabelecimento.

No Brasil, a atividade é incentivada pelas entidades médicas. Um projeto, o "Música nos Hospitais", idealizado pela Associação Paulista de Medicina (APM) em 2002, surgiu com o objetivo de levar uma orquestra para se apresentar no principal ambiente de trabalho do médico. As apresentações passaram a ser feitas nos pátios, recepções e demais locais de fácil circulação dentro dos hospitais - inclusive nos andares de internação.

No Hospital de Base, em Rio Preto, não é diferente. "Quando eu fui chefe do centro cirúrgico, a primeira coisa que eu fiz foi colocar música e foi uma experiência muito boa; porque é um ambiente traumático, de dor, que se transforma num lugar mais humanizado", explica a médica anestesiologista Amália Tieco, diretora administrativa do HB.

A música no hospital é uma proposta contínua na Fundação. Há vários setores onde voluntários fazem apresentações durante o ano todo. "Ela traz boas lembranças, reaviva sentimentos, auxilia na cura e na recuperação dos nossos pacientes e nos desacelera da correria do dia a dia", diz Amália. O resultado é uma redução do uso de medicamentos.

E complementa: "Acreditamos que a música cura as dores da alma. Não adianta usar a medicação e equipamentos de última geração se não tratar também as dores da alma do paciente", diz a médica. Até mesmo o "Setembro Clássico" foi criado, uma semana inteira de música nas dependências do hospital para pacientes, acompanhantes e colaboradores em diversos setores e horários na instituição.

A música também é usada nas oficinas de canto do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro, em Rio Preto. "Estudos mostram que ouvir sons em determinadas frequências ativa áreas cerebrais específicas, contribuindo para a reabilitação de sequelas de AVC, paralisia cerebral, entre outras", explica a médica fisiatra Regina Chueire, diretora do Instituto.

Pesquisadores mexicanos revisaram 14 estudos sobre o assunto. Em um deles, os cientistas perceberam que a música em geral reduziu de forma significativa a dor crônica, ansiedade e depressão nos pacientes. Quando submetido à técnicas da musicoterapia, são liberados hormônios que dão a sensação de prazer e bem-estar.

"Com isso, o paciente vai ficando mais tranquilo, mais calmo, alegre, se sente bem e isso traz um benefício enorme pra saúde: controle da pressão arterial e uma respiração mais pausada. Isso tudo faz com que a dor diminua porque a música atinge o sistema límbico da área cerebral e esse sistema é responsável pelas emoções, pelas motivações, pelos sentimentos e pelos pensamentos", diz a musicoterapeuta Renata Fernanda Pupin Alves. O paciente terá menos ansiedade e menos dor. "Isso tudo faz com que diminua a quantidade de medicação que ingere", diz.