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Saúde

Estresse ou distúrbio na tireoide?

Sintomas físicos e mentais comuns no cotidiano podem ser alterações na glândula


    • São José do Rio Preto
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Você sente cansaço exagerado, é ansioso, tem sofrido alterações no peso, queda de cabelo, tem alterações frequentes no humor e sofre de insônia, mas não dá muita atenção aos sintomas por achar que fazem parte do processo natural de estresse? Saiba que esses também podem ser sinais de um distúrbio da tireoide.

A tireoide é uma glândula cujos hormônios produzidos controlam os batimentos cardíacos, os movimentos peristálticos no intestino e praticamente todas as funções cognitivas. Por sua atuação em diversas células, tecidos e órgãos, essa data reforça a importância e necessidade de investigar o funcionamento da tireoide, primando pela saúde e garantindo funcionamento pleno de todo o corpo humano.

"A glândula está localizada próxima à garganta e tem o formato de uma borboleta. Ela produz e libera hormônios que contêm iodo, triiodotironina (T3) e a tiroxina (T4), responsáveis por auxiliar no crescimento e equilíbrio metabólico do organismo. Quando há um desequilíbrio - para mais ou para menos - na quantidade desses hormônios, pode haver prejuízos para a saúde do paciente", explica a endocrinologista Débora Danilovic, da unidade de tireoide do Laboratório de Endocrinologia Celular e Molecular da Faculdade de Medicina da USP e médica-assistente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo.

"Quando o funcionamento da tireoide se encontra alterado, esta glândula pode estar funcionando pouco, o que causa o hipotireoidismo (a doença mais comum da tireoide, sendo oito vezes mais frequente em mulheres que homens), ou, se estiver funcionando de forma excessiva, o hipertireoidismo", explica a endocrinologista Nathalia Morales de Camargo.

Em ambos os casos, existem alguns sintomas gerais facilmente confundidos com o estresse físico e mental, comuns no cotidiano, como alterações de humor, cansaço, alterações no sono, mudanças no peso, desconfortos intestinais, entre outros.

"O hipotireoidismo é causado na maioria das vezes por uma doença autoimune que atinge mais mulheres e a sua prevalência aumenta com a idade", explica o endocrinologista Flavio Fontes Pirozzi, professor na Faculdade de Medicina da Unilago. O aumento no número de casos se deve ao aumento da expectativa de vida. "Por isso é normal que, assim como o hipotiroidismo, outras doenças relacionadas com o avanço da idade sejam mais frequentes", complementa. Mas vale ressaltar que o hipotiroidismo pode aparecer em qualquer idade e ambos os gêneros.

"Deve-se ter atenção quando essas manifestações forem persistentes, pois pode ser um prenúncio de alterações na glândula, portanto é necessário procurar um endocrinologista o mais breve possível para tratamento adequado", explica Nathalia Camargo.

 

  • Hipotireoidismo: cansaço, intolerância ao frio, dispneia (falta de ar), ganho de peso, alteração da memória e do raciocínio, constipação intestinal, depressão, irregularidade menstrual, falta de libido, queda de cabelo e mialgia (dor no corpo)
  • Hipertireoidismo: intolerância ao calor/sudorese, fraqueza, palpitação, ansiedade, irritabilidade, insônia, perda de peso, queda de cabelo e alteração no ciclo menstrual

Fonte: Nathalia Morales de Camargo, endocrinologista

 

O diagnóstico de um distúrbio tireoidiano é feito por meio de um exame de sangue, onde os níveis de TSH, hormônio estimulante da tireoide produzido pela hipófise e o T4 livre são medidos. O diagnóstico do hipotireoidismo é feito em exame de sangue. O tratamento é realizado com uso contínuo de hormônio da tireoide (Levotiroxina). “O não seguimento, acarreta os sintomas acima citados e em casos graves até coma”, diz Nathalia Morales. No hipertireoidismo, o diagnóstico também é realizado com exames laboratoriais e ultrassom de tireoide. O tratamento pode ser realizado com medicação na maioria dos casos, iodoterapia ou cirurgia. “Não tratar de forma adequada, pode causar também arritmia e osteoporose”, diz Nathalia Camargo.