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Terceira idade

Depressão 6.0

Sintomas podem ser confundidos com comportamento natural da idade


    • São José do Rio Preto
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Se você pensa que a terceira idade é uma época feita apenas de memórias felizes, sabedoria e sorrisos, saiba que não é bem assim. Envelhecer, na prática, significa também conviver frequentemente com a perda de entes queridos, com as doenças, com as limitações, com a redução de renda e, algumas vezes, com o isolamento social. Some a isso os fatores hereditários e pode surgir uma doença silenciosa que traz diversas consequências: a depressão.

Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que atualmente são 900 milhões de pessoas com mais de 60 anos, ou 12% da população. Devem ser 2 bilhões até 2050, o que representa 22% do total. Preconceito e falta de conhecimento muitas vezes tornam mais difícil a identificação dos sintomas. Entretanto, o cuidado deve ser redobrado, uma vez que a depressão está entre as principais doenças mentais que atingem os idosos.

É preciso redobrar a atenção com a saúde mental das pessoas. Nessa faixa etária, por exemplo, o diagnóstico e o tratamento da depressão tendem a ser mais difíceis. Isso ocorre porque, nos idosos, os sintomas podem ser encarados como comportamento natural ao processo de envelhecimento, como a redução do ritmo das atividades, memória e disposição. "Além dos sintomas típicos como tristeza persistente e isolamento social, é comum o idoso deprimido apresentar irritabilidade, falta de apetite, perda de peso e dor crônica", explica o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto. Alterações no padrão de sono também devem ser observadas, seja pelo excesso de sonolência ou por episódios recorrentes de insônia.

É importante não minimizar as mudanças comportamentais e conversar com atenção sobre os sintomas e gatilhos. "O mais importante é estar disponível para a pessoa. Não estar à frente ou na retaguarda e, sim, ao lado dele. Em casos graves, quando há pensamentos ligados a morte ou episódios de agressividade e violência, uma intervenção é necessária", complementa.

  • Humor depressivo durante a maior parte do dia, indicado por relato do idoso ou de terceiros;
  • Diminuição drástica do interesse ou prazer em atividades antes prazerosas;
  • Aumento ou diminuição incomuns do apetite, perda ou ganho significativos de peso;
  • Insônia ou sono excessivo;
  • Fadiga ou perda de energia, agitação ou retardo psicomotor (capacidades cognitivas mais lentas);
  • Sentimentos de inutilidade, culpa excessiva e inapropriada, "complexo de perseguição" ou medo exagerado de doenças graves;
  • Redução na capacidade de concentração;
  • Pensamentos recorrentes de morte ou suicídio.

A executiva de contas M.S., 62 anos, conhece a depressão de perto. Depois de ter sofrido um golpe que afetou toda a sua vida financeira, teve de se desfazer de vários bens e se reestruturar. Somado a isso, também perdeu uma gata de estimação, considerada parte da família. "Sempre fui uma pessoa muito forte, ajudava a todos e ainda tentei lutar sozinha durante um ano, mas não tinha mais forças, apesar da ajuda dos meus filhos para que saísse dessa", conta. Ela frequentava a igreja e também fazia um trabalho voluntário, mas se afastou depois disso. "Comecei a me fechar, a ter problemas para dormir e a me isolar das pessoas", explica.

Foi hora de procurar ajuda especializada de um psiquiatra que fez o diagnóstico: depressão. Os medicamentos foram o primeiro passo. "Logo comecei a reagir, voltei para a igreja e consegui resgatar minhas forças. Lá é minha melhor terapia até hoje", conta M., que também passou a fazer caminhada regularmente e já voltou a dormir sem a ajuda de medicamento. As amigas também foram importantes, segundo ela, nesse processo de superação. "Continuo com o remédio para depressão porque ele me dá uma segurança. Ainda preciso dele porque você se sente insegura ao perceber que basta um segundo para que aconteça uma revolução na sua vida, mas precisa de muito tempo para se restabelecer", conta.

O tratamento mais eficiente é aquele que se propõe a melhorar a qualidade de vida do paciente e trata a doença com o mínimo de reações adversas. "Atualmente as medicações são seguras e com menos efeitos colaterais que no passado", explica o psiquiatra Oswaldo Petermann Neto. No entanto, a medicação não faz todo o trabalho sozinha. Investir em atividades físicas, psicoterapia, terapia ocupacional e outras atividades de interesse do paciente contribuem muito para o tratamento da depressão. "Qualquer atividade é válida desde que seja vista como uma terapia e não como algo torturante", diz ainda.