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COMPORTAMENTO

Psicóloga ministra hoje uma palestra sobre comunicação não violenta

Psicóloga rio-pretense ministra palestra nesta quarta-feira, no Iguatemi, na qual fala sobre o conceito criado pelo psicólogo norte-americano Marshall Rosenberg de que a educação das crianças conta com afeto e diálogo


    • São José do Rio Preto
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É fácil encontrar vários amigos e familiares que sempre disseram que, quando tivessem filhos, iriam educá-los na base da conversa e do olho no olho. No entanto, foi só nascer o primeiro bebê para que todas as promessas fossem descumpridas. Por causa do cansaço, estresse do dia a dia, falta de apoio e sono, correria para dar conta de todas as demandas e a falta de paciência, ao invés do tão sonhado diálogo, entram em cena os gritos e até palmadas. O resultado são pais culpados ou frustrados.

Para mudar este comportamento, que deixa o relacionamento entre pais e filhos muito difícil, é preciso quebrar um ciclo. Principalmente porque crianças criadas em ambientes emocionalmente frágeis costumam manter este comportamento, o que faz com que ele passe de geração em geração. Alguns pais, por exemplo, inconscientemente, agridem psicologicamente os filhos, como os pais faziam, e as sequelas dos maus-tratos podem ser irreversíveis, os deixando com baixa autoestima e inseguros.

Eles brigam e humilham porque a criança fez xixi na cama, não tirou a nota máxima no boletim ou porque a criança está acima do peso. Pesquisadores e especialistas revelam diariamente que, gritar, agredir fisicamente, xingar, punir ou envergonhar os filhos, são estratégias de disciplina ineficazes e destrutivas ao longo prazo, que podem gerar o desenvolvimento de problemas emocionais e disciplinares. Os pais não precisam ser permissivos, mas coerentes e ter firmeza no cumprimento de uma regra determinada, por exemplo.

Trabalhando com mediação de conflitos desde 1989, a psicóloga Maria Amélia Mussi afirma que é possível educar os filhos, mas sem as agressões que foram comuns na infância de alguns pais. A especialista afirma que é preciso falar sobre a comunicação não violenta para evitar a repetição de padrões. Os pais podem reconhecer que a educação com violência não funcionou para eles e fazer diferente.

Maria Amélia conta que trabalha há quatro anos com a justiça restaurativa, que é conhecida como uma técnica de solução de conflitos que prima pela criatividade e sensibilidade na escuta das vítimas e dos ofensores. A técnica é realizada em escolas públicas e privadas, por exemplo, auxiliando na prevenção e na diminuição do agravamento de conflitos. "A ideia é eliminar a punição para fazer uma restauração da relação."

Ajudar os pais a entender como o comportamento e a comunicação afetam o desenvolvimento dos filhos e criam as bases para a formação de crianças saudáveis hoje e famílias mais saudáveis no futuro é um dos objetivos de Maria Amélia. Tanto que ela promove nesta quarta-feira, 25, às 19h, a palestra "Comunicação Não Violenta na Família", no espaço dos arquitetos Renata Domarco e Ricardo Bozzola na mostra I' Casa, no Iguatemi. A entrada é gratuita.

Inspirada em Marshall Rosenberg, psicólogo norte-americano que desenvolveu o conceito Comunicação Não-Violenta (CNV), a psicóloga Maria Amélia Mussi afirma que o objetivo do encontro é que as pessoas tenham vidas felizes e relacionamentos positivos, em que se valorize a empatia em vez do embate. A palestra é indicada para psicólogos, profissionais da área da saúde, estudantes, educadores, professores, pais e interessados.

Maria Amélia afirma que a tecnologia tem afastado as pessoas e criado um abismo entre pais e filhos. "Hoje, por exemplo, falta comunicação dentro de muitas casas, independente da classe social. Uma família bem sucedida financeiramente costuma ter um pai ausente por causa da rotina de trabalho. Uma forma de conversar é durante o jantar, que é um ritual de celebração. No entanto, todos estão com o celular na mão. Ninguém sabe a real necessidade do outro. Quando os filhos saem dos limites, o pai autoritário surge e impõe a situação que ele acha certa, o que acaba gerando um desconforto e distanciamento, falta de diálogo e agressividade."

Para a psicóloga, as crianças e adolescentes estão cada vez mais doentes e este dado é um reflexo dos relacionamentos ruins. "Hoje, eles estão ansiosos, com muita pressão emocional, são muito cobrados para serem os melhores e são competidores, mas acabam deixando de lado alguns valores e a espiritualidade, independente da religião. São pessoas que vão ao shopping, gastam muito e se sentem vazias. Neste cenário, reforço, mais uma vez, a necessidade do afeto, da comunicação assertiva e com energia positiva. Precisamos nos abastecer do que é essencial e não do superficial. A mudança deve começar dentro de casa."

Serviço

  • Palestra "Comunicação Não Violenta na Família", com Maria Amélia Mussi. Nesta quarta-feira, 25, às 19h, a no espaço dos arquitetos Renata Domarco e Ricardo Bozzola na mostra I' Casa, no Iguatemi. A entrada é gratuita