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Criança

Pare com isso

Lidar com a birra dos filhos não é tarefa fácil, mas tem jeito


    • São José do Rio Preto
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"Toda vez que ela quer alguma coisa e negamos, é a mesma coisa. Ela se joga no chão e começa a gritar e a espernear. Já fez isso no shopping, no supermercado e todas as pessoas olhando, como se não soubéssemos educar nossa filha", diz a dona de casa Márcia Rosa de Lima, mãe de Júlia, de 3 anos. E ela não está só.

A birra pode ser descrita como um descontrole emocional. Acontece em momentos de conflito, frustração, ansiedade e raiva, seja por ter recebido um "não", por ter perdido um jogo, ou por não querer obedecer. "É comum as crianças reagirem com birras quando são contrariadas ou não têm seus desejos atendidos. Isso muitas vezes assusta os pais, que têm dificuldades em administrá-las e acabam cedendo à pressão exercida pelos filhos", explica Jacqueline Teixeira, especialista em dificuldades de aprendizagem.

A conciliação é possível. "É bem provável que os pais já tenham experimentado seus efeitos", diz a professora de educação infantil Samanta Sievers. A situação deve ser encarada como um pedido de ajuda, como uma oportunidade de diálogo para ensinar a criança a compreender o mundo e a forma como vivemos em sociedade.

"Quando atendemos todos os desejos das crianças, elas podem criar um esquema mental de merecimento ou grandiosidade. Por exemplo, quando fazem birra para ganhar um presente, os pais devem corrigir o comportamento na hora ou farão com que achem que sempre que fizerem aquilo, ganharão o que desejam", diz a psicóloga Lilian Zolet.

  • Abaixe-se na altura da criança: Isso vai garantir a comunicação olho no olho, mostrando assim que se está acessível, que será possível ouvi-la com atenção;
  • Tente conectar-se emocionalmente e fisicamente: De nada vai adiantar longos discursos no momento da birra. Aproxime-se, segure-lhe a mão com delicadeza; se perceber abertura para o mesmo, lhe dê um abraço. Use expressões faciais empáticas e um tom de voz carinhoso. Pode ser difícil manter a calma, mas o adulto é o modelo e deve ser a parte madura dessa relação;
  • Não grite, não bata: Não vai funcionar. Lembre-se que violência gera violência e, quando a criança tentar lhe bater, não diga que não saiba onde ou com quem ela aprendeu isso;
  • Acalme a criança: O primeiro passo é garantir que a criança se acalme. Dê-lhe comandos simples como "respire fundo", "conte até dez", "segure a minha mão";
  • Mude o foco: Com crianças menores de três anos, uma boa dica é mudar o cenário, o foco da conversa, visando que ela se acalme antes de qualquer tentativa de diálogo. "Vamos dar uma volta lá fora e olhar o céu?"; "Que tal você me dar a mão e a gente caminhar juntos um pouco?"; "Venha comigo, quero te mostrar uma coisa";
  • Para todas as idades: Assim que a criança se acalmar e relaxar, converse com ela sobre os sentimentos que vieram à tona durante a birra, descrevendo a situação e nomeando as emoções;
  • Com crianças maiores: Mantenha o diálogo com frequência sobre regras e limites, de forma positiva. Antes de entrar no shopping, por exemplo, combine: "hoje você poderá escolher um item para comprar", ou ainda "hoje não será possível comprar um brinquedo novo, mas podemos olhar o que tem e pensar em opções para seu aniversário". Se após esse diálogo a birra acontecer, é interessante que haja uma consequência para que a criança entenda princípios de senso de justiça. Não ceda ao combinado devido à birra, cumpra a sua palavra apesar dela, mostrando que havia sido feito um acordo anterior e que a sua palavra tem valor;
  • Horário programado: Se a criança faz birra toda vez que você fala que é hora de tomar banho ou que chegou o momento de ir embora da casa da vovó, avise-lhe antes de isso acontecer. Programe o despertador para cinco minutos após e fale: "quando o despertador tocar será a hora de ir embora";
  • Permita escolhas: Quando possível, permita que a criança faça escolhas. Por exemplo: "Hoje você pode escolher entre esta ou esta roupa para sairmos em família, qual você prefere usar?". A possibilidade de escolha é muito mais respeitosa do que simplesmente dizer "vista isso".

Fonte: Samanta Sievers, educadora infantil