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Criança e adolescente

O beijo que cura

Carinho dos pais ativa uma região no cérebro que libera descargas elétricas com efeito sedativo


    • São José do Rio Preto
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Difícil encontrar quem não se lembre de ter caído ou tomado uma pancada leve na infância e recebido um beijo da mãe para curar. A fórmula é antiga e usada até hoje. O poder escondido por um gesto reconfortante e carinhoso foi parar nos bancos das universidades e a ciência resolveu estudar o motivo. Mas será que beijo de mãe cura mesmo?

Uma pesquisa da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, foi publicada no The Journal of American Parenting com dados que comprovam a eficácia dos beijos maternos no tratamento de pequenos ferimentos, em comparação a tratamentos homeopáticos.

Segundo o estudo, 248 crianças que tiveram pequenos machucados, quando a mãe, pai ou cuidador dava um beijinho no local do ferimento, a sensação de alívio era maior do que a das crianças que receberam medicamentos homeopáticos.

E a própria ciência diz que a explicação é muito simples. O carinho recebido dos pais ativa uma região no cérebro que libera descargas elétricas com efeito sedativo para a dor das crianças. Segundo Francis Campbell, responsável pelo estudo, essa comprovação é um avanço.

Carinho e cuidado são importantes

O carinho ampara. Essa afirmação foi comprovada por um estudo científico realizado na Duke University, nos Estados Unidos. Os pesquisadores ouviram 482 moradores dos Estados Unidos que foram avaliados na infância e depois novamente aos 38 anos. Os resultados mostraram que a construção do elo afetivo com a mãe contribui não só para diminuir a irritabilidade como para auxiliá-la a desenvolver habilidades para lidar com as pressões da vida adulta. Os pesquisadores observaram que as crianças cujas mães foram mais ternas eram as que apresentavam menores indícios de ansiedade e perturbações gerais.

"Depois do nascimento, instantaneamente o vínculo fica mais intenso assim que mãe e filho se reconhecem, porém seu fortalecimento é gradativo. Além do olhar, o toque é muito importante. As atividades entre mãe e bebê, por mais simples que pareçam, são fundamentais para que as conexões se estabeleçam e a relação seja consolidada", explica a psicóloga Salete Arouca.