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Risco Brasil cai


    • São José do Rio Preto
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O Risco Brasil caiu ao menor nível em seis anos, mas o investidor estrangeiro ainda está cauteloso. Um risco menor antecipa um cenário econômico interno melhor. Mas enquanto as reformas não forem concluídas e a economia voltar a crescer, os investimentos vão chegando aos poucos. O risco Brasil, medido pelo Credit Default Swap (CDS), um título que protege contra os calotes da dívida soberana, atingiu na semana passada o menor nível em seis anos, aos 116 pontos.

Se continuarmos no caminho certo, poderemos desobstruir os investimentos internacionais e tomarmos crédito a um custo menor. Está ocorrendo uma resistência dos investidores devido ao "deslocamento" do risco País de outros ativos, como a bolsa e o dólar, que não estão acompanhando o mesmo ritmo, a melhora na percepção do risco.

O CDS, o dólar e o Ibovespa costumam caminhar juntos - sendo dólar e risco na mesma direção - e bolsa no sentido contrário. Mas há quase um ano, o comportamento desses ativos apresentou algumas divergências. O Banco Central brasileiro estima que com o CDS no patamar atual, o dólar deveria estar em RS 3,60 ou menos, mas a moeda americana anda na casa dos R$ 4,11 e não dá sinais que vai ficar abaixo de R$ 4.

A ausência de boas notícias externas, o baixo crescimento dos EUA e da Zona do Euro e, principalmente, em relação à "guerra comercial" entre EUA e China, o Real deverá continuar depreciado. O maior bônus que a queda do Risco Brasil traz para a economia é a sinalização para o mundo que a "solvência externa do Brasil está melhorando".

Mas é certo que se o PIB não voltar a crescer, essas expectativas positivas se desmancharão a curto prazo. O Bradesco calcula que o país perdeu ao redor de U$S 50 bilhões em recursos externos nos últimos meses.

Três fatores contribuíram para esse fato. Primeiro, a redução do diferencial de juros entre o Brasil e os EUA, o que torna o país menos atrativo para os estrangeiros. A segunda, o fato de muitas empresas passarem a trocar dívida externa por dívida em Real, já que os custos de captação caíram no mercado de capitais brasileiro. E finalmente, o fato lamentável de o Brasil não ser mais classificado como grau de investimento, o que impede alguns investidores de aplicar no País.

O CDS vem caindo desde as eleições presidenciais, é natural que todo início de um novo governo gere expectativas positivas, mas só se mantém essa posição avançando na agenda econômica. Sem dúvida, a evolução dos indicadores externos como a redução do déficit da conta corrente para 0,9% do PIB, além do aumento das reservas internacionais nos últimos anos, contribuíram muito para melhorar a percepção do Brasil.

Não dá para pensar a economia de forma individualizada e concentrada, há uma dinâmica global no que diz respeito ao mercado financeiro, cadeias de produção, inovação tecnológica, entre outros, o que nos "obriga" a modernizar nossa economia.