Diário da Região

18/09/2019 - 15h16min

NO DIVÃ

Dividir a conta?

Pagar metade da conta é o de menos - até o dia de hoje nós, mulheres, temos pagado com a VIDA, com a liberdade

Pixabay/Banco de Imagens

Vídeo em que o namorado exige que a menina pague metade da conta do motel causou frisson no WhatsApp e, em um trecho de Luiz Felipe Pondé, ele diz o que vejo refletido no pensamento de muitos homens na atualidade:

"Talvez o resumo da ópera seja: o homem precisa aprender a dizer 'não', assim como a mulher aprendeu. Ela diz 'não' para a cozinha, para a maternidade, para a virgindade, para a fidelidade, sob as palmas da cultura pós-moderna. Como uma liberta das amarras do passado, ela caminha solta em meio aos escombros de seus velhos papéis sociais. O homem precisa aprender a dizer 'não' para a mulher que se oferece sexualmente, para a suspeita sobre ele lançada de que não seja capaz de sustentá-la (em todos os sentidos da palavra), para a obrigação de estar sempre presente quando ela desperta de seu sonambulismo emancipado e volta à atávica cobrança de sempre."

Se bem entendi, as mulheres - nessa visão masculina - querem só o "bem bom" da liberdade, mas ainda colocam o homem no papel de provedor, fazendo dele um objeto para seu uso e desfruto. Nos tornamos libertárias rebolando ao som do funk e materialistas e egoístas na hora de pagar a conta? É isso?

Venho através desta informar-lhes que essa fantasia machista é no mínimo injusta com todas as mulheres que, sobrecarregadas e com cargas enormes de culpa e trabalho, pagam a conta pelo egoísmo e vulgaridade de que cada um tem escolhido para conviver.

Não vou discutir o mau gosto de piriguetes e tigradas - se o feminismo ainda não achou a vestimenta ideal, também é preciso dizer que a moda machista produziu burcas, cintos de castidade e cenários de violência que não se comparam em horror. Estamos MUITO melhor assim, obrigada.

Pagar metade da conta é o de menos – até o dia de hoje nós, mulheres, temos pagado com a VIDA, com a liberdade, se não nos adequássemos ao estilo de vida machista e, obviamente, existem mulheres esforçadas, trabalhadoras, justas e companheiras, dispostas ao sacrifício conjunto de se formar uma família e um patrimônio em comum, talvez suas companhias é que não estejam bacanas.

Só para constar, ainda existem iranianas enterradas e apedrejadas até a morte por infidelidade conjugal, chinesas vivas que tiveram seus pés deformados durante toda a vida por que este era um critério de atração naquela cultura, e que mulheres foram submetidas a lobotomias por que cogitavam divorciar-se de maridos abusivos, aqui na América. Algumas africanas têm seus clitóris retirados e ainda não se ouviu falar em contrabando de homens para prostitui-los. Eu podia ir longe... as mulheres começaram a estudar e participar do poder corporativo, votar e ter direito a administrar o dinheiro da família a muito pouco tempo, semana passada, do ponto de vista histórico.

Os homens de bem não reparam, mas está cheio de homem procurando mulher para encostar também, portanto existem pessoas, e não gênero, aproveitadoras e egoístas. Aprendam o "não", como sugeriu Pondé - aliás, uma comunicação mais aberta e realista faria bem em qualquer situação. Posando de bacanas, cheios de vaidade para seduzir e depois se ressentindo do que procuraram para si mesmos é uma conta que não dá para dividir.

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