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Defeitos da Cidade

Saúde é o principal problema de Rio Preto, diz pesquisa

Bandeira de Edinho na campanha de 2016 pode virar munição contra ele em 2020


    • São José do Rio Preto
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A saúde pública é o principal problema de Rio Preto para 44,5% dos eleitores da cidade entrevistados na pesquisa do Diário, realizada pelo Instituto PHD, de Campinas. Propostas para resolver os problemas do setor foram a principal bandeira da campanha do prefeito Edinho Araújo (MDB) em 2016, provável candidato a reeleição no ano que vem.

A pesquisa permitia que cada eleitor apontasse mais de um problema, daí que a soma das principais questões levantadas ultrapasse os 100%. O instituto perguntou aos moradores o seguinte: "na sua opinião, quais são os principais problemas da cidade de São José do Rio Preto?".

Em segundo lugar como tema de maior preocupação entre os eleitores ficou pavimento e calçamento, indicado por 33,5% dos entrevistados.

Problemas relacionados à pavimentação eram as maiores queixas dos rio-pretenses, segundo pesquisa do mesmo instituto realizada para o Diário em 2016, no último ano de Valdomiro Lopes (PSB) veja texto e quadro ao lado.

Já 'Educação e escola' foi considerado o maior problema em 17,8% das respostas das pessoas entrevistadas.

A pesquisa do Instituto PHD ouviu 402 eleitoras e eleitores de Rio Preto nos dias 24 e 25 de agosto em cerca de 30 bairros da cidade, divididos por seis regiões. A margem de erro do levantamento é de cinco pontos percentuais para mais ou para menos, com índice de confiança de 95%.

O levantamento contratado pelo Diário revela ainda que falta de segurança combinada com violência é o maior problema de Rio Preto na opinião de 12,7% dos entrevistados.

Para 12,1%, o maior problema é o trânsito, sendo que na sequência a maior preocupação entre os pesquisados é transporte público combinado com a falta de mobilidade urbana, com 8,8%.

Problema de desemprego foi registrado em 8,1% das respostas verificadas na pesquisa.

A prevalência da saúde pública como principal problema apontado pelos eleitores de Rio Preto contrasta com as propostas de campanha de 2016 do então candidato a prefeito Edinho Araújo (MDB). Tendo como "fiador" do plano o candidato a vice Eleuses Paiva (PSD), que é médico, Edinho prometeu acabar com filas em unidades de saúde e implantar o "Poupatempo da Saúde". O programa, criado com o nome de Centro Médico de Especialidades em espaço no piso 1 do Plaza Avenida Shopping, foi inaugurado em janeiro do ano passado.

Neste ano, Rio Preto registrou a maior epidemia de dengue da história, com mais de 30 mil casos da doença e registro de 12 mortes.

Moradores também têm se queixado de demora em atendimento em unidades de saúde, problema que já foi reconhecido pelo secretário da pasta, Aldenis Borim, em especial na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Jaguaré.

A demora chegou a ser apontada pelo Tribunal de Contas do Estado, na análise dos gastos da Prefeitura em 2017, primeiro ano da gestão de Edinho. O parecer, que foi favorável às contas, recomendou que o município "aprimore o planejamento das consultas médicas, reduzindo a espera pelo atendimento aos cidadãos", em decisão divulgada em maio deste ano.

Para o diretor do Instituto PHD, André Pioli, na maioria das pesquisas os moradores de cidades avaliadas colocam a saúde pública entre os principais problemas. Mas, no caso de Rio Preto, o retrato atual verificado pela pesquisa mostra que um dos principais temas defendidos pelo prefeito na campanha passada podem centralizar debates na corrida eleitoral do ano que vem, na qual Edinho deve se candidatar à reeleição, embora ele evite falar do assunto por enquanto.

"Existe um grande risco que do mesmo jeito que o tema saúde foi levantado com destaque por Edinho na campanha de ser uma bandeira de oposição para tentar derrotá-lo na eleição do ano que vem", afirmou Pioli.

Para o diretor do instituto, os cinco principais problemas devem ser focados pela atual gestão, uma vez que foram as questões mais citadas pelos entrevistados.

Há três anos, a saúde pública não era apontada como principal problema de Rio Preto, segundo pesquisa divulgada em setembro de 2016 pelo Diário, feita pelo mesmo Instituto PHD. Na época, na reta final do governo do ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB) e em plena campanha eleitoral da qual Edinho Araújo (MDB) sairia eleitor prefeito no primeiro turno no mês seguinte, os buracos no asfalto eram a maior queixa do rio-pretense. A reclamação foi feita por 53,3% dos entrevistados na ocasião.

A mesma pesquisa colocou em segundo lugar, como maior problema, o que na atual pesquisa aparece em primeiro, os serviços de saúde pública. Na época, a reclamação foi feita por 47,8% dos entrevistados. A educação ficou em terceiro lugar, com 16,4% das menções dos entrevistados. É a mesma posição que ocupa na pesquisa deste ano, só que agora com 17,8%.

Preocupação com violência também estava em quarto lugar no apontamento de problemas, com 14,3% de reclamações. Neste ano, embora ocupe a mesma posição, o percentual foi de 12,7%. Do mesmo jeito que a de agora, a pesquisa de 2016 também permitia múltiplas respostas por parte do entrevistado.

Em quinto lugar entre as queixas em 2016, a preocupação era relacionada à falta de emprego, listada em 5,5% das respostas.

Trânsito foi mencionado em 2016 como problema para apenas 3,2% dos entrevistados. Agora passou para 12,1%.

Para o diretor do Instituto PHD, André Pioli, a mudança na queixa sobre asfalto ruim reflete as ações que o município tomou neste setor. "Mesmo assim o problema continua, pois está em segundo lugar", afirmou.

Em 2018, a Prefeitura fez financiamento com o governo federal de R$ 200 milhões. Anunciou que mais da metade do recurso seria investido em recapeamento e pavimentação de ruas e avenidas.