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Sucroenergético

Grupo Moreno em recuperação

Justiça aceita pedido de recuperação judicial feito pelo grupo do setor sucroenergético em função de reflexos da crise; dívidas são da ordem de R$ 1,5 bilhão, a maior parte delas com instituições bancárias


    • São José do Rio Preto
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O juiz Valdemar Bragheto Junqueira, da Comarca de São Simão, aceitou o pedido de recuperação judicial feito pelo grupo Moreno na semana passada. Com dívidas de R$ 1,5 bilhão, o conglomerado solicitou o recurso com o objetivo de negociar com os bancos, os principais credores.

Segundo a advogada Fabiana Solano, do escritório Felsberg Advogados, representantes da empresa, cerca de R$ 1,2 bilhão das dívidas é com os bancos, além de fornecedores e trabalhadores. "O objetivo é que a empresa consiga um respiro e possa conversar com os bancos em bases reais. E que possa continuar suas atividades, sem interromper as operações", afirmou a advogada.

Com 60 anos de história, o grupo é formado por três usinas no Estado de São Paulo: em Luiz Antônio, Monte Aprazível e Planalto, as duas últimas na região de Rio Preto. As três unidades têm capacidade para moer 13 milhões de toneladas e empregam cerca de 3 mil pessoas. O grupo ainda conta com plantação de cana-de-açúcar, produtores rurais e geração e comercialização de energia elétrica.

O pedido de recuperação judicial (RJ) foi necessário, segundo consta no processo, em função da crise pela qual o setor sucroenergético enfrenta nos últimos anos - e que não se restringe ao Grupo Moreno. Dentre os motivos, falta de incentivo ao etanol, controle dos preços da gasolina, maior produção do açúcar no mundo, entre outros. "O setor tem enfrentado uma crise há mais de dez anos, crise que não tem sido passageira e que tem dificultado sustentar a operação", afirmou Fabiana. Outra questão, segundo o processo, é que o grupo, desde 2015, não tem tido acesso a financiamentos bancários a um custo razoável.

A empresa afirma ainda, no pedido, que parte considerável da cana processada é adquirida de terceiros e que os preços estão acima do estabelecido no Conselho dos Produtores de Cana de Açúcar, Açúcar e Etanol do Estado de São Paulo (Consecana). "Fato é que, em meio à crise financeira, o Grupo Moreno não possui recursos financeiros para continuar investindo adequadamente na lavoura, na indústria, na renovação dos maquinários e, ao mesmo tempo, fazer frente ao cumprimento das obrigações assumidas com seus credores financeiros".

De acordo com a decisão judicial que aceitou o pedido de RJ, há suficientes indícios que apontam para a possibilidade de soerguimento (revitalização) da empresa, não se identificando nesta primeira análise irregularidades que viessem a impedir o processamento da recuperação.

Dessa forma, ficam suspensas todas as ações ou execuções contra a empresa recuperanda pelo prazo de 180 dias, estendida a suspensão àquelas movidas pelos credores particulares dos atuais sócios solidários.

Plano

Segundo a advogada, o plano de recuperação já começou a ser desenhado. A Justiça determina um período de 60 dias para que seja apresentado, prazo esse que é acompanhado pelo administrador judicial designado pelo juiz, no caso a empresa Laspro Consultores. "Ainda não há nada determinado, mas pode envolver a alienação de uma das unidades, vai depender das negociações que continuarão a ser conduzidas com os bancos", disse.

Fabiana afirmou ainda que o grupo trabalha para que a RJ tenha o menor impacto possível sobre os trabalhadores. "Temos poucas verbas trabalhistas em atraso e os pagamentos estão acontecendo. Queremos que reflita o mínimo possível na questão social". Para tranquilizar as equipes, afirmou ainda que não há planos de demissões, o que podem ocorrer são situações incidentais.