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Supermercados Laranjão têm portas fechadas em 4 das 5 lojas

Rede de supermercados Laranjão fecha quatro das cinco lojas que ainda funcionavam em Rio Preto: trabalhadores demitidos vão receber saldo do FGTS e seguro-desemprego; restante das verbas vai entrar no plano de recuperação


    • São José do Rio Preto
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A rede de supermercados Laranjão, que entrou com pedido de recuperação judicial no início deste ano, fechou quatro lojas em Rio Preto e uma em Bebedouro. Em Rio Preto, entra quarta (18) e quinta-feiras (19), foram fechadas as lojas da rua Espanha, do bairro Planalto (no shopping Cidade Norte), da avenida Danilo Galeazzi e da avenida Mirassolândia. A única loja que ficou em atividade foi a do jardim Soraya, para onde foram levados o restante dos produtos disponíveis nas lojas fechadas.

Em duas lojas de Rio Preto, pelo menos 150 pessoas foram demitidas. Não foi possível estimar o total de demitidos. Todos terão de aguardar o decorrer do plano de recuperação para receber as verbas rescisórias, exceto o saldo do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e as parcelas do seguro-desemprego. A reportagem apurou que alguns trabalhadores serão remanejados para a unidade do Soraya.

O fechamento das lojas começou no início do ano, logo após o pedido de recuperação, com a unidade da rua São João, em Rio Preto, e nas cidades que de José Bonifácio, de Votuporanga e Bebedouro. Nesta semana, foi fechada a outra loja de Bebedouro e, há cerca de três meses, a unidade de Penápolis encerrou as atividades.

Nesta quinta-feira pela manhã, o clima na loja do bairro Planalto era de tristeza pelo encerramento das atividades. Enquanto assinavam papeis, trabalhadores se despediam dos amigos. Muitos funcionários já esperam esse desfecho, mas outros ainda acreditavam na recuperação da empresa, que começou as atividades em Rio Preto na década de 1980. Naquela unidade, pelo menos 80 funcionários foram demitidos. Outros 70 foram dispensados na loja da rua Espanha. Entre o horário do almoço e início da tarde, as outras duas lojas foram fechadas e as demissões assinadas.

Foi o caso da operadora de caixa Luciana Almeida Nascimento Lesbão, 34 anos, casada e mãe de uma criança de três anos. Ela trabalhava há seis anos no grupo. "É uma situação muito triste porque era uma empresa muito boa. Eu trabalhava perto de casa, a creche da minha filha também ficava perto. E agora, quanta gente desempregada", lamentou, com lágrimas nos olhos, enquanto dava entrevista e se despedia dos colegas de trabalho.

O encarregado da feirinha Carlos Antônio da Silva, 56 anos, trabalhou durante 20 anos no grupo - em duas etapas - também estava bastante triste com as demissões. "Estou desde 1992 na empresa, dói no coração, é muito triste porque o pessoal é muito gente boa", afirmou o trabalhador, que já começou a procurar emprego.

A operadora de caixa Cleice Peixoto vai aproveitar os próximos meses para descansar e mais para a frente procurar um novo emprego. O único alívio com a demissão é não mais precisar responder a clientes se a loja iria ou não fechar. "Estou bem, já estava esperando que isso acontecesse", afirmou. Os funcionários vão receber apenas o saldo do FGTS - que há um ano não era depositado pela empresa - e as parcelas do seguro-desemprego.

Nesta quinta-feira pela manhã também foi possível observar a movimentação de fornecedores da rede de supermercados retirando alguns equipamentos, como uma empresa de sucos de laranja que estava recolhendo os refrigeradores. Ao longo da semana, a reportagem constatou que duas lojas - Mirassolândia e Galeazzi - tinham poucos produtos disponíveis nas gôndolas. Da lista de 119 produtos cotados na pesquisa Economize, apenas 24 e 15 foram encontrados, respectivamente. Até por conta disso, o supermercado deixa de integrar o levantamento semanal do Diário a partir desta sexta-feira, 20.

História

As atividades da rede de supermercados Laranjão começaram em 1969, em Bebedouro, cidade conhecida na época como capital da laranja, daí o nome da rede. Em 1980 foi inaugurada a primeira loja em Rio Preto.

Com 50 anos de história, e antes do fechamento das lojas, o Laranjão possuía 12 lojas instaladas na região: sete em Rio Preto (sendo um centro de distribuição), uma em Penápolis, duas em Bebedouro, uma em José Bonifácio e uma em Votuporanga, com 1,4 mil colaboradores. O grupo também possui quatro drogarias.

(colaborou Nathane Piloto)

A rede Laranjão entrou com pedido de recuperação judicial em janeiro deste ano. O processo corre na 7ª Vara Cível de Rio Preto, sob condução do juiz Luiz Fernando Cardoso Dal Poz. Segundo Marcelo Taddei, administrador judicial da Taddei e Ventura Advogados Associados, o processo segue os trâmites legais. O valor da dívida do grupo com fornecedores e bancos está na casa de R$ 65,8 milhões.

O plano de recuperação já foi apresentado, mas ainda não foi levado à votação em assembleia geral. "Foi publicado um edital contendo a relação dos credores. Dessa publicação, eles tiveram 15 dias para apresentar as divergências, que já foram apresentadas, e agora o perito contador tem 45 dias úteis para fazer a análise e apresentar a segunda relação de credores".

O documento do plano de recuperação ressalta que "se trata de uma alternativa viável para o pagamento sustentável e ordenado de suas obrigações, permitindo a manutenção da fonte produtora, dos empregos, do interesse dos credores e promovendo a preservação do supermercado Laranjão".

Entre os motivos alegados para o pedido constam a crise econômica que afetou o Brasil entre os anos de 2014 e 2017, que refletiu no negócio supermercado. "A alta dos custos e despesas não refletidas nos preços de vendas, associada à queda das vendas dos consumidores, fez com que o Laranjão não conseguisse cumprir os compromissos com credores", afirma o texto do plano produzido pela Dallari Consultoria Associados.

De acordo com o documento, os pagamentos vão começar a partir do momento da homologação do plano, com o pagamento em depósito nas contas bancárias indicadas pelos credores. Os credores da classe um (trabalhadores) vão receber a integralidade dos créditos em até 12 meses a partir da publicação da decisão que homologa a aprovação do plano, independentemente do valor.

As classes de credores 2 e 3 (garantia real e créditos quirografários) vão receber 25% do saldo devedor integral constante no Quadro Geral de Credores no prazo de 15 anos, incluindo carência, de acordo com o que consta no plano. Os credores da classe 4 (microempresa ou empresa de pequeno porte) também vão receber 25% do saldo devedor integral constante no Quadro Geral de Credores, mas no período de cinco anos.

Contatos

A reportagem entrou em contato por telefone e pessoalmente com diretores da empresa, mas eles não retornaram às ligações ou quiseram falar com a repórter. Os advogados no processo de recuperação também foram procurados e não retornaram os contatos feitos pela reportagem.