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Duplicação

Grupo reclama de lentidão em obra da BR

Comerciantes dizem que ritmo lento na construção de viaduto está afetando vendas


    • São José do Rio Preto
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Comerciantes da avenida Danilo Galeazzi protestaram na tarde desta segunda-feira, 23, contra a demora para liberação do trevo que dá acesso direto da avenida para bairros e chácaras da região do distrito de Talhado. O local está interditado para obras de duas pontes do viaduto da duplicação da BR-153. Comerciantes alegam queda de até metade do movimento nos estabelecimentos e prejuízos financeiros. A previsão é de liberação só no ano que vem.

"É devastador [o prejuízo]. Tem freguês que não vem mais", afirmou Aílton César Rezende, 42 anos. Ele é proprietário de um açougue e, segundo ele, clientes que passavam pela Galeazzi em direção ao Distrito Industrial Carlos Arnaldo, aos bairros Lealdade e Amizade, Parque da Liberdade, Talhado e a chácaras deixaram de transitar pelo trecho.

"Muitas pessoas aproveitavam que estavam indo para casa e paravam no açougue para comprar, agora não estão passando mais", disse. Outro reflexo, de acordo com Aílton, foram os desvios das rotas dos ônibus do transporte público. "Muitos fregueses também tomavam ônibus aqui e compravam aqui na avenida. Agora as linhas mudaram e o pessoal está descendo para o terminal", disse.

O relato do comerciante foi confirmado por Márcia Cristina Zana, 49 anos. Ela também tem uma casa de carnes na avenida e relatou prejuízos. "Com a interdição do trevo, o pessoal passou a ir até o São Deocleciano [bairro] e o nosso movimento aqui despencou."

O torneiro mecânico Gerson Ribeiro também protestou. "A nossa visão é que estão segurando essas obras para as eleições [municipais em 2020]", criticou. "Lá perto do Iguatemi está tudo pronto [duplicação da BR], por que aqui está tão demorado?", questionou Jorge Carlos dos Santos, 42, também comerciante da avenida.

Protesto

Sobre o protesto, a Prefeitura informou que a responsabilidade é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Já o departamento informou que a previsão de liberação parcial da travessia da Galeazzi para a região de Talhado é de janeiro do ano que vem, "já será possível liberar a passagem inferior para o tráfego, possibilitando assim uma conexão direta e segura", informa a nota.

Sobre os prejuízos, o Dnit afirmou que são transtornos temporários, "imprescindíveis à conclusão do empreendimento, destacando que os benefícios futuros com a remodelação do acesso serão permanentes", finaliza o comunicado.

Risco de paralisação

As obras de duplicação dos 17,8 quilômetros do trecho urbano da BR-153 está em risco de paralisação. Na edição do dia 19, o Diário mostrou a redução no andamento das obras por conta de uma reprogramação de verba. O Dnit reconhece risco de paralisação "precoce" por falta de repasse de verba federal [restam R$ 5 milhões em caixa], mas nega ritmo lento.

A duplicação do trecho começou em 2016. O valor atualizado do contrato é de R$ 244.181.333,73 e, segundo relatório de empresa que supervisiona a obra, a duplicação necessita de mais R$ 76 milhões para finalizar os 31% restantes.