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Paz no Trânsito

Acidentes deixam sequelas para vida toda

Além das mortes, a violência no trânsito deixa marcas físicas nas vítimas


    • São José do Rio Preto
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O caminho de volta para o trabalho parecia normal para Thiago Roberto Mariano Gregório, mas um mal-estar no trajeto fez com que o motociclista desmaiasse, perdesse o controle da direção de sua moto e só parasse quando caiu na calçada às margens da avenida Miguel Damha, em Rio Preto. "Só lembro que estava num cliente, e no caminho de volta para a loja me acidentei."

Thiago não se lembra bem do que aconteceu no dia 22 de outubro de 2018. Apenas sabe que se tornou mais uma vítima de acidente de trânsito. O que de fato aconteceu, ele só descobriu após ter acesso a imagens de uma câmera de segurança de um condomínio de luxo próximo ao local do acidente. O gerente comercial de 34 anos ficou 15 dias em coma induzido, e outros 30 dias internado. Teve afundamento de crânio e precisou se afastar do trabalho por conta da recuperação. "Faz seis meses que faço fisioterapia, fonoaudiologia, aulas de controle físico e passo pela psicóloga", contou Thiago, que se tornou mais um paciente do Instituto de Reabilitação Lucy Montoro de Rio Preto.

Na unidade rio-pretense, no ano passado, 67% das vítimas sofreram acidente de carro, enquanto 32% de moto e 1% era vítima de atropelamento. Ainda de acordo com a entidade, a maior parte dos pacientes são homens. No total, 54% sofreram lesões encefálicas, 33% amputações e 13% lesão medular - paraplegia ou tetraplegia.

Segundo o diretor da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet), Dirceu Rodrigues, para cada morte no trânsito outras três pessoas ficam sequeladas. "Por exemplo, se temos 40 mil óbitos, vamos ter em torno de três vezes disso de sequelados. Seria então 120 mil. E são sequelados incapacitados temporariamente e outros incapacitados definitivamente", afirma Rodrigues. Os acidentes também deixam sequelas financeiras, principalmente quando a vítima é responsável pela renda da casa.

Para o fisiatra Pedro Melhado Tovo, é complicado para a vítima aceitar a própria condição após um acidente. "Não é uma coisa que vai assimilando. Acontece de uma vez. De um dia para o outro, a pessoa pode estar sem um membro. Processar esse novo contexto é muito difícil no começo", destacou. A fisioterapeuta Ana Paula Mafei completa: "A gente não pensa no nosso dia a dia como é difícil ter uma cadeira de rodas dentro de casa, às vezes a porta não é adaptada. Tudo isso muda quando a vítima tem sequelas depois do acidente."

Suscetíveis a acidentes

Motociclistas, pedestres e ciclistas representam 82% das mortes no trânsito de Rio Preto neste ano. Segundo dados do Infosiga, das 47 mortes no trânsito da cidade entre janeiro e agosto, 22 vítimas eram motociclistas, 14 pedestres e duas ciclistas. Outras sete pessoas estavam de carro no momento do acidente, enquanto outras duas mortes aconteceram em outro tipo de transporte.

Além da dor para familiares, os acidentes também refletem diretamente na economia do país. Apenas no primeiro semestre deste ano, foram 18.670 indenizações pagas pelo seguro obrigatório em todo o Estado de São Paulo a vítimas de acidentes de trânsito. "Um terço dos nossos óbitos no trânsito é decorrente dos nossos motociclistas que arriscam a vida por abusar de negligência", apontou o diretor da Abramet.

O Seguro de Danos Pessoais Causados por Veículos Automotores de Via Terrestre, popularmente conhecido como seguro DPVAT, é destinado a qualquer cidadão acidentado em território nacional, seja motorista, passageiro ou pedestre, e oferece três tipos de coberturas: morte (valor de R$ 13.500), invalidez permanente (de R$ 135 a R$ 13.500) e reembolso de despesas médicas e suplementares (até R$ 2.700). A proteção é assegurada por um período de até três anos.

 

Mortes em Rio Preto De janeiro a agosto

  • 47 pessoas morreram
  • 22 estavam de moto
  • 14 eram pedestres
  • 7 estavam de carro
  • 2 eram ciclistas
  • 2 estavam em outro veículo

Seguro

  • O Seguro DPVAT é destinado a qualquer cidadão acidentado em território nacional, e oferece três tipos de coberturas: morte (valor de R$ 13.500), invalidez permanente (de R$ 135 a R$ 13.500) e reembolso de despesas médicas e suplementares (até R$ 2.700). A proteção é assegurada por um período de até três anos

Fonte: Infosiga-SP e DPVAT

Das 47 mortes no trânsito de Rio Preto entre janeiro e agosto deste ano, 17 aconteceram com jovens na faixa etária entre 18 e 34 anos. E foi com o objetivo de alcançar esses novos condutores que profissionais do Instituto Lucy Montoro visitaram a escola estadual José Felício Miziara. Na ação, os estudantes puderam andar de cadeira de rodas, de muletas e ainda assistiram a uma palestra sobre as sequelas deixadas pelos acidentes.

"Só vivenciando para saber mesmo. Eu já tive familiares que sofreram acidente de trânsito, um motorista de carro embriagado bateu de frente contra o caminhão do meu tio", contou Yasmim Christal das Neves, 15 anos.

Davi Lucas, 17, sentiu na pele a experiência de andar de cadeira de rodas. "Acho importante essa experiência. Porque somos os motoristas que estão por vir. E tanto carro como moto podem ser 'armas'", opinou.

Para professora de português Nilza Rosely Cassiolato de Lima, a atividade de conscientização é uma importante ferramenta para redução do número de acidentes. "Em mais de 25 anos que dou aula, já perdi muitos alunos por acidentes. É importante mostrar para eles o impacto", disse. (RC)