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Paz no Trânsito

O inimigo número um dos apressados

Rio Preto tem 38 equipamentos, sendo 34 fixos e quatro estáticos


    • São José do Rio Preto
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São 38 radares - 34 fixos e quatro estáticos - para vigiar cerca de 400 mil veículos da frota rio-pretense, além dos milhares de carros que vêm de outras cidades todos os dias. E eles trabalham bastante: só neste ano, de janeiro a julho, foram 59.928 multas aplicadas por flagras dos equipamentos. Números que representam dor de cabeça para quem já foi multado e geram dúvidas em condutores: afinal, radar ajuda a melhorar o trânsito? Quais os critérios para implantá-los?

Segundo o coordenador de tráfego da Secretária de Trânsito, Willians Caires, para a instalação de um radar fixo é necessário um estudo sobre o número de acidentes no local, de tipo de acidente e até do horário das ocorrências, ou seja, características que comprovam a importância do equipamento na localidade. "Eu posso fazer o estudo técnico e chegar à conclusão que não precisa de um radar, mas precisamos de uma lombada", disse."

Segundo o professor do Departamento de Transportes da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Jorge Tiago Bastos, não há um número limite de acidentes que indique a necessidade da instalação de radares. "De modo geral, os motivos para colocar radar são atropelamentos e a existência de alguma situação de risco, por exemplo, uma travessia de risco, uma curva com visibilidade reduzida, entre outros."

O radar campeão de autuações em Rio Preto é o da avenida da Saudade, onde apenas nos sete primeiros meses deste ano 8.813 motoristas foram autuados por excesso de velocidade. Na via, que já tem o equipamento há dois anos, os condutores insistem em ultrapassar a velocidade máxima permitida: 40 km/h.

Como a velocidade é baixa, muitos infratores atribuem a existência dos radares à chamada "indústria da multa". Segundo Bastos, é preciso diferenciar "indústria da multa" de fiscalização ostensiva. "A fiscalização ostensiva é aquela mais frequente, que tem como objetivo despertar na população a sensação de ser fiscalizado, sensação de que se cometer alguma infração vai ser punido por isso".

Já "indústria da multa" seria colocar o condutor em uma espécie de armadilha. "Por exemplo, você estar num trecho que é de 80 km/h e ter que reduzir para 40 km/h, com uma placa numa posição em que não há distância suficiente para reduzir", explicou o professor da UFPR.

Em Rio Preto, o Ministério Público deu até janeiro para a Prefeitura corrigir irregularidades no sistema de radares de trânsito, identificadas pelo Centro de Apoio Operacional à Execução (Caex), do MP.

À época da determinação, a Secretaria de Trânsito afirmou que o sistema de radares segue a lei. Para Caires, o termo indústria da multa existe apenas para os infratores. "É só ele parar de cometer a infração. O equipamento só vai fazer a autuação para quem passa acima da velocidade permitida da via", afirmou.

 

Com o objetivo de conscientizar os condutores, um trio de palhaços está realizando blitze educativas em cruzamentos de importantes avenidas de Rio Preto. A ação educativa faz parte da programação da Prefeitura durante a Semana Nacional de Trânsito.

Nesta quinta, 19, a orientação aconteceu na avenida Brigadeiro Faria Lima, em frente ao Hospital de Base. Na quarta, 18, foi a vez do cruzamento da rua Jorge Tibiriçá com a avenida Alberto Andaló.

Além de sorrisos e bom humor, os palhaços distribuíram material educativo sobre condutas defensivas no trânsito e um depósito de lixo para o carro. Apesar do clima de descontração, os palhaços "puxaram a orelha" de motoristas sem cinto de segurança, com celular e motociclistas com a viseira do capacete levantada. (RC)

Veja os três tipos de radares em Rio Preto e região

  • Fixo: medidores de velocidade com registro de imagens instalados em local definido e com caráter permanente, ou seja, registra imagens durante 24 horas. Precisam de um estudo prévio para justificar o investimento antes de serem colocados no local.
  • Estáticos: equipamento fica em veículo parado ou sobre um tripé. Popularmente, eles são chamados de móveis. São colocados em pontos onde os técnicos verificam maior número de acidentes
  • Portáteis: é aquele equipamento que o agente direciona para o veículo e já registra a velocidade, não necessariamente gera imagem. São usados por policiais rodoviários em pontos em que se percebe abuso da velocidade

Fonte: Reportagem