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Impasse na Adoção

'Arrancaram meu coração', diz mãe


    • São José do Rio Preto
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"O encontro da nossa filha foi o melhor dia das nossas vidas. Nós fizemos tudo dentro da lei, não estávamos foragidos". A frase é de Evandria Regina Ramos Inácio de Oliveira, empresária de 46 anos, que, junto com o marido, o também empresário Jesuel Inácio de Oliveira, 56, está disputando na Justiça a guarda da pequena Valentina, de 1 ano.

A menina foi encontrada em uma lixeira na cidade de Itinga, no Maranhão, logo após nascer, e foi encaminhada a uma família acolhedora, a do médico que a atendeu no hospital. O casal rio-pretense, que estava na fila do Cadastro Nacional de Adoção (CNA) há quatro anos, entrou na Justiça do Maranhão com um pedido pela guarda da criança. Algumas semanas depois, a família acolhedora realizou o mesmo pedido, mas a menina foi encaminhada em julho para Rio Preto após decisão judicial. Outra decisão, no entanto, determinou que Valentina voltasse para os maranhenses Francisco Alves de Holanda, médico de 65 anos, e a esposa Francilene Leitão da Cruz, administradora de 41.

Essa decisão judicial foi emitida enquanto Evandria e Jesuel, que fizeram uma certidão de nascimento temporária para a menina antes de trazê-la de Itinga, estavam viajando com Valentina para apresentar a bebê à família. Segundo a empresária, foi uma surpresa quando, em São José dos Campos, foram abordados por policiais armados que, na delegacia, informaram que eles teriam de entregar a pequena - ela diz que não havia sido comunicada da decisão judicial.

A família rio-pretense recorreu da decisão, mas ainda aguarda por um parecer do Judiciário, e acredita que ela contraria as leis de adoção - de acordo com o Estatuto da Criança e Adolescente (ECA), a adoção deverá ser concedida a pessoa não cadastrada no CNA em três casos: quando o pedido for unilateral (madrasta em favor de enteado, por exemplo); quando for realizado por parente com o qual a criança tenha vínculo de afetividade ou em caso de guarda legal de criança maior de 3 anos, desde que o período de tempo de convivência comprove a criação de laços - nenhuma dessas condições se encaixa no caso em questão.

Nesta sexta-feira, Evandria e Jesuel divulgaram um vídeo falando sobre o caso e pediram para que as pessoas compartilhem as imagens. "Quantas pessoas que estão assistindo a esse vídeo agora e estão há anos na fila como nós estamos? Os nossos filhos não chegam porque tem a 'adoção à brasileira', o jeitinho de burlar", diz a mulher.

Em entrevista ao Diário, ela conta que o sentimento é de desespero. "Quando eu tive que entregar minha filha na mão de um conselheiro, parece que abriram minha boca e arrancaram meu coração", lamenta a empresária.

Ela conta que sua mãe, Creusa, de 72 anos, também está muito triste, já que Valentina é sua única neta - desde quando a filha entrou na fila pela adoção a idosa comprou um berço e uma cômoda, com medo de que não vivesse o suficiente para conhecer a criança e com o objetivo de deixar uma recordação. A família rejeita qualquer possibilidade de abrir mão do processo.