Diário da Região

06/09/2019 - 00h30min

MAIS AMOR, POR FAVOR

Contagem regressiva para a escola que abraça

Escola de educação infantil de Rio Preto celebra a aprovação de projeto que torna mais próxima a implantação do Movimento Abraçar, que educa com base em valores humanos como amor e solidariedade

Johnny Torres Parte dos 425 alunos da escola municipal Daisy Rollemberg Trefiglio
Parte dos 425 alunos da escola municipal Daisy Rollemberg Trefiglio

"Sei que ainda sou criança / Tenho muito que aprender / Mas quero ser criança quando eu crescer / Nosso mundo é um brinquedo / Com pecinhas para unir / Ele será todo seu, se você pensar assim". A primeira estrofe da música Vamos Construir, gravada em 1992 por Sandy e Junior e Chitãozinho e Xororó, retrata bem o que deve ser a infância: um período de aprendizagem e criação de laços - valores que idealmente permanecerão por toda a vida adulta.

Nesta semana, Rio Preto deu mais um passo para levar a formação humanista aos pequenos das creches da rede municipal, com a aprovação na Câmara da lei que possibilita firmar parcerias com essa finalidade. O plano é que ainda neste ano os professores da escola Daisy Rollemberg Trefiglio, no Parque da Cidadania, a primeira a receber as mudanças, sejam capacitados para trabalhar com seus alunos a pedagogia do Movimento Abraçar.

Em Rio Preto, esse projeto, apoiado pelo Diário, ganhou o nome de Escola do Bem. "O projeto deverá ser sancionado até o início da próxima semana para ser definitivamente colocado em prática na sua totalidade", diz o prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo.

A unidade do Parque da Cidadania tem 425 alunos e 24 professores e foi selecionada porque está localizada em um bairro socialmente vulnerável e já desenvolve atividades voltadas à formação humana. Desde que foi anunciado que a escola receberia o Abraçar, várias mudanças já ocorreram, como a reforma de áreas de brincadeiras, banheiros e da Biblioteca. A Daisy conta com uma horta, árvores frutíferas e um galinheiro.

O Abraçar foi desenvolvido pelo professor Carlos Sebastião Andriani. Desde o início das conversações com a Prefeitura de Rio Preto, ele ressalta que seria necessário haver uma lei, de modo que o Escola do Bem não ficasse à mercê de vontades políticas. O ponto inicial do Abraçar foi a Creche Monte Cristo, em Campinas, mas a ideia já chegou a cidades da região de Rio Preto e até aos estados de Pernambuco e Ceará. Andriani acredita que os cinco valores fundamentais do ser humano são amor, paz, verdade, ação correta e não violência.

Ele defende que as crianças devem absorver esses conceitos até os sete anos, pois nesta fase da infância as conexões cerebrais estão a todo vapor. "Nessa fase infantil, nós falamos que a criança escreve com letras de fogo sua vida em função de ser uma via mais emocional que racional", diz o professor. "A gente sabe que os valores com o tempo vão dirigir a vida da criança e do adulto".

Para suscitar esse aprendizado, os docentes usam música, literatura, teatro, brincadeiras e meditação, dentre outras oficinas. Para realização das oficinas, o projeto pedagógico não precisa ser alterado. A implantação do projeto não terá nenhum custo ao poder público. "Além de abraçar a escola, a comunidade, os alunos, é um movimento mais amplo", considera a diretora da escola Daisy, Lidiane Carreta.

A professora Cristiane Santa Rosa, há oito anos na unidade, acredita que o projeto vai somar ao que já é realizado. "Vai ajudar bastante para que a gente se aperfeiçoe. A gente já faz um trabalho de mediação com as crianças, aqui eu faço muito relaxamento, tento trazer algo para eles para que possam se acalmar, ficar mais centrados na respiração", relata.

A professora Alessandra Abdala Frange, conhecida pelas colegas como Chuchu devido à sua bondade, afirma que o amor e a solidariedade são a base da educação. Docente da Daisy há 13 anos, ela conta que no início a escola encontrava dificuldades na comunidade, pois algumas famílias eram desestruturadas e isso refletia na sala de aula e nos corredores.

"A gente percebeu que com amor e ações a gente vai mudando. É um trabalho longo, não foi da noite para o dia", lembra. Os pais também perceberam que a escola era amiga - se antes o foco era ter um lugar para deixar os filhos, hoje pesquisas junto aos responsáveis revelam que eles têm consciência que a educação pode mudar o futuro de seus filhos. "Vai baixando a guarda, que é o que a gente mais precisa. Os pais viram nossos parceiros, a escola sozinha não vira, para uma boa educação é 50% para ela e 50% para a família", diz Alessandra.

Questionados sobre o que mais gostam da escola, os alunos Matheus, Camile e Luana enumeram: o aprendizado, as "tias", a comida, as galinhas de que cuidam e as brincadeiras.

Sueli Costa, secretária de Educação, acredita que as parcerias proporcionam meios de complementar o trabalho desenvolvido pela pasta na formação das crianças e jovens. "Tendo sempre em vista a legitimação do nosso planejamento pedagógico a longo prazo, com a análise criteriosa de cada proposta de parceria a fim de honrar nosso compromisso fundamental com a qualidade do que é ofertado aos nossos alunos", afirma. Segundo Sueli, assim que for concluída a tramitação da lei, uma equipe técnica da Secretaria dará início à organização do processo de formação dos professores.

Mauro De Stefani, apoiador do Abraçar na região, diz que após a sanção do prefeito o próximo passo é firmar o convênio entre Prefeitura e a Associação Douglas Andreani (ADA), desenvolvedora do projeto. A capacitação dos multiplicadores, que repassarão as oficinas para os professores da Daisy, deve ser realizada ainda neste ano, bem como a implantação da Escola do Bem. "As oficinas são muito simples. Vamos chegar a uma conclusão a quantas escolas serão e selecioná-las de acordo com o perfil do diretor e da região, de acordo com a vontade da Secretaria. Acreditamos que o ideal seja de duas a cinco escolas. Não é nada imposto, o objetivo é que funcione."

(Colaborou Marcelo Schaffauser)

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