Polícia Civil prende falso médico na Santa CasaÍcone de fechar Fechar

FERNANDÓPOLIS

Polícia Civil prende falso médico na Santa Casa

Homem usava nome e CRM de um médico, alterando apenas a foto de identificação


    • São José do Rio Preto
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A Polícia Civil de Fernandópolis prendeu no início da noite desta sexta-feira, 27, um homem suspeito de atuar como falso médico. Ele foi detido no momento em que iniciava o plantão na Santa Casa da cidade.

O suspeito, de 44 anos, cujo nome não foi divulgado, já era investigado pela diretoria da entidade depois de fazer um plantão no local, há 15 dias, e funcionários estranharem a sua conduta. Foi descoberto que ele não é médico e, sim, um ex-estudante de enfermagem. A própria diretoria avisou a polícia, que o deteve na porta da Santa Casa e o conduziu ao plantão policial. Ele responderá por crime de tentativa de estelionato e falsidade ideológica e ficará provisoriamente detido no presídio de Paulo de Faria.

Segundo a polícia, ele teria usado documentos de um outro médico, substituindo apenas a foto para conseguir o emprego de plantonista. O suspeito tem várias passagens pela polícia por outros crimes e era procurado pela Justiça - possui mandado de prisão em aberto na cidade de Campo Grande por estelionato.

Em outubro de 2017, ele havia sido preso em Corumbá (MT), dentro de um ônibus na fronteira com a Bolívia. Com ele, foram encontrados diversos documentos falsos, incluindo um diploma do curso de medicina. Na ocasião, os agentes encontraram carteiras de identidade, carteira da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), carteira de CRM (Conselho Regional de Medicina), um diploma de curso de medicina de São Paulo, tudo falsificado. Ele também carregava uma tesoura, estetoscópio, carimbos personalizados, um simulacro de arma de fogo e R$ 3,7 mil em notas falsas.

Veja a nota da Santa Casa de Fernandópolis:

"NOTA OFICIAL

Falso médico é preso após denúncia da Santa Casa de Fernandópolis

A administração da Santa Casa de Fernandópolis vem, por meio desta, informar que seu provedor, Fernando Cordeiro Zanqui, com o apoio dos colaboradores da instituição, denunciou à autoridade policial a ocorrência de exercício ilegal da medicina, falsidade documental e ideológica de falso médico, que atuou em suas instalações.

Após diligências orientadas pelo Setor de Registro Profissional, do Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo, foi notificada a Delegacia Seccional de Polícia Civil de Fernandópolis, por meio do delegado Dr. Rafael Prado Buosi, que prontamente atendeu à denúncia da Santa Casa e no início da noite da última sexta-feira, dia 27 realizou a prisão em flagrante do falso médico.

Foi constatado que o falso médico também passou por outras instituições de saúde, atuando do mesmo modo e sem levantar suspeitas. I.S.M. utilizava os dados pessoais e documentações falsificadas, fazendo-se passar por outro profissional devidamente habilitado e com registro ativo no Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo.

Ressaltamos que a Santa Casa de Fernandópolis também se sente lesada pelos crimes praticados contra a instituição e avaliará as medidas judiciais cabíveis, além de estar colaborando com as autoridades responsáveis para os devidos esclarecimentos."

Pela região

É o terceiro caso de falso médico na região desde 2017. Em Rio Preto, Guilherme Siqueira Borges, 24 anos, foi descoberto em novembro de 2017 atuando como psiquiatra. Ele foi indiciado também por armazenar imagens com pornografia infantil.

Também em 2017, Kelly Regiane Queiroz foi presa em Ibirá, após ser descoberto que ela usava o número de registro do CRM furtado de uma dermatologista de São Paulo. A suspeita chegou a trabalhar no plantão na Santa Casa e a orientar alunos de uma universidade. Kelly foi solta por meio de recurso judicial, mas foi presa novamente em maio de 2019, flagrada em um posto de saúde de Reginópolis.

Em junho deste ano, após uma denúncia da Santa Casa de Nova Granada, a Polícia Civil passou a investigar um homem de 30 anos que teria se passado por médico durante um plantão no hospital.

(Colaborou Marcelo Schaffauser)