Grupo Diário da Região   | quarta-feira, 25 de setembro
IMG-LOGO
Home Tecnologia
Tecnologia

O mundo todo na sala de aula

Realidade virtual vira ferramenta a serviço da educação ao proporcionar a estudantes a chance de conhecer diferentes países, relevos, vegetações, rios e mares sem sair da escola

Gabriel Vital - 15/09/2019 00:00

Estudantes estão aprendendo inglês em situações reais do cotidiano no exterior. Outros estudam o relevo e a vegetação brasileira passeado por lugares como a floresta Amazônica. Tudo isso sem entrar em um avião, mantendo os pés firmes na sala de aula. Graças à tecnologia de realidade virtual (VR, na sigla em inglês), hoje é possível ter a experiência de estar em lugares que antes eram vistos somente por fotos, além de vivenciar situações que outrora eram simuladas em sala de aula.

No ensino de inglês, a realidade virtual proporciona ao aluno um "mini-intercâmbio" a cada aula, como explica Reginaldo Torres, franqueado da BeeTools. "O aluno coloca seu VR, faz a imersão no óculos e esquece que está numa sala de aula, porque ali há uma série em 360º em que ele está vivendo nos Estados Unidos", explica. Segundo ele, o estudante é protagonista de uma série interativa e suas decisões interferem no rumo dos acontecimentos. "Em um mês ele esquece que veio para uma sala de aula, porque o conteúdo envolve tanto e o aluno quer entender o desenrolar daquela série."

Inaugurada há dois meses em um shopping da cidade, a escola é considerada 100% digital. Isso porque desde a adesão ao plano até o agendamento das aulas e as homeworks (tarefas) são feitas por meio de um aplicativo de celular. Nas aulas presenciais, o tempo é dividido entre atividades em tablets, óculos de realidade virtual e um momento do aluno com o professor para resolução de dúvidas.

Mas é no óculos VR que a mágica realmente acontece. É nesse momento que o aluno coloca em prática tudo o que aprendeu, em uma experiência imersiva na plataforma. Para Reginaldo, o fato de o aluno vivenciar aquilo, e não apenas estudar em um livro, contribui para que realmente aprenda a língua. "Você consegue esquecer de uma viagem que você fez para fora?", questiona Reginaldo e garante que, com a experiência virtual é a mesma coisa: o aluno não esquece.

Em outra escola de inglês de Rio Preto, as atividades com o óculos VR também complementam as atividades desenvolvidas durante o curso. "Uma vez imerso naquele conteúdo, ele consegue desenvolver muito mais aquilo que aprende", diz Carlos Eduardo Alamino, franqueado da Uptime.

Carlos explica ainda que os elementos virtuais permitem que o aluno coloque em prática o que foi aprendido, exercitando a conversação em situações reais. "Nosso aluno se vê, por meio da realidade virtual, passando por uma imigração em um voo internacional. Ali ele vai conversar com um oficial de imigração, apresentar seus documentos, etc. Em outra aula, estará perdido em uma cidade, dentro de um carro e direcionando o motorista a virar para a direita ou esquerda", exemplifica.

Situação semelhante vivenciam os estudantes de uma escola particular de Rio Preto nas aulas de Geografia. Sob o comando da professora Aline Gomes da Silva, os alunos do ensino médio do colégio Anglo exploram, virtualmente, a vegetação da floresta amazônica, as bacias hidrográficas e até tribos indígenas.

A escola tem uma parceria com o Google for Education, que, entre outros conteúdos, proporciona uma série de experiências com VR usando o Cardboard, um óculos feito de papelão, em que o celular do próprio aluno é acoplado para projetar as imagens em 360º. "Eu poderia usar, por exemplo, um PowerPoint com a imagem do lugar e conseguiria ter algum efeito, mas quando o aluno está imerso ele consegue participar mais, fica mais interessado naquilo", afirma a professora, que compara o uso das novas tecnologias com o ensino tradicional. "O aluno agora tem um papel ativo, ele precisa fazer alguma coisa. Não sou apenas eu, como professora, transmitindo o conteúdo."

Realidade aumentada

Outra tecnologia aliada da educação é a realidade aumentada (AR, na sigla em inglês), que possibilita a visualização de objetos por meio da câmera do celular. É o mesmo princípio utilizado em games como o Pokémon Go!, que fez sucesso em 2016. "A realidade aumentada é a possibilidade de interagir com elementos visuais no ambiente real", explica Carlos Eduardo.

Na escola dele, a realidade aumentada é mais um dos recursos utilizados para aprender inglês. "Uma das atividades é uma visita ao zoológico, em que o aluno interage com alguns animais. Por meio de AR ele pode, por exemplo, pedir um lanche em uma lanchonete dentro do zoo", explica.

Para além do estudo de línguas, a tecnologia é usada para aprender até anatomia, como no aplicativo Complete Anatomy, disponível na App Store. O programa permite explorar as diferentes estruturas do corpo humano por meio de imagens em três dimensões, que surgem na tela ao apontar a câmera para locais específicos. Assim, o estudante pode interagir com o aplicativo e examinar os tecidos do corpo, os órgãos e outras estruturas.

Outros apps disponíveis para iPhones e iPads cumprem papéis parecidos: o WWF Free Rivers usa a tecnologia para projetar rios interativos, em que o usuário define seu curso e observa como as ações humanas impactam a vida de animais, plantas e pessoas. Já o Froggipedia coloca na mesa dos estudantes um sapo bastante realista para que se observe seus órgãos e tecidos.

Editorias:
Tecnologia
Compartilhe: