Diário da Região

20/08/2019 - 00h30min

REUMATOLOGIA

Atividade física ajuda a aliviar dores da fibromialgia

A fibromialgia ainda representa muitos mistérios para a Medicina, mas há inúmeras estratégias para aliviar os quadros de dor provocados por essa síndrome

Freepik/Banco de imagens As dores da fibromialgia não são localizadas, são difusas, espalhadas pelo corpo, como explica as especialistas
As dores da fibromialgia não são localizadas, são difusas, espalhadas pelo corpo, como explica as especialistas

A fibromialgia é uma síndrome que atinge 2,5 milhões de pessoas no mundo, de acordo com a Sociedade Brasileira de Reumatologia, e ainda representa alguns mistérios para a Medicina. Engana-se quem acredita que a fibromialgia é uma depressão ou que o paciente diagnosticado terá que viver com limitações.

Sobre esse assunto, o programa "Bem-Estar ao Vivo" debateu, no último dia 9 de agosto, com as reumatologistas Angélica de Carvalho e Mariana Alves Ferreira, de Rio Preto.

As especialistas explicaram que a síndrome tem como ponto central a dor. A fibromialgia está ligada a uma alteração do sistema nervoso central na interpretação de um quadro da dor. Então, o paciente tem mais dificuldade para o relaxamento e adquire uma hipersensibilidade dolorosa, ou seja, vai responder de uma forma exagerada a qualquer estímulo doloroso.

De acordo com a reumatologista Angélica de Carvalho, a fibromialgia é uma síndrome dolorosa e o ponto principal é a pessoa ter o que os especialistas chamam de "dores difusas no corpo", que são pontos de dor em várias partes do corpo. Essa é uma dor diferente daquelas pessoas que estão com um problema na cervical, que dói só no pescoço. "Então, a pessoa vai começar a sentir dor, não necessariamente no corpo inteiro. Às vezes vai sentir no braço, numa perna ou no pescoço. É uma dor difusa, em várias partes do corpo e, nas crises, a pessoa tem dor do fio do cabelo a ponta pé. Fica toda dolorida", afirma.

A também reumatologista Mariana Alves Ferreira comenta que as pessoas devem prestar atenção em alguns detalhes para perceber se é uma dor de fibromialgia. Como a dor é um dos principais sintomas, os pacientes devem ficar atentos se essas dores são constantes e se duram há meses, por exemplo. Se esse for o caso, a pessoa deve procurar por um reumatologista e passar pelos exames clínicos. "O importante é a gente sempre lembrar que, para fazer o diagnóstico, temos que excluir outras causas de dor. Então, a gente vê se o paciente tem a clínica de dor e faz a exclusão de outras doenças reumatológicas. E até outras doenças, como mieloma múltiplo, que dá um quadro doloroso", explica.

Mesmo com a intensidade da dor que o paciente está sentindo, muitas vezes a síndrome é tratada como uma dorzinha pela maioria, e, assim, ela se torna mais banalizada. Angélica explica que ela não é inflamatória, então a pessoa não terá nenhuma articulação inchada, não altera cor, que são alguns sintomas comuns em outras doenças. Por essa razão, em alguns casos o preconceito surge. "Como a fibromialgia não tem alteração, você olha para o paciente e ele não está inchado, não está torto. Então, às vezes, as pessoas do trabalho ou da própria família chamam ela de 'Maria das dores'. Ninguém enxerga a dor do outro, só a pessoa que está com dor que sabe."

Outro dado da Sociedade Brasileira de Reumatologia chama a atenção: de cada 10 pacientes com fibromialgia, sete a nove são mulheres. Segundo Mariana, especialistas ainda não sabem explicar o porquê. "Pode ser hormonal, porque as dores podem piorar no período pré-menstrual. E a mulher trabalha em casa, no trabalho, tudo isso faz ela ter mais chances da síndrome", ressalta.

Tratamento

O principal fator que vai ajudar o paciente a conseguir melhorar a dor da fibromialgia é a atividade física. O paciente precisa entender e prestar muita atenção no dia a dia.

De acordo com Mariana, quando ele fala "nossa, hoje estou me sentindo muito bem", a pessoa deve se perguntar o que fez e incluir isso na sua rotina. "Atividade física, autoconhecimento, suporte psicológico, acupuntura, tudo isso ajuda a dor e, claro, uso de medicação. Mas só a medicação não melhora", finaliza.

Fibromialgia não é depressão

Reprodução Reumatologistas Angélica de Carvalho e Mariana Alves Ferreira durante programa Bem-Estar ao Vivo
Reumatologistas Angélica de Carvalho e Mariana Alves Ferreira durante programa Bem-Estar ao Vivo

De acordo com as reumatologistas Angélica de Carvalho e Mariana Alves Ferreira, a fibromialgia não é depressão. A síndrome anda de mãos dadas com essa doença. "Se a pessoa tem muita ansiedade, sente muita tristeza, choro fácil, estresse, pode levar a crise da fibromialgia. Falta de exercício físico também pode piorar o quadro de dor. Mas cada paciente tem um grau de dor", afirma.

A forma de tratamento da dor da fibromialgia é diferente de um trauma agudo. Paciente não terá melhora com anti-inflamatório e analgésico. É importante ressaltar que esse é um tratamento lento e a medicação demora uns 15 a 20 dias para fazer efeito.

Angélica ressalta ainda que a fibromialgia não tem demonstrado um gene ligado à família. Ou seja, não significa que se algum familiar tem a síndrome, outros terão. "A parte genética, de alguém na família ter, pode ser 50%, e os outros 50% podem ser o ambiente, como distúrbio do sono, trabalho. Então, não é uma doença genética, mas quem tem na família tem risco de ter", diz.


Confira a entrevista na íntegra no diariodaregiao.com.br.

Aviso: Os comentários são de responsabilidade de seus autores e não representam a opinião do Diário da Região. É vetada a inserção de comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes ou violem direitos de terceiros. O Diário da Região poderá retirar, sem prévia notificação, comentários postados que não respeitem os critérios impostos neste aviso ou que estejam fora do tema proposto.

Di´rio Im&ocute;veis

Di´rio Motors

Diário da Região

Esperamos que você tenha aproveitado as matérias gratuitas!
Você atingiu o limite de reportagens neste mês.

Continue muito bem informado, seja nosso assinante e tenha acesso ilimitado a todo conteúdo produzido pelo Diário da Região

Assinatura Digital por apenas R$ 1,00*

Nos três primeiros meses. Após o período R$ 16,90
Diário da Região
Continue lendo nosso conteúdo gratuitamente Preencha os campos abaixo para
ganhar + 3 matérias!
Tenha acesso ilimitado para todos os produtos do Diário da Região
Diário da Região Digital
por apenas R$ 1,00*
*Nos três primeiros meses. Após o período R$ 16,90

Já é Assinante?

LOGAR
Faça Seu Login
Informe o e-mail e senha para acessar o Diário da Região.
Esqueci minha senha
Informe o e-mail utilizado por você para acessar o Diário da Região.