Diário da Região

18/08/2019 - 00h00min

ESTILO

Tatuagem ainda gera debates no mercado de trabalho

Tatuagens, piercings e cabelos coloridos não devem ser um impedimento para conseguir um trabalho, mas algumas empresas tradicionais ainda tem regras rígidas quanto a aparência. Em alguns casos, o estilo descolado pode ser até uma vantagem para conquistar uma vaga

Mara Sousa 15/6/2019 Ygor diz que já sofreu desaprovações quando procurava trabalho
Ygor diz que já sofreu desaprovações quando procurava trabalho

A cor do cabelo, os piercings e as tatuagens estão entre os detalhes visuais que podem parecer incompatíveis com determinadas funções em algumas empresas, principalmente aquelas que têm uma cultura tradicional. Para quem está desempregado e tem alguma dessas características, a entrevista é sempre um momento de apreensão, já que nem sempre é possível saber se o recrutador verá com bons olhos o estilo do candidato.

O recepcionista Ygor Garcia, durante sua procura por uma oportunidade no mercado de trabalho, passou por diversos testes e desaprovações. "Já perguntaram se eu tiraria os brincos e os piercings, e se mudaria o cabelo caso fosse aprovado. Foi o que me levou a procurar emprego em lugares em que eu não precisasse mudar para me adequar à vaga", conta. Hoje ele está onde seu estilo é aceito e respeitado – e não poderia ser diferente, já que trabalha em um estúdio de tatuagens. Mas ele observa que as tatoos não são mais um tabu em empresas tradicionais. "Hoje existem mais jovens tatuados tomando cargos de poder nas empresas", avalia.

Segundo a especialista em gestão estratégica de pessoas Nizamar de Oliveira, há algumas décadas, ter tatuagem significava jamais conquistar uma vaga. Hoje, porém, o mercado de trabalho está mais flexível com relação a isso. "Ainda encontramos organizações com pensamentos convencionais que entendem, sim, a tatuagem ou piercing como um divisor de águas em uma seleção. Ou seja, se dois profissionais apresentarem as mesmas habilidades e competências, o que não possui arte no corpo será o escolhido. Não é uma regra geral, mas ainda encontramos organizações que atuam assim", explica.

Por outro lado, empresas descoladas e que têm como público-alvo um consumidor mais jovem podem ver com bons olhos um candidato com um estilo próprio e irreverente. A vendedora Marina Bibiani trabalha com moda e sua aparência não interfere em nada no trabalho. "Recebo muitos elogios voltados às minhas tatuagens. Acho que ter um estilo único hoje demonstra uma pessoa segura do que quer. Para mim, representa personalidade", diz.

Nizamar destaca que adotar determinados estilos não implica em comportamentos rotulados. Uma pessoa que tem um estilo mais descolado, por exemplo, não necessariamente é incompetente ou irresponsável. "Por isso, o entrevistador deverá ser livre de qualquer preconceito e fazer perguntas pertinentes ao cargo para o qual o entrevistado está se candidatando. O estilo formal pode ocultar algumas deficiências profissionais e, assim, promover a aparência. Já um estilo mais descontraído pode demonstrar confiança em si", explica.

O advogado Alisson Deniran Oliveira afirma que todo tipo de discriminação é proibido pela lei. "Todavia, existem alguns casos em que se justifica que a empresa peça adequação na aparência, quando o cargo o exija, desde que não se discrimine o candidato ou traga vergonha ao mesmo. O que deve haver é o bom senso do empregador e do empregado", ressalta. Por isso, caso o profissional seja contratado ou esteja se candidatando a uma organização, o ideal é consultar o setor de recursos humanos para conhecer a visão, a missão e os valores da empresa, incluindo o que é esperado dos colaboradores, além da aparência.

E na carreira militar, pode?

Estão abertas até o dia 25 de setembro as inscrições para o concurso que vai preencher 2,5 mil vagas de soldado na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Mas, quem tem tatuagem pode participar? Em nota, a PM informou que o candidato que deseja ingressar na carreira militar poderá apresentar tatuagem em qualquer lugar do corpo, exceto quando divulgar símbolo ou inscrição ofendendo valores e deveres éticos inerentes aos integrantes da Polícia Militar; fizer alusão a ideologia terrorista ou extremista contrária às instituições democráticas ou que pregue a violência ou a criminalidade, discriminação ou preconceito de raça, credo, sexo ou origem, ideia ou ato libidinoso, ideia ou ato ofensivo aos direitos humanos. Já os piercings são vetados durante o turno de serviço na atividade operacional visando a integridade física.

(Colaborou Alana Gabriela)

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