Diário da Região

23/08/2019 - 16h26min

RELAÇÕES

Dinheiro e casamento no relacionamento

Quem tem muito a perder, perde o pudor e estabelece pactos, mas o constrangimento está sempre presente

Divulgação Se o casal lida de forma diferente com o dinheiro, é preciso que os dois conversem a respeito, com respeito
Se o casal lida de forma diferente com o dinheiro, é preciso que os dois conversem a respeito, com respeito

Sendo muito, ou muito pouco, estremece as relações. Fora dos romances e dos épicos, dificilmente o amor sobrevive a uma cabana.

Quem tem muito a perder, perde o pudor e estabelece pactos, mas o constrangimento está sempre presente.

Se o casal lida de forma diferente com o dinheiro, é preciso que os dois conversem a respeito, com respeito. Compreendam as necessidades emocionais do parceiro e procurem estabelecer os alicerces que farão em sociedade. Um casamento é mais que a união de duas pessoas que se gostam - ele é um contrato de expectativa de vida que inclui a formação de uma família e patrimônio para protegê-la.

Apontada como a principal causa de conflitos conjugais, as questões financeiras não são devidamente discutidas antes do casamento, e no silêncio estabelecido, atuam como instrumento de dominação e poder, também na intimidade.

Para viver juntos é preciso afinar desejos, ou que alguém compre o sonho do outro - e se nada disso for possível, que a compreensão das diferenças se estabeleça com aceitação. O constrangimento em falar ou de revelar ao outro os gastos geram manipulações nada saudáveis, um jogo de esconder que transforma o parceiro em inimigo.

Razão e a sensibilidade são pilares para a vida a dois, se complementam. Todo mundo abre espaço na economia pra comprar o que mais aprecia, basta olhar. E não pode ser um crime, uma falta ou desconsideração. Ceder ao outro tem que estar no projeto. E existir também.

Os desencantos minam as relações. Os nossos sonhos precisam ser contabilizados, eles sempre custam mais que as despesas. Se não forem relativizados e planejados, viram fonte de frustração. E frustração e mau casamento vivem se namorando.

Para poupar ou para gastar, quem contribui com o quê, o que fazer com os extras, quais as prioridades de gastos, é preciso união. O relacionamento pagará, caro, cada vez que deixarmos pra lá, assuntos importantes a serem discutidos.

Certamente o sucesso financeiro de um casal não se resume a contas conjuntas ou separadas, os maiores problemas financeiros estão atrelados ao comportamento das pessoas, não matemáticos. Todo mundo traz na sua bagagem uma educação para o dinheiro, os valores atrelados, o sentido de realização. Está na história de vida, na infância que nos revela quais valores perseguir, o que se tornar, quem.

A relação com o dinheiro vai se formando naquilo que a criança assistiu e, principalmente, no que sentiu. Segurança ou falta, dois imperadores do comportamento.

Alguns extrapolam, conduzem a vida como se o bem material sucumbisse todas as outras necessidades, buscam irrefletidamente por um objeto, bem ou status que vá lhes restabelecer a estima, o valor pessoal, a admiração das pessoas. Sucumbem ao marketing, ao ter, acumulam desnecessidades, descuidam de si.

Claro que a moeda tem seu valor intrínseco, resolve um sem número de problemas práticos da vida. Da subsistência, passando pelo conforto ao luxo - só não se preocupa com grana quem não vive na realidade, ou não se desgasta pra ganhar.

Ater-se a um orçamento e viver dentro das possibilidades requer maturidade, mas enfim, casamento é mesmo assunto pra gente grande.

Para afinar as expectativas, é preciso sempre, pensar como família.

Não é possível se desprender das necessidades materiais, e colocar a velhice em dificuldades aponta para a irresponsabilidade, não vivemos em padrões nórdicos. Mas o essencial, seja paz, afeição genuína ou boa saúde, necessita de uma busca mais ampla, só dinheiro não traz.

Não existe divã pra quem abdicou do amor e se casou pensando em prosperidade econômica. Viver com quem não se afina, ter filhos nos quais não se refletem amor, pra viver com suntuosidade é perda de vida, é enfado na certa. A sexualidade pira, desgasta o riso, a espontaneidade vai embora. Os consultórios confirmam o dito popular – senhor do conforto, dinheiro não é felicidade. Tédio e depressão destroem a alma, mesmo em Paris.

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