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IMPACTO EMOCIONAL

O Caos aplicado à saúde mental

Se estivéssemos habituados, educados a perceber o mundo pela sua inconstância, teríamos a previsibilidade maior para o acaso. Parece um contrassenso, mas não é


    • São José do Rio Preto
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Durante a disciplina sobre a teoria do Caos, escutando sobre linearidade e constância, sobre os aspectos individuais que se adequariam melhor a uma medicina baseada em evidência em contraste com a normatização das medidas, tanto para medicação quanto para doenças e também da vida.

A vida, que não obedece a esse quadro linear a que nos esforçamos por enquadrar e entender, dado o desejo de estudar os seres humanos ou controlar os eventos naturais, prever catástrofes ou desenvolver espécies, animais e vegetais. Fez-nos refletir sobre como a percepção do caótico poderia beneficiar as pessoas se o percebêssemos não como uma exceção, mas como regra, como o óbvio da vida, dado que o mundo nunca nos assegurou nenhum padrão de comportamento. A presença constante da morte, por exemplo, não como fim de um ciclo, mas enfim, como presença constante em nosso meio, tampouco uma surpresa.

Trabalhando com saúde mental. Se estivéssemos habituados, educados a perceber o mundo pela sua inconstância, teríamos a previsibilidade maior para o acaso. Parece um contrassenso, mas não é. Eventos como a morte, divórcios, desemprego, seriam sentidos com menos impacto emocional. Normalizaríamos a inconstância, o mundo como o mundo é, e não como o imaginamos.

Aplicando a teoria do Caos em meu trabalho, posso observar que os efeitos destrutivos e abrangentes que as separações dos pais causavam na vida das crianças foi amenizado quando a sociedade passou a prever e a absorver essas ocorrências com maior aceitação para os fatos e a passar a considerá-los eventos possíveis e, até mesmo, saudáveis, em alguns casos.

Outra analogia que pode ser estabelecida entre os mecanismos biológicos e os eventos mentais é o de que os eventos médicos apresentados como exemplos em sala de aula, de progressão de células, dosagens e intervalos para medicação reforçam o que a psicologia há muito tenta fazer evidenciar: a carga genética existe, as forças ambientais também, mas a história de vida das pessoas é absolutamente particular a cada um, o que faz de cada ser humano único.