Delator de propina no Metrô de SP acusa Rodrigo GarciaÍcone de fechar Fechar
    • São José do Rio Preto
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O ex-diretor do Metrô de São Paulo Sérgio Corrêa Brasil afirmou em delação a procuradores da Lava Jato suposto esquema de propina no órgão com pagamentos a partidos para conseguir aprovação de projetos de interesses de empreiteiras na Assembleia Legislativa e no Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ele citou o governador em exercício Rodrigo Garcia (DEM), que é da região de Rio Preto, quando ainda era deputado, de ter "vínculo mais forte" com as supostas irregularidades. O ex-diretor afirma que fez "15 ou 20 entregas de valores indevidos a Arnaldo Jardim, sendo que os valores variavam entre R$ 40 mil e R$ 60 mil", diz trecho da delação. Corrêa diz que Rodrigo foi seu "padrinho" político.

Corrêa afirma ainda que "o dinheiro que era entregue a Arnaldo Jardim era destinado também a Rodrigo Garcia, sem poder especificar a forma de divisão de tais valores entre eles". O ex-diretor não menciona valores e afirma ainda que outro deputado de "vínculo mais forte" era o próprio Arnaldo Jardim.

Segundo o delator, pagamentos teriam ocorrido entre 2004 e 2007, nas gestões de José Serra e Geraldo Alckmin, ambos do PSDB. Os ex-governadores não são citados. Na época, Rodrigo Garcia era deputado estadual.

A propinas seriam para obras da Linha 2-Verde, pela Linha 5-Lilás e em licitação da Linha 6-Laranja do Metrô. O delator diz que as obras ficaram mais caras e lentas. O ex-diretor afirma que as empreiteiras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Camargo Corrêa teriam pagado a partidos (PPS, PSDB, PFL atualmente DEM e PTB). Ainda segundo o delator, parte da propina era repassada a deputados estaduais. "O recurso viria de percentuais de aditivos de contratos para obras no metrô. Soube, então, que eram quatro deputados que estavam liderando isso dentro da Assembleia de São Paulo. E que, com relação ao metrô, nós teríamos esse vínculo mais forte com o deputado Rodrigo Garcia e com o deputado Arnaldo Jardim", diz Sérgio Corrêa Brasil na delação.

Outro político da região que é citado é o ex-deputado federal Julio Semeghini, atualmente secretário-executivo do Ministério da Ciência e Tecnologia. Na época, Semeghini era presidente do Conselho Gestor do Programa Estadual de Parcerias Público-Privadas.

Em nota, a assessoria de Rodrigo rebateu as acusações. "Trata-se de uma acusação sem fundamento. Rodrigo Garcia já foi inocentado no STF por falsas acusações referentes ao metrô de São Paulo e lutará novamente contra essa injustiça".

Nesta quinta, 29, Rodrigo Garcia cumpriu agenda em Araraquara e Penápolis para assinatura de liberação de recursos. O governador João Doria (PSDB) está em viagem à Alemanha.

(Com Agência Estado)