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FLORESTA De POLÊMICAS

Amazônia vira epicentro de tensão

Governo federal já autorizou o emprego das Forças Armadas na região Norte


    • São José do Rio Preto
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As declarações do presidente da República, Jair Bolsonaro, contra o que ele definiu de "ongueiros" ambientalistas, contra governadores da região Norte do País e até contra autoridades internacionais, vide o embate com o presidente francês Emanoel Macron, empurraram a degradação da região amazônica para o centro da agenda do governo. Seja pela pressão, lá fora, em forma de protestos e ameaças até de boicote à carne brasileira ou seja pela tensão gerada no cenário interno, desde as políticas ligadas à própria questão ambiental até o agronegócio.

Uma das tentativas de resposta veio em forma de decreto. O governo federal já autorizou o emprego das Forças Armadas nos Estados de Roraima e Rondônia, que concentram os principais focos de queimadas. Os despachos estão publicados em edição extra do Diário Oficial da União, disponibilizada no início da noite desta sexta, 23. Os dois despachos confirmam que a autorização atende a pedidos dos governadores.

Bolsonaro assinou decreto que autoriza o uso das Forças Armadas para Garantia da Lei e da Ordem (GLO) e para ações subsidiárias nas áreas de fronteira, nas terras indígenas, em unidades federais de conservação ambiental e em outras áreas da Amazônia Legal. A autorização, no entanto, está condicionada ao requerimento do governador de cada Estado. Roraima e Rondônia são os primeiros a solicitarem apoio.

Bolsonaro, inclusive, falou em rede nacional de rádio e TV também na noite desta sexta-feira que a LGO será está à disposição dos estados que compõem a Amazônia Legal e que, por sua formação militar, tem "profundo amor por aquela região". Por outro lado, disse que a situação atual em solo amazônico não justifica as críticas e ataques externos. "O fogo que mais arde é o da nossa soberania sobre a Amazônia", ressaltou.

Agronegócio

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, admitiu a preocupação com possíveis embargos ao agronegócio brasileiro em decorrência da crise ambiental. "Acabei de saber das notícias e nos preocupa", disse a ministra depois de participar de evento em Brasília.

O governo da Finlândia, que ocupa a presidência rotativa da União Europeia, pediu ao bloco econômico que avalie a possibilidade de vetar a compra de carne bovina brasileira. Na quinta-feira, o presidente da França, Emmanuel Macron, também atacou o governo brasileiro.

A ministra, no entanto, avaliou que é preciso "baixar a temperatura" das críticas globais e ponderou: "Incêndios florestais existem em todo o mundo e isso não pode servir de pretexto para possíveis sanções internacionais."

Cidades brasileiras registraram panelaços na noite desta sexta-feira, 23, durante pronunciamento do presidente Jair Bolsonaro sobre as queimadas na Amazônia, em rede nacional de rádio e TV.

A manifestação, a primeira do atual governo, foi registrada em lugares como São Paulo (bairros de Moema, Jardins, Pinheiros, Barra Funda, Campos Elíseos, Bela Vista, Vila Madalena e a maioria na Zona Oeste da cidade), Rio (Ipanema, Copacabana, Botafogo, Laranjeiras, Tijuca e Jardim Botânico), Distrito Federal, Belo Horizonte, Florianópolis e Recife.

Também ocorreram manifestações fora do País. Houve protestos em Londres, Barcelona, Amsterdã, Genebra e Dublin para pedir que salvem a Amazônia do fogo, respondendo a uma convocação mundial em prol dos "pulmões em chamas" do planeta. As manifestações em defesa da Amazônia programadas para esta sexta-feira foram convocadas pelo "Extinction Rebellion", grupo de desobediência civil criado no final de 2018 para lutar contra a falta de ação diante da mudança climática, e pelo "Fridays for Future". (AE)