América fica sem luz e entra na mira de CPI na CâmaraÍcone de fechar Fechar

Nova direção, velhos problemas

América fica sem luz e entra na mira de CPI na Câmara

Fornecimento de energia elétrica do América é cortado e Teixeirão fica no escuro por dívida de R$ 26 mil; Câmara abre CPI para tentar salvar estádio de leilão e recuperar área para o município


    • São José do Rio Preto
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Sob nova direção, com Elyseu Sicolli empossado presidente interino e a gestora Faupro Import e Export Inc à frente da administração, o América terá que lidar com antigos problemas após o afastamento do presidente Luiz Donizete Prieto, o Italiano, há 42 dias, em decisão do Conselho Deliberativo. O clube teve a energia do estádio Teixeirão cortada na manhã desta quarta-feira, 14, ao mesmo tempo em que procura se reestruturar e sonha em ser sede da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em janeiro do ano que vem.

"Estamos descobrindo as coisas agora, aparecendo o que a gente não esperava. Hoje [quarta] tivemos a surpresa de que há um ano a conta de energia não está sendo paga", disse Fausto Gonçalves Júnior, um dos gestores do clube. "Tem muita gente batendo na porta para cobrar. Estamos meio perdidos, não sabemos as dívidas."

A energia do estádio foi cortada na manhã desta quarta-feira, 14, por falta de pagamento do fornecimento à CPFL Energia. Dez atletas do time sub-20 estão alojados no estádio pela gestora, que pretende utilizá-los na disputa da Copinha na próxima temporada. "Vou levá-los para um apartamento, mas estou tentando religar a luz ainda hoje [quarta]. Estou esperando para ver se conseguimos parcelar esses valores e religar a luz o mais rápido possível. A última tomada que tenho são de 12 meses em atraso no valor de R$ 26.197,00", disse Paulo Rogério, parceiro de Fausto na gestora do clube.

O presidente afastado, Italiano, alega que a conta deveria ser paga pela gestora, que fez um acordo com a CPFL para evitar o desligamento de energia neste ano. "O América pagaria primeiro o acordo, para evitar o corte, e, terminando o acordo, começaria a pagar as contas, por isso na minha época não cortou. Eu estava pagando o acordo, agora, passou dois meses sem pagar e é lógico que corta", falou Italiano.

A reportagem constatou a falta de energia no estádio nesta quarta e a consequente dificuldade dos atletas alojados, que teriam de tomar banho após o treino, além de improvisar iluminação na cozinha e alojamentos. O gestor Paulo chegaria de São Paulo na noite de quarta para tentar resolver a situação.

Momento político

A nova derrota que escancara a situação precária do clube vem em meio ao momento conturbado na política americana. No início de julho, o Conselho do clube decidiu pelo afastamento de Italiano por 60 dias para que uma sindicância apurasse possíveis irregularidades. Seu mandato iria até setembro de 2020. O vice Elyseu Sicolli, 88, foi empossado como novo mandatário do clube.

"Esta semana ela [sindicância] vai ter um desfecho. Foi pedido o que precisávamos e estou esperando chegar a resposta", disse o presidente do Conselho, Pedro Batista.

Afastado, Italiano esperava ser convocado para prestar, pessoalmente, esclarecimentos aos membros da comissão de sindicância que analisa irregularidades nos seus atos administrativos. A comissão é composta por Samir Barcha, João Henrique dos Reis e João Eurides Rodrigues. Ele recebeu um pedido de justificativa com três perguntas a respeito de possíveis irregularidades na transferência de Gustavo Barracão e a prestação de contas de 2018.

"Mandei as respostas na segunda, devem ter recebido. Mas não fui convocado, queria ir pessoalmente. Ninguém fez nada, são covardes demais", disse o dirigente. "Perguntaram sobre o dinheiro do barracão e tudo está na prestação de contas de 2017. Tenho boletim de ocorrência registrado do sumiço da documentação de 2018 que o Pedro Batista levou embora", acrescentou.

Italiano ainda tenta na Justiça derrubar a decisão do órgão supremo do clube de afastá-lo. "A sindicância tem que dar a oportunidade de me ouvir, porque falando seria outra história, não com apenas três perguntas", disse. "Inventaram uma confissão de dívidas minha e quero o documento original e autenticado em relação a isso", acrescentou Italiano. (VS)

A Câmara de Vereadores de Rio Preto abriu CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) para tentar salvar o estádio Teixeirão da venda direta autorizada pela Justiça do Trabalho e recuperar a área para o município. O pedido foi feito pelo vereador Jean Dornelas (PSL), que tem relações com a atual direção do Rubro, e teve as assinaturas dos vereadores Anderson Branco (PL), Celso Peixão (PSB), Cláudia De Giuli (PMB), Gerson Furquim (Progressistas), Pedro Roberto (Patriotas), Renato Pupo (PSD) e Zé da Academia (DEM).

O objetivo é investigar o não cumprimento de obrigações na lei de cessão do terreno do poder público ao clube para construção do estádio, penhorado por conta de dívidas trabalhistas que giram em torno de R$ 10 milhões. O preço mínimo de venda é de R$ 21 milhões e o prazo final para propostas é 2 de setembro.

"Queremos investigar e principalmente buscar alternativas para que a torcida americana continue utilizando o estádio, mas que esse patrimônio não seja perdido por causa de algumas más administrações", afirma Dornelas. (VS)