Thiago Pethit, um Orfeu em meio ao caos urbanoÍcone de fechar Fechar

SESC

Thiago Pethit, um Orfeu em meio ao caos urbano

Atração do segundo dia do festival 'Dias de Música', cantor e compositor divide o palco com Urias, atriz e modelo trans que deu start em sua carreira musical em 2018


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

De volta à cena musical com um disco que acompanha a trajetória de um Orfeu contemporâneo em um cenário urbano tomado pelo caos social e político, o cantor e compositor Thiago Pethit reconhece que a música se tornou uma plataforma importante para promover a visibilidade do público LGBTQI+, especialmente de artistas trans, que têm conquistado cada vez mais espaço na cena independente com criações que flertam com diferentes estilos musicais.

Uma das atrações do segundo dia do festival "Dias de Música", do Sesc Rio Preto, ele divide palco pela primeira vez com Urias, atriz e modelo trans que deu start em sua carreira musical no ano passado - seu single mais recente, "Diaba", acaba de ganhar videoclipe.

Urias protagoniza o videoclipe da música "Orfeu", uma das faixas de "Mal dos Trópicos (Queda e Ascensão de Orfeu da Consolação)", álbum que Pethit lançou em março, após um hiato de cinco anos. "Conheci a Urias no começo deste ano. Eu já conhecia o seu trabalho como modelo pela web, e acabamos tendo contato através de amigos que temos em comum. Ela é maravilhosa, uma artista incrível", elogia o cantor e compositor.

Quando iniciou sua trajetória na música, Pethit era um dos poucos artistas gays a ganhar visibilidade em um mercado que até hoje ainda é pautado pelo machismo. "Não existiam artistas trans com essa visibilidade em uma mercado musical, digamos, mais sério. Os artistas gays também não eram muitos. Era algo bastante complicado. Até hoje o machismo impera no mercado musical. Acho até surpreendente ter avançado tanto."

Para ele, homem gay, branco e cisgênero, é importante incluir outras minorias, promover a visibilidade positiva de públicos historicamente marginalizados. "É a minha obrigação enquanto artista", enfatiza.

Arquétipos

Revisitar o mito de Orfeu em seu quarto registro de estúdio foi, segundo Pethit, um processo bastante intuitivo. "As canções de 'Mal dos Trópicos' falam sobre mim enquanto pessoa e artista e também falam do Brasil, sobre suas perdas e o seu luto. Usei um pouco desse momento do País para conceber a atmosfera que envolve esse personagem."

O cantor e compositor destaca que as pessoas convivem com signos e arquétipos o tempo todo. "As pessoas se relacionam o tempo inteiro com essas representações. É  um tipo de assunto que gosto muito. Os arquétipos são uma forma de entendermos a experiência humana, a sociedade e a política. Ele abre as possibilidades de interpretação da realidade", opina.

Serviço:

Thiago Pethit convida Urias. Domingo, 25 de agosto, às 17h30. Sesc Rio Preto (Av. Francisco das Chagas Oliveira, 1333). Gratuito

Além de Thiago Pethit e Urias, mais três shows marcam a programação do segundo e último dia do festival "Dias de Música", do Sesc Rio Preto. Quem abre é a Dinossaura, banda de rock formada por músicos da região: Lobo (voz), Bôro (guitarra), Fil (bateria) e Barata (baixo).

A programação segue com Saskia, compositora, produtora e DJ que integra os coletivos negros Turmalina e Coletividade Namíbia, além do selo de música futurista Zona Exp. Natural de Porto Alegre, ela apresenta composições que intercalam diversos gêneros, utilizando samples, beats, instrumentos e pedais para cantar sobre experiência pessoais e coletivas. Seus shows levam a plateia a uma experiência tanto de dança e movimento quanto de introspecção e hipnose.

O encerramento do festival se dará com o reencontro de três artistas que integraram a banda pernambucana Comadre Fulozinha, que marcou a cena musical do Recife nos anos 1990: Alessandra Leão, Karina Buhr e Isaar. Esse reencontro é feito 22 anos depois do primeiro contato musical entre elas.

Acompanhadas do guitarrista Lello Bezerra e por Mestre Nico, na bateria e no trompete, elas apresentam composições que criaram juntas na década de 1990, além de músicas que pautam suas carreiras solos - Alessandra e Karina, por exemplo, acabaram de lançar novos discos, respectivamente, "Macumbas e Catimbós" e "Desmanche". Isaar também lançou projeto novo neste ano, o álbum "Pantera".

Serviço:

Festival 'Dias de Música'. Domingo, 25 de agosto. Dinossaura (16h), Saskia (19h) e Alessandra Leão, Karina Buhr e Isaar (20h30). Sesc Rio Preto. Gratuito