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ARTE CONTEMPORÂNEA

Sesc de Rio Preto recebe itinerância da 33º Bienal de SP

Uma reação artística a um mundo de verdades prontas, itinerância da 33ª Bienal de São Paulo chega ao Sesc Rio Preto reuninco cerca de 40 obras de nove artistas


    • São José do Rio Preto
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Realizada entre setembro e dezembro de 2018, a 33ª edição da Bienal de São Paulo contou com um conceito diferente de curadoria para o desenvolvimento do tema "Afinidades afetivas". Além de 12 projetos individuais selecionados pelo curador-geral Gabriel Pérez-Barreiro, o público pode conferir a sete mostras coletivas organizadas por artistas-curadores convidados. Mais do que um direcionamento temático, o evento teve sua organização baseada nas afinidades artísticas e culturais de seus envolvidos - constituindo-se em uma reação a um mundo de verdades prontas, no qual a fragmentação da informação e a dificuldade de concentração levam à alienação e à passividade.

E essas afinidades ganham novas conexões com as mostras itinerantes da 33ª Bienal de São Paulo pelo interior paulista, concebida pelo curador convidado Jacopo Crivelli Visconti a partir do projeto original elaborado por Pérez-Barreiro, que teve como base teórica o romance de Johann Wolfgang von Goethe "Afinidades eletivas" (1809) e à tese "Da natureza afetiva da forma na obra de arte" (1949), de Mário Pedrosa. Em Rio Preto, a mostra será aberta na noite desta terça-feira, 27, no Sesc.

A exposição realizada em São Paulo era constituída por um conjunto de elementos: o conceito geral da exposição; as sete diferentes mostras organizadas por sete artistas-curadores; as participações individuais de artistas convidados diretamente pelo curador-geral; e ainda as relações que se criavam entre todas essas instâncias. 

Para as itinerâncias, buscou-se enfatizar onde obras, artistas e pensamentos que apareciam, na 33ª Bienal, separados e distantes, aproximam-se e se atraem reciprocamente, assim como as moléculas e os elementos citados por Goethe em seu romance. Neste sentido, as exposições que irão circular em 2019 não replicam literalmente o que se viu na última Bienal, mas apresentam diferentes associações e relações a partir de recortes de obras e artistas.

Em Rio Preto, a itinerância reúne cerca de 40 obras, algumas delas de dois artistas que atuaram como curadores das sete mostras coletivas que marcaram a 33ª Bienal de São Paulo: o uruguaio Alejandro Cesarco e a paulista Sofia Borges. Ainda há trabalhos de nomes como Aníbal López, Gunvor Nelson, Siron Franco e Lucia Nogueira (confira o perfil de cada artista), além de um ensaio visual exclusivo do fotógrafo Mauro Restiffe durante a montagem da mostra rio-pretense.

5ª edição

O programa de mostras itinerantes com seleções de obras da Bienal de São Paulo é uma iniciativa que chega em 2019 à sua quinta edição. A itinerância da 32ª Bienal, em 2017, percorreu 13 cidades, sendo duas no exterior, e recebeu um público total de 650 mil visitantes.

"A Bienal de São Paulo é um patrimônio cultural de todo brasileiro e, para ampliar o acesso a seus conteúdos, a Fundação Bienal correaliza, com instituições culturais parceiras, o programa de mostras itinerantes. Além das exposições, a iniciativa inclui ações educativas e de difusão, estando alinhada à missão da Fundação de integrar cultura e educação à vida cotidiana", afirma José Olympio da Veiga Pereira, presidente da Fundação Bienal.

No Sesc Rio Preto, o programa de mostras itinerantes irá promover, na próxima sexta-feira, 30, às 19h30, ações para professores, educadores e mediadores de público das instituições parceiras. A partir dos conteúdos da 33ª Bienal e da publicação educativa feita para a mostra, "Convite à atenção", as ações propõem exercícios que convidam as pessoas a estarem atentas para a experiência com a arte em diversos contextos, desde o encontro com a obra até o compartilhamento da reflexão sobre ela.

Serviço

  • 33ª Bienal de São Paulo – Afinidades afetivas. Itinerância Rio Preto. De 27 de agosto a 24 de setembro, no Sesc Rio Preto (Av. Francisco das Chagas Oliveira, 1333). De terça a sexta-feira, das 13h15 às 21h30, sábado e domingo, das 10h às 18h30. Gratuito

Alejandro Cesarco - Uruguai/EUA

  • Natural de Montevidéu, Alejandro Cesarco vive e trabalha em Nova York desde a década de 1990. Com uma obra que envolve instalações, vídeos, filmes e literatura, ele busca extrapolar os limites do significado, criando novas narrativas visuais. Por muitos, é considerado herdeiro da arte conceitual, em voga nos anos 1960 e 1970 e marcada pela mescla de apelos visuais a texto e narração

Aníbal López - Guatemala

  • Aníbal López (1964-2014) foi pioneiro da performance de inspiração política. Trabalhando em um contexto extremamente violento na Guatemala, ele abordava os temas mais difíceis de sua sociedade, do genocídio dos povos indígenas por militares à proliferação de sicários, ou matadores de aluguel. Em um de seus trabalhos mais icônicos, "El préstamo" (O empréstimo), o artista narra como assaltou, com uma arma, um senhor na Cidade da Guatemala para financiar a produção de uma exposição sua em uma galeria. Essa convergência de arte, economia e crime percorre a produção do artista. Apesar de sua morte abrupta, López continua sendo uma figura central e uma inspiração para toda uma geração de artistas, principalmente na América Central

Bruno Moreschi - Maringá

  • Artista multidisciplinar, Bruno Moreschi é doutor em artes visuais pela Unicamp, com projetos relacionados à desconstrução de sistemas e à decodificação de procedimentos e práticas sociais em espaços de poder. Seus projetos foram reconhecidos por bolsas, exposições e instituições como Van Abbemuseum, 33ª Bienal de São Paulo, Prêmio Rumos, Funarte, Capes e Fapesp. Atualmente é pesquisador sênior do Center for Arts, Design and Social Research (CAD SR) e artista residente do Inova USP, coordenando um grupo de pesquisadores de diferentes áreas na construção de métodos democráticos, artísticos e experimentais no campo de programação, aprendizado de máquina e inteligências artificiais - sempre considerando as especificidades do contexto sul global

Gunvor Nelson - Suécia

  • A artista sueca Gunvor Nelson atua como cineasta experimental desde os anos 1960. Algumas de suas obras mais conhecidas foram criadas enquanto ela morava na área da baía de Estocolmo, em meados da década de 1960 e no início da década de 1970, onde se estabeleceu entre outros artistas de vanguarda. Em 2006, ela creditou 20 filmes, cinco vídeos e uma instalação de vídeo.

John Miller & Richard Hoeck - EUA/Europa

  • O austríaco Richard Hoeck atualmente vive e trabalha em Viena e Breslau, na Polônia. Já realizou exposições em praticamente toda a Europa e seu trabalho está incluído na exposição "Franz West: Artistclub", em Viena. As exposições individuais incluem Kunsthalle Krems (Áustria) e a Galerie fuer Zeitgenoessiche Kunst (Alemanha). Além das colaborações com John Miller e seus próprios trabalhos, Hoeck fez trabalhos colaborativos com Heimo Zobernig, Franz West e Mike Kelley. Participou do programa de residência artística do MAK Center for Art and Architecture, em Los Angeles, em 2001 e 2002.
  • O artista, crítico e músico norte-americano John Miller tem se apresentado intensamente desde seu primeiro show solo em White Columns, Nova York, em 1982. As principais mostras individuais incluem a exposição individual de pesquisa de meio de carreira no ICA/Institute of Arte Contemporânea, Miami, com curadoria de Alex Gartenfeld; Museu de Arte Moderna e Contemporânea (MAMCO), Genebra, Suíça; uma exposição de 2011 no Museu Ludwig, Colônia. Miller participou de muitos shows em grupo e em inúmeras bienais internacionais, incluindo a Bienal de Whitney (1985, 1991), a Bienal de Lyon (2005) e Bienal de Gwangju (2010). O artista vive e trabalha em Nova York e Berlim.

Lucia Nogueira - Goiânia

  • Embora tenha nascido no Brasil, Lucia Nogueira (1950-1998) desenvolveu sua carreira em Londres. Estudou na Chelsea College of Art e na Central School of Art and Design e teve participação relevante na cena artística londrina dos anos 1990. Em suas obras, a artista usa objetos cotidianos para criar uma sensação inquietante de suspensão e estranheza. Como brasileira radicada em Londres, ela fala da noção de deslocamento e dos questionamentos que resultam de viver em uma cultura diferente. Talvez por ser uma consequência desse deslocamento, a língua é uma referência central em seus trabalhos. Os títulos em inglês geralmente jogam com duplos sentidos e com as idiossincrasias dos termos gramaticais da língua. Apesar de ter sido valorizada e respeitada como membro da cena artística britânica, ela ainda é relativamente desconhecida no Brasil

Siron Franco - Goiás Velho

  • Nos anos 1980, o goiano Siron Franco era um dos mais bem-sucedidos jovens artistas brasileiros quando ocorreu o acidente radiológico com o césio-137 em Goiânia, a poucos quarteirões de onde ele havia crescido. Na época, ele voltou à capital de Goiás e começou a produzir uma série de desenhos para registrar as imagens chocantes do desastre. A série 'Césio' marcou uma mudança dramática em sua linguagem e em seu comprometimento político com as realidades do Brasil contemporâneo e representa uma grande afirmação do potencial da arte para registrar e comentar tragédias humanas e sociais

Sofia Borges - Ribeirão Preto

  • Aos 35 anos e dona de um amplo repertório artístico, Sofia Borges escolheu a fotografia como meio de trabalho ainda na época da faculdade. No entanto, a artista não gosta de ser chamada de fotógrafa, visto a precisão com que monta suas imagens, quase como na construção de uma pintura. Seu trabalho a levou, muito cedo, aos principais polos artísticos do mundo, como Londres, Paris e Nova York