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ALERTA GERAL

Sarampo volta a fazer vítimas em Rio Preto

Rio Preto confirmou cinco casos - os primeiros desde 1999 - todos em crianças com menos de 1 ano de uma escola infantil. Prefeitura pediu ao Estado 30 mil doses de vacina contra a doença


    • São José do Rio Preto
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Depois de 20 anos sem sarampo, Rio Preto confirmou cinco casos positivos da doença em uma creche da rede municipal de Educação. Segundo a Secretaria da Saúde, os primeiros sintomas surgiram no final de junho, em uma criança que viajou para a Itália, na Europa. Na região outras duas cidades tiveram casos confirmados: Jales, com um, e Fernandópolis, com 27 (leia mais nesta página). Rio Preto ainda tem outros dois casos em investigação.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Aldenis Borim, os casos foram confirmados por exames sorológicos - IgG (imunoglobulina G) e IgM (imunoglobulina M) - realizados pelo Instituto Adolfo Lutz. "O teste definitivo pelo DNA do vírus ainda não ficou pronto", afirmou. As análises foram encaminhadas para a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), no Rio de Janeiro.

Segundo a Saúde Municipal, as crianças que foram infectadas pelo sarampo são todas bebês - com menos de um ano -, os quais ainda não tinham sido vacinados contra a doença, por não terem a idade mínima (12 meses) exigida pelo calendário de vacina.

O primeiro diagnóstico foi realizado no dia 29 de junho. Como determina o Ministério da Saúde e o Centro de Vigilância Epidemiológica de São Paulo, a pasta informou que de imediato realizou ações de isolamento e bloqueio para evitar a propagação do vírus, considerado altamente contagioso. "Vacinamos todas as crianças da classe, da escola, da família e de locais que as crianças estiveram", afirmou Borim. Para a gerente da Vigilância Epidemiológica, Andreia Negri, o trabalho pode ser considerado efetivo. "Depois do bloqueio não tivemos mais nenhuma suspeita", afirmou. Os casos em investigação são de outros locais.

Com a confirmação dos casos pela Secretaria Estadual de Saúde, nesta quarta-feira, o secretário passou a tarde em reuniões com equipes da Vigilância Epidemiológica para definir ações para ampliar a prevenção. A primeira iniciativa, segundo Borim, foi solicitar 30 mil doses da vacina para a Secretaria do Estado. "Hoje estamos com cerca de 2,5 mil doses em estoque. Pedimos mais 30 mil vacinas", afirmou o secretário.

A primeira mudança para coibir o avanço da doença no município foi ampliar a vacinação oferecida pelas unidades básicas de saúde (UBS) para bebês a partir de seis meses. Essa dose é uma forma de proteger as crianças suscetíveis ao vírus. Essa imunização se estende até um ano de idade, quando a criança começa a tomar as duas vacinas de sarampo previstas no calendário.

Nesta quinta-feira, 8, a Vigilância também inicia a capacitação de profissionais de Saúde para que, na sexta-feira, 9, a pasta faça uma varredura próximo aos bairros Boa Vista, Parque Industrial, Jardim Congonhas, Costa do Sol e Solo Sagrado.

A região fica próximo à unidade, onde os casos foram registrados - o nome da creche não foi divulgado. Segundo Andreia, a vacinação será "indiscriminadamente em pessoas que residam ou trabalhem nas quadras no entorno dos domicílios e escola dos casos confirmados", afirmou.

Com a chegada das doses solicitadas, a Saúde também fará uma intensificação da vacinação em todos os moradores nascidos depois de 1960, os quais não têm comprovação de vacinação com o número de doses recomendadas de acordo com a faixa etária.

De acordo com as recomendações do Ministério, pessoas entre 0 e 29 anos precisam ter as duas doses confirmadas na carteira de vacinação. Já quem está na faixa etária dos 30 aos 59 anos deve ter pelo menos uma dose. Acima de 60 anos não precisa ser vacinado.

Segundo a gerente, o "mutirão" da vacina contra o sarampo vai focar, principalmente, em quem trabalha com pessoas e em locais com fluxo intenso, "profissionais de saúde e da educação, serviços de turismo, institucionalizados, motoristas de Uber e táxis e semelhantes", disse Andreia.

Outra ação da Saúde do município foi a programação de uma qualificação para profissionais de Saúde da cidade e na região com o objetivo de garantir diagnóstico precoce e consequentemente ações de controle e bloqueios. O evento será realizado no dia 3 de setembro, no Centro de Convenções da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp).

Altamente contagiosa

O sarampo é uma doença altamente contagiosa. A afirmação é do pediatra e presidente da regional de Rio Preto da Sociedade de Pediatria São Paulo, Jorge Haddad. Segundo o médico, por ser muito fácil de ser transmitida, até pela maçaneta da porta, só há uma maneira de imunização: "A única prevenção é por meio da vacina", afirmou.

A doença começa geralmente com sintomas da gripe (tosse, olhos com conjuntivite, febre alta, queda do estado geral e coriza) e termina com manchas vermelhas na face, pescoço e corpo. Segundo Haddad, a pessoa infectada pode transmitir a doença por até 14 dias. "É contagiante desde a incubação até cinco dias depois das manchinhas", afirmou.

Transmitida pela tosse, saliva e até pela respiração, o sarampo pode causar problemas graves como cegueira, inflamação do encéfalo (encefalite), do ouvido, pneumonia e diarreia. Além da vacina, a recomendação é evitar aglomerações e sempre usar álcool em gel. "Quem tomou a vacina certinho, a chance de ter a doença é quase zero", finalizou.

Levantamento da Secretaria Estadual de Saúde confirma 967 casos positivos de sarampo no Estado de São Paulo. Segundo a pasta, 80% do total se concentram na capital, com 778 casos.

Fernandópolis é a cidade da região que mais registrou casos positivos da doença até o momento, com 27 confirmações. Jales tem uma. Já Estrela d'Oeste está em estado de alerta com risco para doença, segundo o Ministério da Saúde.

De acordo com a Saúde de Fernandópolis, neste ano, a cidade investigou 59 suspeitas da doença. Segundo a pasta, o município intensificou a vacinação dos moradores, principalmente nas regiões próximas aos casos positivos. "Nos bairros onde há casos, os agentes comunitários de saúde visitam as casas dos moradores convocando todos para tomar a vacina em postos ambulantes montados nos bairros", afirmou a nota.

Em Jales, a enfermeira da Vigilância Epidemiológica da cidade, Eloá Koga, informou que em todos os casos de suspeitas a Secretaria está realizando ações de bloqueios e vacinação indiscriminada. "Temos feito uma busca ativa para atualização da caderneta e para que realmente as pessoas procurem as nossas salas de vacinação", finalizou.

Em Estrela d'Oeste, vizinha de Fernandópolis e de Jales, um caso é investigado. A Prefeitura informou que fez ações de bloqueio e intensificou a vacinação.

(Colaboraram Francela Pinheiro e Luciano Ramos)

Como se proteger

  • As crianças devem ser vacinadas aos 12 e aos 15 meses - com duas doses, o esquema está completo. As doses são tríplices virais e protegem também contra rubéola e caxumba
  • Diante do surto, o Ministério da Saúde alerta que crianças entre seis meses e um ano devem tomar uma dose extra da vacina (que não interferirá nas duas doses do esquema normal)
  • Além da proteção, a medida visa a interromper a cadeia de transmissão do vírus
  • Quem não foi vacinado quando pequeno e tem até 29 anos precisa ter duas doses
  • Em adultos com idade entre 30 e 59 anos, uma dose é suficiente. Idosos não precisam da vacina, pois entende-se que já tiveram contato com o vírus em outros momentos em que ele circulou

Não sei se tomei vacina:

  • Procure a unidade de saúde mais próxima e tome a vacina, conforme indicações para sua faixa etária. É importante guardar a carteirinha de vacinação para que, em caso de ocorrências suspeitas, as autoridades de saúde saibam quem deve receber o bloqueio

Casos confirmados

  • Estado: 967
  • Rio Preto: 5 (primeiros casos positivos desde 1999)
  • Fernandópolis: 21
  • Jales: 1

* Estrela d'Oeste foi apontada pelo Ministério da Saúde como local com surto da doença, mas nenhum caso foi confirmado pela Secretaria Estadual de Saúde

A doença

  • O Sarampo é uma doença infecciosa transmitida pela tosse e espirro, extremamente contagiosa, que pode ser contraída por pessoas de qualquer idade
  • Sintomas - Os principais são manchas vermelhas, que surgem primeiro no rosto e atrás das orelhas, febre alta e dor de cabeça. Além de conjuntivite, coriza e tosse
  • Complicações - as mais comuns são infecções respiratórias, otites, doenças diarreicas e neurológicas
  • As complicações podem deixar sequelas tais como diminuição da capacidade mental, cegueira, surdez e retardo do crescimento. Pode também levar à morte