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NOVA CHANCE

Alexandre e a multiplicação de vida

Palestrante passou por três transplantes e considera que não vive mais sozinho


    • São José do Rio Preto
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Se estar vivo já é uma dádiva, imagine "retornar" da morte 21 vezes para contar a história. Foi o que aconteceu com o publicitário e jornalista Alexandre Barroso, de 60 anos, que entrou em coma 21 vezes, passou por 11 cirurgias e fez três transplantes. Ele contou sua história no livro "A última vez que morri".

Barroso acredita que não vive mais só. "Tenho a responsabilidade de carregar dentro do meu corpo mais duas pessoas, no mínimo. É uma gratidão muito grande pelos doadores", diz. "Doação de órgãos é amor, alegria. Quando uma pessoa doa órgãos, ela se perpetua para o resto da vida, isso é renascimento", conclui.

Na tarde desta quarta-feira, 14, Barroso falou aos colaboradores do Hospital de Base sobre humanização do atendimento ao paciente. À noite, na Jornada Asas do Bem, ele fez a palestra "A última vez que morri", durante o 10º Simpósio de Transplantes de Órgãos e Tecidos, evento organizado pela Liga de Transplantes de Órgãos e Tecidos da Famerp, formada por estudantes da faculdade.

Barroso integra a Jornada Asas do Bem, que já passou por 11 estados e no Distrito Federal e reuniu cerca de 2 mil pessoas. O projeto consiste em palestras da Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) sobre a importância da doação de órgãos e da colaboração das companhias de aviação, que transportam gratuitamente órgãos, e as equipes de captação. Em 2018, cerca de 8,7 mil órgãos, tecidos, equipes médicas, dentre outros foram transportados de forma gratuita nos aviões e em 80% das ocasiões por empresas brasileiras.

"É um serviço essencial, principalmente para os órgãos torácicos, que são coração e pulmão", explica João Fernando Picollo, coordenador da Organização de Procura de Órgãos do HB. O coração e o pulmão são os que podem ficar menos tempo sem circulação sanguínea.

Os problemas de Barroso começaram em 2012, quando após sentir fortes dores no abdômen ele recebeu o diagnóstico de hepatite C já em estágio avançado, além de câncer, fibrose e órgão já em processo de putrefação.

Com indicação de transplante, depois de passar um tempo em um hospital do SUS, foi incluído em um programa beneficente do Hospital Albert Einstein. Depois de dois anos de espera, foi encontrado um fígado compatível. "Em 2010 eu fiz o primeiro transplante achando que tinha resolvido, mas a gente começou a perceber que não estava funcionando a ligação entre o fígado e o rim", conta. "Fiquei mais um ano tentando salvar o fígado e o rim, em hemodiálise, mas não deu certo. Perdi os rins e o fígado transplantado."

Foi mais um ano aguardando o transplante, que dessa vez teria que ser duplo. A saúde foi restabelecida depois dessa cirurgia, mas o caminho foi longo. O último coma deu origem ao livro. "É uma experiência única pensar a vida com data para terminar e, mais ainda, depois que tem uma experiência de morte. Eu via tudo, percebia tudo, tinha tato, audição. Por três dias tinha a certeza e o raciocínio de que estava morto", lembra.

No Simpósio que aconteceu nesta quarta-feira também palestraram a cardiologista pediátrica Alexandra Siscar Barufi e a enfermeira Ana Carolina Brecher de Souza.