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Falta cidadania

Ônibus são alvos de chutes, tintas e pedras

Essas são algumas das formas de vandalismo registradas contra os veículos


    • São José do Rio Preto
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De janeiro de 2017 a 5 de agosto de 2019, a Riopretrans, concessionária que administra o transporte público em Rio Preto, registrou 122 casos de vandalismo em ônibus. O último veículo "atacado" foi um dos 36 novos ônibus com ar-condicionado. Os casos registrados pelo consórcio são relatados em boletins de ocorrência e são investigados pela Polícia Civil - inclusive com o fornecimento das imagens das câmeras de monitoramento.

Foram 67 casos em 2017, 40 em 2018 e 15 de 1º de janeiro a 5 de agosto de 2019, segundo as empresas Circular Santa Luzia e Itamarati, que formam o consórcio.

Gerente da Circular Santa Luzia, Wesley Pazzetto diz que a pichação é só um dos tipos de vandalismo. "A maior dor de cabeça é quando jogam pedras e danificam janelas do ônibus. Isto coloca em risco os motoristas e os passageiros", comenta Pazzetto. Vidros trincados e até estilhaçados e poltronas rasgadas são outras formas de crime.

Para o gerente de tráfego da Itamarati, Daniel Mariano, quem pratica o vandalismo não tem ideia do prejuízo que causa. "Já teve ocasião em que nem a equipe de limpeza conseguiu limpar a pichação e a nossa única alternativa é trocar todo o banco. É uma operação que não dá para fazer rapidamente. Sem falar nos custos para consertar essa sujeira", reclama o gerente.

Para minimizar os gastos com retirada de pichação, as empresas têm procurado usar nos bancos e na pintura interna e externa no veículo materiais que facilitem a limpeza e antiaderentes, mas há casos em que a tinta usada não pode ser removida.

Passageira, a diarista Aparecida Barbosa, de 56 anos, moradora da Vila Elmaz, diz que os autores dos crimes devem ser punidos de forma exemplar. "Não tem cabimento pichar um ônibus que acabou de ser entregue. É uma vergonha para nossa cidade. Não pode ficar assim. Quem faz isso deveria ser obrigado a pegar um balde e produto de limpeza para tirar a tinta", comenta a diarista.

Todos os motoristas de ônibus são orientados a chamar a Polícia Militar ou a Guarda Civil Municipal quando o veículo é alvo de vandalismo.

Uma ferramenta importante de combate ao vandalismo tem sido as câmeras de monitoramento. Todos os casos são gravados em vídeo e as imagens são repassadas para a PM e a Guarda para identificação e prisão do autor. Quando ele não é identificado, o caso é repassado para a Polícia Civil. Como no caso da pichação do último dia 1º, em um ônibus com ar-condicionado. Câmeras do veículo flagraram o autor, um jovem que desembarcou na rua Machado de Assis, próximo a um grande hipermercado.

Para o secretário de Transportes, Amaury Hernandes, é até frustrante ver pichado um ônibus equipado com ar-condicionado e wi-fi. "Nos deixa bastante frustrados ver o veículo ser pichado dois dias depois de ser entregue. Parece que as pessoas não percebem que o maior prejudicado são elas mesmas", lamenta o secretário.

Amaury lembra que a onda de vandalismo atinge também os 111 pontos cobertos ao longo dos nove corredores de ônibus, que acumulam pichações e vidros trincados.

Mesmo os ônibus sendo de propriedade das concessionárias, o vandalismo é considerado crime contra o patrimônio público. Quem praticar pode ser processado por dano qualificado, por danificar ou deteriorar veículo de empresa concessionária de serviços públicos. A pena para o ato é de seis meses a três anos de detenção e multa.