Diário da Região

02/08/2019 - 08h39min

NUNCA É TARDE PARA ESTUDAR

Aos 81 anos, idosa realiza sonho e se forma em Pedagogia em Catanduva

A ex-merendeira Thereza Mualla Alduino sonhava em fazer uma faculdade; na última semana ela colou grau no curso de Pedagogia

Colaboração/ Leitor Thereza Mualla Alduino se formou na última semana em Catanduva
Thereza Mualla Alduino se formou na última semana em Catanduva

Thereza Mualla Alduino torna viva a frase de que nunca é tarde para estudar. Costureira e ex-funcionária pública, ela se formou em pedagogia aos 81 anos de idade. E, acredite, não quer parar por aí. A meta da aposentada é fazer um curso de pós-graduação.

Esbanjando simpatia e com uma vitalidade de dar inveja a muitos jovens, Thereza não se preocupou de durante três anos e meio deixar o conforto de casa à noite para ir até uma universidade estudar. Ela descartou às novelas noturnas e o tradicional sono mais cedo, que muitos idosos gostam nessa faixa etária, para viver uma das melhores fases de sua vida. O sonho de cursar uma faculdade.

A vontade de cursar um curso superior sempre existiu na memória da senhora de 81 anos, mas com a correria diária e os percalços da vida antes nunca foi possível. Aliás, desistir nunca foi palavra no dicionário da aposentada. A tão sonhada vaga como funcionária pública, por exemplo, só foi possível de ser alcançada por Thereza quando ela tinha mais de 50 anos. “Sempre tentava concursos até que um dia consegui. Trabalhei durante 16 anos em uma escolinha de educação infantil da Prefeitura de Catanduva, e mais dez anos em um supermercado, além de ter costurado durante muitos anos”, contou.

Quando aposentou-se do cargo público, aos 70 anos, ela não parou. “Eu gostava muito de estudar e não tinha como. Quando completei 70 anos e me aposentei pensei: e agora o que eu vou fazer? Já tinha feito diversos cursos de costura, aí tive a ideia de concluir o ensino básico. Fiz o EJA, da 5ª série até o 3º colegial, e consegui concluir”, relembra.

Mas a vontade de estudar era tão grande que a costureira assim, que concluiu o EJA, resolveu fazer um curso técnico. “Fiz administração de empresas durante um ano e meio no Centro Paula Souza aqui de Catanduva. Foi muito bom”, contou feliz da vida a aposentada, que antes de cursar administração tentou o curso de química, mas teve que parar por conta do horário. “O de administração era à noite e melhor para mim”.

Quando concluiu em 2015 o curso técnico, a ex-merendeira se lembrou dos 16 anos que trabalhou em uma escola de Catanduva e da vontade de cursar a faculdade. Foi a alegria das crianças que fez com que a aposentada optasse pelo curso de Pedagogia e resolvesse se matricular em um curso superior. “Fiz o vestibular e passei na 15º posição. Fiquei tão feliz”, lembrou.

Durante os mais de três anos de faculdade, a senhora de sorriso fácil e alegre contou com ajuda dos familiares para conseguir concluir a faculdade. “O que foi mais difícil foi a parte do computador, por exemplo, fazer pesquisar pela internet, mas consegui com ajuda de amigas do curso e dos familiares”.

Uma das pessoas que muitas vezes a ajudou nos trabalhos universitários foi a técnica em estética Aline Magatti Alduino, de 30 anos. As famosas normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) sempre foi um quebra-cabeça para a senhora de pouco mais de 80 anos, mas com o tempo ela conseguiu pegar os detalhes. “É emocionante ver como alguém tem tanta determinação como minha avó. Apesar de toda dificuldade que tem por conta da idade, ela nunca desiste”, diz a neta.

Dona Thereza, como é conhecida pelas amigas estudava à noite. Ia de van para universidade junto com aproximadamente 16 estudantes. A maior parte deles, jovens da faixa etária de sua neta. Se divertia com as novidades praticadas pelos jovens contemporâneos. “Só faltava da faculdade quando a moçada queria faltar, porque por ela nunca faltaria”, falou rindo a neta.

No transcorrer do curso superior, Thereza fez três estágios em escolas da cidade. A idade não impediu que ela também participasse das atividades complementares em praças municipais. Tudo era diversão para aposentada que viu nas crianças que pegavam merenda da sua mão à vontade de estudar.

Com um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) sobre crianças especiais e inclusão social, Thereza pegou o diploma de pedagoga na última quarta-feira, dia 24. Mas se você pensa que ela quer parar. Está enganado. “Estou querendo fazer pós-graduação. É só de sábado e alternado, mas vamos ver, acho que vou conseguir”, falou otimista.

Quando quase encerro a entrevista com a pedagoga, ela se lembra da época que cursava o EJA e estudava com mulheres que trabalhavam nas lavouras de laranja e no corte da cana. “Dava dó daquelas cortadoras de cana e das que trabalhavam nas lavouras de laranja. Eu sempre falava para elas não para pararem e continuarem os estudos. Estudar faz toda a diferença. Hoje digo: nunca desista dos seus sonhos, olha sempre pra frente e vai à luta”, finalizou dando uma gargalhada Thereza Alduino.

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