Diário da Região

25/07/2019 - 09h24min

AVANÇOS

Será que existe realmente uma evolução feminina em curso?

As estatísticas apontam que elas já sustentam suas casas, suas vidas e muitas vezes cuidam sozinhas da família

Divulgação Cuidar tem valor, servir tem muito valor, que nunca percamos nossa capacidade adquirida de nos importarmos com as pessoas, de cuidarmos, de sermos tolerantes. Há pontes que só a paciência constrói
Cuidar tem valor, servir tem muito valor, que nunca percamos nossa capacidade adquirida de nos importarmos com as pessoas, de cuidarmos, de sermos tolerantes. Há pontes que só a paciência constrói

Eu vejo que na prática avançamos muito, desde a liberdade de expressão e de conduta, até a ocupação de altos postos e a uma massa significativa de mulheres ativas, tanto no trabalho quanto socialmente. No entanto, o pensamento não parece ter evoluído tanto assim.

Ainda criamos filhas educando-as para ter valor como mulheres, suportando uma gama enorme de abusos masculinos. Normalizamos o abuso, a mulher ainda deve se doar e se submeter por vontade própria, é isso que faz dela uma boa mulher, no consenso social.

Pauso para explicar que nem me refiro ao abuso físico, ameaça ou agressão, onde existe crime ou misoginia. Digo no pensamento geral das pessoas, aquele entendimento sutil da valorização do homem que não percebemos se tratar de machismos embutidos em nossa formação, ao invés do olhar interno educado para o cuidado pessoal, para a atenção de nossas próprias necessidades.

A mulher doce e submissa, a maternidade tranquila, os excessos de cuidados com a beleza e a atratividade masculina, a sobrecarga de atenções à família, o só se doar. Isso sempre vai dizendo às pessoas que o que elas sentem não importa, o que importa é estar bem para o outro. Os outros estarem cuidados, este é o nosso valor.

Cuidar tem valor, servir tem muito valor, que nunca percamos nossa capacidade adquirida de nos importarmos com as pessoas, de cuidarmos, de sermos tolerantes. Há pontes que só a paciência constrói.

O filme francês "Não sou um homem fácil", ali no Netflix, mostra o que seria essa realidade invertida e o homem elevado e distraído para as suas condutas passa a viver em um mundo feminista e se sente agredido o tempo todo. A percepção do atropelo pessoal, a sexualidade que decai, as tentativas de expressar suas necessidades, os exemplos de demérito e subjugação que ele vê nas pessoas próximas, a objetificação do corpo. Engraçado que estamos há tanto tempo vivendo no machismo que ele está arraigado e não o percebemos mais. Na versão invertida, os diálogos destacados mostram o que não vemos mais, sentimos que seria rude tratar uma pessoa diminuída pelo gênero, uma violência que aparece nos detalhes da fala, do próprio pensamento, do deboche da necessidade de igualdade em consideração e respeito.

Vale a pena assistir e refletir, causa um certo horror, uma repulsa que atesta nossa mortificação para essas mudanças. O mais importante é que devemos pensar, por quê ainda educamos nossas filhas para viverem com um homem, dizendo a elas que melhorarão ao se adaptar a ele, contornando todo tipo de mau jeitos e conquistando que então ele lhe faça bem, em vez de educar nossas filhas para viverem bem, sozinhas que seja, até encontrarem uma pessoa que ofereça consideração, respeito e bom tratamento espontaneamente?

Por que elogiamos tanto um homem quando ele trata bem os filhos e à família, como se estivesse fazendo algo a mais? Um homem que ajuda esporadicamente nos cuidados com a casa é um ótimo marido? Por que esperamos tão pouco?

As estatísticas apontam que elas já sustentam suas casas, suas vidas e muitas vezes cuidam sozinhas da família, mas se sentem frustradas e infelizes por não ostentar um companheiro que as valide.

Uma mulher sozinha, não é uma mulher de sucesso. Por que a necessidade, sem que haja de fato uma necessidade? Claro que todo mundo quer ter um alguém, homens e mulheres, a amorosidade é responsável pelo bem-estar de todas as pessoas, mas e quando não se trata de receber afeto e sim angústia, conflito, menosprezo, uma migalha em atenção? O ser humano precisa buscar ser feliz, a prioridade em ter alguém muitas vezes nos distrai desse caminho.

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