SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 19 DE MAIO DE 2022
Rio Preto

Aumentam multas por falta de cadeirinha nos veículos

Conselho Federal de Medicina cria cartilha para instruir sobre o uso correto das cadeirinhas e concessionária da BR-153 lança campanha para conscientizar sobre a importância do dispositivo

Rone Carvalho
Publicado em 13/07/2019 às 00:30Atualizado em 28/12/2021 às 02:27
Milena com os filhos Gabriel e Elisa: o uso da cadeirinha salvou as crianças em acidente na BR-153 (Johnny Torres 3/7/2019)

Milena com os filhos Gabriel e Elisa: o uso da cadeirinha salvou as crianças em acidente na BR-153 (Johnny Torres 3/7/2019)

O número de motoristas multados por transportarem crianças sem cadeirinha aumentou 19% nas rodovias da região. Em 2017 foram 369, contra 438 no ano passado. Neste ano, até maio, foram 166 multas, segundo as polícias rodoviárias Federal e Estadual.

Como medida para conscientizar os motoristas sobre a importância do uso da cadeirinha, o Conselho Federal de Medicina (CFM), junto com a Associação Brasileira de Medicina no Tráfego (Abramet) e a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançaram uma cartilha para orientar sobre o uso correto do dispositivo de segurança. Também como alerta, a Triunfo Transbrasiliana, concessionária que administra a BR-153, lançou a campanha "Que Brincadeira é Essa?".

"(Julho) é um período em que os pais viajam com os filhos, assim criamos a campanha em parceria com o Instituto Triunfo para conscientização do uso correto dos dispositivos", diz o diretor de operações da concessionária, Carlos Xisto. O uso correto das cadeirinhas aumenta em 71% a probabilidade de a criança superar com vida uma colisão. A ação educativa acontecerá nas praças de pedágio de Onda Verde e José Bonifácio da BR-153.

A cartilha com 42 páginas ensina a instalar as cadeirinhas, aponta as idades e pesos corretos para uso de cada tipo do dispositivo, traz as falhas mais frequentes dos pais e aponta os riscos da falta do uso (Veja a cartilha pelo link http://portal.cfm.org.br/images/PDF/cartilhacadeirinhascfmabramet.pdf.

O funcionário público Leonildo Mendicino Neto, 34 anos, é o oposto dessa estatística de condutores que arriscam a vida dos filhos ao trafegar pelas rodovias. Ele não sai de casa sem colocar o filho de dois anos na cadeirinha. Ainda mais depois que se envolveu em um grave acidente, em janeiro, na BR-153. Graças ao uso do dispositivo, o filho não ficou ferido em batida entre dois carros.

"Eu estava no sentido Rio Preto a Talhado e um Ford Ka, que estava no sentido oposto, colidiu com uma campana de caminhão e bateu contra o meu carro. Se meu filho não estivesse na cadeirinha, poderia ter lesões mais graves", relembra Leonildo, que sofreu uma luxação no pulso esquerdo e ferimentos no joelho, enquanto o filho não ficou ferido.

No outro carro, outras duas crianças de dois e cinco anos também foram salvas graças ao uso da cadeirinha. Segundo a mãe, Milena Garcia do Nascimento, 37 anos, os dois filhos - Elisa, 3 anos, e Gabriel, 5 - foram salvos graças ao uso do dispositivo. "Naquele dia, a Elisa não queria ficar na cadeirinha, me recordo que eu briguei com ela e meu filho sentado do lado convenceu ela. Se não estivessem nas cadeirinhas, poderia ter sido pior", diz a mãe.

Milena, que estava de cinto de segurança, precisou colocar uma prótese no braço direito, além de ter sofrido inúmeras fraturas na bacia, ficando dois meses de cama para se recuperar. "A Elisa sofreu apenas uma fratura no punho, por conta do outro carro ter colidido do lado dela, mas não chegou a quebrar".

Segundo o inspetor da PRF Daniel Mataragi Filho, esse acidente na BR-153 serve de amostra de como o dispositivo é importante para salvar vidas. "O acidente na rodovia potencializa muito mais os danos, porque o impacto é maior do que num acidente na cidade. É uma diferença grande de velocidade. E, nesses casos, se uma criança estiver solta, a possibilidade dela ter uma lesão grave é grande", reforçou Mataragi.

O capitão da PRE Mauricio Noé Cavalari destaca que autuações por falta de dispositivo de segurança ocorrem apenas com abordagem. "Muita gente que nós abordamos diz que não colocou, pois o filho chora e ficam com dó de deixá-lo. Mas é sempre importante que a família tenha consciência. Para segurança tanto da criança como dos demais ocupantes do veículo. Porque, em uma colisão frontal, a criança que está no banco traseiro vai ser arremessada pra frente ou até para fora do carro."

Peso multiplicado por quinze

O especialista em trânsito do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), Renato Campestrini, reforça que uma criança solta no interior do veículo, em caso de impacto, tem seu peso multiplicado por quinze, fato esse que agrava as lesões e o risco de morte. "Os dispositivos proporcionam segurança à medida que são desenvolvidos para proteger a criança do chamado efeito chicote que o cinto de segurança comum pode causar", diz Campestrini.

Atualmente, quem comete esse tipo de infração recebe uma multa gravíssima, no valor R$ 293,47, além de sete pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Medida proposta pelo governo Jair Bolsonaro prevê o fim das multas a quem for flagrado com crianças sem cadeirinhas. Em vez disso, o condutor levaria uma advertência por escrito - a proposta ainda será discutida no Congresso. A justificativa para a mudança seria que a isenção da multa visa a dar um caráter mais educativo aos imprudentes.

A alteração provocou reações de especialistas e autoridades ligadas ao trânsito. Para o presidente da Comissão de Direito de Trânsito da OAB-SP, Rosan Coimbra, o projeto de lei ainda precisa ser discutido com mais calma. "Foi uma conquista da sociedade a obrigatoriedade da cadeirinha. Tem que ter uma sanção."

Para Campestrini, com um abrandamento nas regras, a tendência é de aumento da falta do uso. "Torço para que isso não aconteça e que realmente as pessoas tenham a consciência e passem a respeitar ainda mais as regras para o transporte seguro das crianças". (RC)

 
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