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Goiás/Chapada dos Veadeiros

Contemplação com ou sem muvuca

Não faltam belezas naturais em Cavalcante


    • São José do Rio Preto
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Em antigas terras kalungas, considerada a maior comunidade quilombola do Brasil, em Cavalcante, fica uma das atrações mais procuradas de toda a Chapada dos Veadeiros: a Cachoeira Santa Bárbara. Tão popular que guias têm relatado ingressos esgotados nas primeiras horas da manhã e filas de espera de até duas horas para entrar naquele poço esmeralda, sob uma queda d'água de 28m.

Mas o município de Cavalcante vai além. E num roteiro sem muvuca. A 63km do centro, por estradas de terra, o Complexo do Prata é a chapada que exagerou no cenário.

Numa área de cerca de mil hectares, o visitante passa o dia entre vales, poços de águas claras e sete cachoeiras, ao longo de 14km. O ingresso, de R$ 20 a R$ 40, varia de acordo com o número de cachoeiras visitadas e a contratação de guia é obrigatória (diária média de R$ 200, para até seis pessoas).

Quem impera por ali é a Rei do Prata, a principal cachoeira do complexo, uma queda de 28m de altura que escorre por fendas no interior de um cânion e cai sobre um poço de 8m de profundidade, equivalente a uma piscina olímpica e meia.

"Cavalcante é o lado mais intocado da Chapada dos Veadeiros", explica o guia Rodrigo Batista Neves. - Cerca de 90% do nosso território são de cerrado nativo, e as águas são mais cristalinas devido à presença de carbonato.

E quando não há acesso a suas belezas, a chapada trata de inventar mirantes naturais que permitem a contemplação do alto, como a cenográfica Rainha do Prata, com vistas para o Morro do Chapéu e para o Vale do Urubu Rei, no lado oposto. Na volta, não deixe de nadar no Córrego Branco, um afluente do Rio Prata e com águas cristalinas, em meio à mata fechada no Espaço Rei do Prata.

 

  • De castanha de baru a carnes conservadas em lata, o cardápio com ingredientes do cerrado é uma experiência e tanto. Dá para começar o dia com barutella, o creme de cacau com baru; almoçar como os antigos exploradores do Centro-Oeste brasileiro; e terminar a noite num charmoso restaurante de risotos ou com uma popular "jantinha" (cerca de R$ 15), o prato popular goiano com arroz, feijão-tropeiro, vinagrete, mandioca e um espeto.
  • Na estrada entre Alto Paraíso e a Vila de São Jorge, a disputa é por uma mesa no Rancho do Waldomiro, cujo proprietário levou para a cozinha sua experiência como cozinheiro oficial das tropas que seguiam a cavalo até Barretos, em São Paulo, na segunda metade do século passado. A razão é a Matula (R$ 40 por pessoa), prato com espécie de tutu, abóbora, farofa (paçoca de carne seca), arroz e carne de lata, uma antiga técnica em que os tropeiros conservavam alimentos por até seis meses. Hoje, o preparo em gordura de porco leva em torno de quatro horas.
  • A Vila de São Jorge, versão mais alternativa da chapada, com ruas ainda de areia, é endereço do Santo Cerrado, gastrobar numa casa de vidro, decorada com objetos de demolição e especializada em risotos e coquetéis com produtos como pequi, cagaita e mangaba.
  • Maior do que a vagem produzida mundo afora, a chamada baunilha do cerrado tem recebido investimentos e capacitações do Instituto Ata, na comunidade quilombola Vão das Almas, em Cavalcante. Considerada a "nova joia da Chapada do Veadeiros", a orquídea inspirou a criação de empreendimentos como a Baunilha do Cerrado (baunilhadocerrado.com), uma espécie de lanchonete, na Praça da Bíblia, no centro de Cavalcante, onde são servidos chapatis bem recheados (um tipo de pão indiano) e comercializadas favas e cookies de baunilha.
  • Dá para fechar a noite na Aracê, cervejaria artesanal numa casa de adobe, também em Cavalcante, que produz cerveja de baru, além de Stout, Ipa e Pale Ale (R$ 23, meio litro). Destaque para a empanada de pino (carne) que os proprietários chilenos Manolo e Soledad incorporaram ao cardápio enxuto da casa. Segundo o ex-analista químico de uma cervejaria de Santiago, a boa aceitação se deve à qualidade da água local e à introdução de ingredientes como o baru, castanha que garante notas frutadas à bebida.