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TERCEIRA IDADE

Fazer exercícios conserva a memória dos idosos em forma

Falta de atividades físicas, mentais e emocionais cotidianas estão entre as principais causas da perda de memória em pessoas da terceira idade


    • São José do Rio Preto
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Conforme cresce a expectativa de vida da população, são cada vez mais comuns casos de idosos com problemas de memória. Especialistas defendem que nem sempre esses episódios estão relacionados a doenças degenerativas ou casos de demência, mas, sim, à falta de exercícios mentais.

A população no Brasil está envelhecendo gradativamente. Nos últimos 77 anos, a expectativa de vida do brasileiro aumentou 30,5 anos. Segundo o IBGE, a expectativa de vida era de 45,5 anos em 1940 - 42,9 anos para homens e 48,3 anos para mulheres. Hoje, é de 76 anos. Uma pesquisa da Fapesp aponta que, em 2025, o Brasil terá a sexta maior população de idosos no mundo.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a tendência é que o número de pessoas com algum tipo de demência triplique até 2050, passando de 50 milhões para 152 milhões. A demência é um "termo guarda-chuva", que pode incluir diversas doenças que são principalmente progressivas e afetam a memória, além de outras habilidades cognitivas e comportamentais.

Memória emocional

A geriatra Daiane Buglio, de Rio Preto, diz que a perda de memória é uma queixa que tem se tornado cada vez mais comum em seu consultório - e que até tem afetado pessoas na meia-idade. "Existem cinco tipos de demências diferentes que afetam as pessoas mais idosas e são diversos os fatores que podem provocar os lapsos de esquecimentos", diz. 

O Mal de Alzheimer ainda é a principal causa de perda de memória em idosos, mas ele não é único motivo. A falta de atividades físicas e mentais e até questões emocionais influenciam para quadros de esquecimentos, conforme explica o psiquiatra Hururay Barroso. "Há três coisas que precisamos manter depois dos 60 anos: mobilidade, energia e lucidez", sinaliza. "E todas elas estão associadas à falta de atividades diárias. Quando a pessoa é dominada pela rotina, os quadros de esquecimentos podem ser mais recorrentes."

O psiquiatra declara que existem três tipos de fatores que influenciam para a perda da capacidade cognitiva das pessoas. A primeira consiste na falta da prática de exercícios físicos. A segunda causa é a falta de atividade intelectual, que pode ser a prática da leitura, o ato de conversar, ou mesmo participar de alguma tarefa que exija determinado grau de raciocínio. "O cérebro não é um músculo, no entanto, à medida que você deixa de exercer certas atividades, as conexões entre os neurônicos vão diminuindo até que se apaguem."

Por fim, Barroso relaciona a atividade emocional. Na visão dele, essa é a mais importante de todas, pois ela é a que provoca a sensação de ter um propósito. "As atividades emocionais são mais eficientes junto ao cérebro. Naquela pessoa que se sente útil, o risco de perda de memória é quase zero."

O psiquiatra defende ainda que a dança é uma das atividades físicas mais completas que existem, pois ela trabalha o equilíbrio, a parte emocional e ainda promove a interação com outras pessoas. "Essa é uma das melhores atividades neurológicas preventivas de transtorno mental e emocional."

Jovens também reclamam da perda de memória, principalmente relacionada ao estresse em época de vestibular. Entre as principais causas de déficit de memória em jovens estão a falta de concentração secundária ao estresse, depressão, ansiedade e distúrbios do sono.

A perda de memória recente pode colocar o idoso em diversos tipos de riscos, segundo alerta Daiane. "A perda de memória prejudica, em primeiro lugar, a segurança. Eles esquecem o fogão aceso, o gás ligado e correm o risco de poder provocar um curto-circuito", diz.

As pessoas que sofrem de esquecimento também correm o risco de se perder. Outro malefício é a perda da independência - "seja para lidar com as próprias finanças ou fazer uma atividade sozinho. Isso implica muito na autonomia e na independência do idoso."

A terceira idade é uma fase da vida que requer movimentação não apenas física, mas também mental. Com o objetivo de exercitar a mente dos idosos, o Lar Nossa Senhora de Fátima realiza o projeto Trilhando a Longevidade Ativa, que tem o objetivo de resgatar o papel social do idoso.

Segundo a coordenadora do projeto, Anna Paolla Canevaroli, a ação tem objetivo de atuar como uma medida preventiva. "O projeto é realizado em diversas partes da cidade. Ao todo, são três oficinas, uma de prática corporal de baixo impacto, uma de teatro e a oficina de memória, que tem o objetivo de resgatar a memória a curto prazo do idoso", explica.

A oficina de memória é realizada quinzenalmente e é acompanhada por dois psicólogos, que trabalham a capacidade cognitiva básica dos participantes por meio de atividades lúdicas. Durante as oficinas, eles realizam jogos e participam de dinâmicas.

O projeto começou no mês de maio e já atendeu 480 idosos em 54 horas de oficinas realizadas. De acordo com a psicóloga Amanda Milfont, uma das monitoras da oficina, os idosos trabalham jogos lúdicos como quebra-cabeças, jogos de raciocínio lógico, jogos de memória e questões matemáticas.

Uma das frequentadoras da oficina é a pensionista Alice Coelho Bueno, de 66 anos. Ela frequenta a oficina do Shopping Cidade Norte desde o início do projeto e conta que começou a participar da atividade por simples curiosidade. "Em questão de memória é bom porque, depois de uma certa idade, a gente fica um pouco acomodado. É um inventivo para você trabalhar a sua mente", opina.

Mãe de três filhos, dona Alice se considera uma pessoa ativa e conta que está sempre em busca de aprender coisas novas. Ela reconhece que deixar de exercitar o corpo e a mente pode ser prejudicial para as pessoas. "O ser humano é como uma máquina, se ela ficar encostada, ela vai enferrujando. Assim é a nossa memória. O computador é como nossa memória, se você não atualiza, ela vai ficando obsoleta."

Principais causas

  • Uso incorreto de medicamentos 
  • Uso excessivo de cigarro, álcool e drogas
  • Privação do sono
  • Depressão e estresse
  • Deficiência nutricional
  • Lesão na cabeça
  • AVC
  • Doenças degenerativas
  • Demência

Prevenção

  • Exercícios físicos três vezes por semana (20 min/dia)
  • Ler e fazer jogos de raciocínio
  • Adotar uma dieta mediterrânea
  • Tratar a ansiedade e a depressão
  • Dormir de seis a oito horas por dia
  • Evitar remédios para dormir
  • Evitar bebidas alcoólicas
  • Fazer check-up regularmente