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ANDRÉ MATOS

Metal brasileiro perde uma de suas grandes vozes

Fundador de bandas referenciais do heavy metal brasileiro, André Matos morreu no último sábado, 8, aos 47 anos


    • São José do Rio Preto
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Reconhecido como uma das grandes vozes do heavy metal brasileiro, o músico André Matos - fundador de bandas referenciais do gênero, como Angra, Viper e Shaman - morreu no último sábado, 8, aos 47 anos. Sua precoce partida comoveu artistas e fãs, rendendo inúmeras homenagens.

Em São Paulo, o Angra - banda que o músico integrou até 2000 - cancelou o show que faria no Temple Music no sábado, mas o local foi tomado por dezenas de fãs. Liderados pelo guitarrista Rafael Bittencourt, eles entoaram o maior hit da banda, "Carry On", cuja letra foi eternizada pela voz de Matos.

A morte do músico foi divulgada, nas redes sociais, por membros do Shaman, com quem ele vinha fazendo uma turnê especial desde setembro do ano passado - o último show havia sido feito no dia 2, no Espaço das Américas.

Em Rio Preto, integrantes da banda Maestrick manifestaram-se sobre a morte do músico no Facebook. O cantor Fábio Caldeira compartilhou uma foto ao lado de Matos nos bastidores do show que deu vida ao DVD do grupo Soulspell, no qual os dois fizeram participações especiais.

"Não conseguimos dividir o palco dessa vez, André, mas eu sempre cantarei sobre o amor que recebi de artistas e pessoas como você! Vá com Deus e MUITO obrigado por tudo!", escreveu o vocalista da Maestrick.

Trajetória

André Matos nasceu em São Paulo em 14 de setembro de 1971, e ficou conhecido pelo seu trabalho à frente das bandas Viper, Angra e Shaman, bem como pelo seu trabalho solo, desenvolvido desde 2006.

Estudioso de teclado e piano desde a infância, ele se graduou em regência orquestral e composição em São Paulo. Mesmo antes, ainda adolescente, já vinha ganhando reconhecimento com o Viper, por meio do lançamento de dois álbuns: "Soldiers of Sunrise" (1987) e "Theatre of Fate" (1989).

Em 1991, fundou o Angra. A banda fez turnês pelo mundo inteiro e suas mais de um milhão de cópias vendidas deram a Matos projeção mundial. Foram três álbuns gravados: "Angels Cry" (1993), "Holy Land" (1996) e "Fireworks" (1998), além de diversos EPs.

Em 2000, Matos sai do Angra por divergências com o empresário e forma o Shaman, ao lado de Luis Mariutti e Ricardo Confessori, também ex-membros do Angra. Foram cinco álbuns: "Ritual" (2002), "RituAlive" (2003), "Reason" (2005), "Immortal" (2007) e "Origins" (2010).

O talento vocal de Matos era surpreendente. Aliás, nos anos 1990, ele fez teste para ser o novo vocalista da banda inglesa Iron Maiden. Foi aprovado, mas não entrou porque os integrantes deram preferência para alguém que fosse inglês, no caso Blaze Bayley, que assumiu os vocais entre 1995 e 1998, antes do retorno de Bruce Dickinson em 2000.

(Colaborou Agência Estado)