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Texto de rio-pretense na prova da Vunesp

Artigo de Elma Bassan Mendes foi publicado em fevereiro no Diário da Região


    • São José do Rio Preto
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Após ter a crônica "Pai, começa o começo" compartilhada inúmeras vezes na internet, a jornalista e escritora Elma Eneida Bassan Mendes, colunista do Diário da Região, teve um novo texto compartilhado. Desta vez, não na rede mundial, mas em uma nova publicação. Mais uma vez, a rio-pretense não ficou chateada ou brava, mas, sim, surpresa e grata. O texto, denominado "Eu me Amo?", foi utilizado em uma prova da Fundação Vunesp.

O texto, que havia sido publicado no dia 23 de fevereiro deste ano, na coluna Painel de Ideias, do jornal Diário da Região, onde Elma escreve quinzenalmente, foi usado na prova de um concurso público, para o cargo de vice-diretor de unidade educacional, realizado no dia 28 de abril pela Prefeitura de Valinhos. A escrita de Elma serviu de base para a interpretação de oito perguntas de língua portuguesa (conhecimentos gerais).

Elma conta que escreveu "Eu me Amo?" com base na sua experiência de vida e na de muitas mulheres que correm o dia todo e não têm tempo para si. "A gente acaba se esquecendo para acudir tudo e todos a nossa volta. Nem um creminho nos pés às vezes a gente consegue passar. Esquece de se amar". Ela conta que nunca imaginou que o texto seria compartilhado em um questionário da Vunesp, que é responsável pelas provas mais concorridas do País. Segundo ela, um dos motivos para a escolha é o alcance e a força do Diário da Região em todo o Brasil.

A jornalista e escritora conta que ficou sabendo que o texto foi usado na prova só nesta semana. "Descobri sem querer. Estava mexendo no Facebook e encontrei uma mensagem escondida, aguardando minha aprovação para ser lida. Essas coisas de redes sociais que eu não entendo direito. Descobri no susto. Era uma conhecida minha, amiga de um sobrinho, que fez a prova como treino para concurso público e viu meu nome no texto. Gentilmente ela me procurou no Face e escreveu a informação. Vi quase um mês depois que ela postou o recado. Foi muito bom e agradeço muito a ela a generosidade de me avisar."

Para Elma, a nova experiência foi muito gratificante. "Foi muito gostoso. Amei descobrir. Fiquei surpresa, sim. Meus textos têm uma linguagem acessível, de fácil assimilação. Não complico. Falo de coisas que têm afinidade com as pessoas, situações e sentimentos que eu experimento e que alcançam o cotidiano e o coração delas. Mesmo assim uma banca considerada uma das mais rigorosas das universidades brasileiras gostou do meu texto. As coisas simples, talvez, sejam as mais complexas de se vivenciar."

As oito questões da prova, segundo Elma, foram elaboradas de forma muito inteligente. "Achei o máximo. Nunca imaginei que meu texto comportasse tantas interpretações bacanas como eles fizeram. Teve também perguntas de gramática excelentes sobre ele. Pode ser um sinal que minha redação é simples, porém correta, honesta e não deseduca ninguém. Ou seja, quem as lê não desaprende o português", afirma.

Elma conta que escreve sobre as coisas que vive e que muitos leitores do Diário da Região passam por situações iguais. "Por isso é tão simples e há identidade com os leitores."

Além de escrever aos sábados, quinzenalmente, no Diário da Região, Elma acabou de escrever a biografia do cirurgião cardiovascular Domingo Braile. "É um trabalho que me deu imenso prazer. Estamos na fase de revisão do material. A Serifa foi a editora escolhida para publicar o livro. A obra terá cinco vídeos de realidade aumentada, um projeto lindíssimo. Creio que no máximo em dois meses estará concluída. Muito orgulho em ter sido a jornalista escolhida para escrever a vida dessa figura ímpar e muito amada que é o Dr. Braile."

Eu me amo?

Não sei se acontece com você. É pensar em começar uma dieta e pronto, já engordei um quilo. Ou então, quando me proponho a ser disciplinada com os horários dos remédios. No terceiro dia já esqueci a proposta. Aliás, nem me lembro de onde guardei os ditos–cujos. Vejo no espelho que a pele está sem viço. Decido usar creme no rosto antes de dormir. Passado um ano, encontro o pote ainda cheio e com prazo de validade vencido, no fundo da gaveta do banheiro. Não sei a sua, mas a minha memória, quando precisa trabalhar em minha própria causa, é preguiçosa, lenta, finge que não é com ela. Minha força de vontade, então, coitada, é uma comédia de mau gosto, boa em me deixar envergonhada, dá uma novela o que eu já passei com ela.

Por outro lado, nunca me esqueci dos horários dos remédios dos meus filhos. Nunca atrasei para cumprir um prazo da minha agenda profissional, e, menos ainda, deixei sem fazer qualquer uma das tarefas no trabalho ou em casa. Para as responsabilidades do ganha-pão e os compromissos com a família, não me permito errar. Sou pontual. Com todos menos comigo. É assim, comigo eu falho mesmo.

São exemplos bobos, mas refletem a fragilidade de nossos impulsos, sentimentos, decisões. Principalmente, mostram a falta de amor, carinho e afeto com nós próprios. E a vida vai passando e você vai se esquecendo disso, abandonando, pouco a pouco, a si mesma. Tudo e todos são importantes e merecem o seu tempo, a sua disposição, o seu sorriso. Menos você.

Tem dias, sinceramente, que não dou nem um sorriso para mim. Como posso? Eu que mereceria o meu primeiro sorriso pela manhã, não me permito abrir os lábios e me ofertar a visão alegre da minha bela dentadura. Olhar no espelho e ver meus olhinhos brilhando e espertos ao me encontrarem ali, inteira para mais um tempo de vida. Inadmissível. À noite, desmonto morta na cama. Meus pés pedem um carinho, um toque, massagem. Estou cansada demais para atendê-los. Bem a hora que seria deles, os heróis que me carregaram o dia todo, eu não tenho mais forças.

Vou dormir sem esse deleite, não me mexo em busca de algo tão simples, tão fácil. Esquecer-se da gente mesma é coisa que habitua. Empedra. Impregna no cotidiano. Coisa difícil de mudar. Mas é preciso lembrar que temos a permissão e o incentivo de Deus para esses rituais de agrado, aconchego, bem-estar e acolhida. Não é uma crônica para narcisos. Pelo contrário. É uma crônica para quem não se ama da forma como deveria se amar, se respeitar, se querer bem. Para quem se esqueceu... Então, se você não passou por nenhuma dessas situações em que eu me autodescrevi, parabéns! Caso contrário, hoje ainda, sente-se no sofá e esfregue seus pezinhos com um creme bem cheiroso. E não ligue para o que vão dizer. Apenas se ame.