Nova Esperança tem o rap como agente transformador Ícone de fechar Fechar

Mudando vidas

Nova Esperança tem o rap como agente transformador

A paixão do rapper Robertinho Filho do Céu pela música ajuda diversos jovens a mudar de vida


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Transformar uma paixão em oportunidade para ajudar o próximo. Esse sempre foi o objetivo de José Roberto Augusto, mais conhecido como o rapper Robertinho Filho do Céu, que sempre encontrou no rap uma representação da realidade de quem sempre morou na periferia.

Seu interesse pela música começou na escola, quando escutou com amigos o som do grupo Racionais e ouviu histórias sobre os rappers através de um conhecido em comum. A partir daí seu fascínio só aumentou. Ele sempre assistia na televisão aos clipes desses artistas de que tanto gostava. Uma das coisas que mais adorava fazer era frequentar a feira com a mãe, para poder comprar algumas fitas cassetes de rap e conhecer novas músicas.

Ao se mudar para o bairro Parque da Cidadania, ficou sabendo do Projeto Cidadão, que oferecia aulas de hip hop que Robertinho passou a frequentar. Foi ali que começou a entender e conhecer mais sobre a história desse estilo de vida. "Eu me encantei e comecei a me aprofundar e estudar mais sobre essa cultura. Cada vez mais me senti pertencente a esse estilo", conta ele.

Após algum tempo frequentando as aulas, ele começou a cantar e ensaiar as primeiras rimas. Usando o controle do aparelho de som de sua casa, improvisava e criava as suas próprias composições. Nas oficinas do projeto, Robertinho mostrou algumas de suas criações para os mentores DJ Basim e Ana Paula, que viram um grande potencial nas suas rimas. Quando começou a cantar, percorreu várias cidades e conheceu pessoas do ramo que fez com que o seu amor por esse estilo de música só aumentasse.

Mas alguma coisa ainda faltava à sua vida. Morando na região norte, ele estava cansado de ver meninos crescerem junto com o tráfico de drogas, muitos roubando e até mesmo sendo presos. "Isso mexeu comigo. Eu via uma desestrutura familiar, via a falta de fraternidade entre as famílias. Era uma carência muito grande e eu queria fazer alguma coisa no bairro para transformar aquela realidade", explica.

Johnny Torres José Roberto Augusto é mais conhecido na comunidade como o rapper Robertinho Filho do Céu
José Roberto Augusto é mais conhecido na comunidade como o rapper Robertinho Filho do Céu (Foto: Johnny Torres)
Durante os ensaios das apresentações, o rapper percebeu que os sobrinhos começaram a decorar as suas músicas e isso chamou sua atenção. Naquela cena ele viu a oportunidade de fazer a diferença, algo que sempre quis. Foi um estalo: usar a música para conscientizar as pessoas, educar, mostrar os verdadeiros valores de vida.

A ideia começou no quintal da sua própria casa, onde começou as aulas reunindo os garotos todos os sábados. Levava os meninos para os eventos e todos cantavam juntos. Um desses eventos ele organizou no bairro para divulgar a música e o clipe que fez com todos eles. 

Hoje a oficina acontece de terça e quinta-feira, às 19h30, no CEU das Artes e é aberta para toda a população, independentemente da idade. "Ali eu tento extrair de dentro deles o que eles têm de melhor, colocá-los para pensar e provocar muita reflexão e trocas de ideias, assim vamos construindo as rimas. Um exemplo é a primeira música que gravamos e o clipe repercutiu na internet, eu joguei a ideia para eles perguntando: o que vocês acham que está ruim no mundo e nessa realidade que estamos? Fui anotando as palavras e no final rimamos, foi uma composição toda feita com as ideias dos garotos", conta Robertinho sobre a forma com que eles compõem as músicas.

Agora o rapper tem novos projetos para os seus alunos, sonha em proporcionar uma formação para eles. A ideia que já começou é colocar os meninos de 15 anos para fazer cursos em uma escola de computadores. Atualmente ele e uma assistente social Mileny Reche são os que pagam os cursos para esses meninos. "Gostaríamos muito de encontrar algum patrocinador para que esse plano seja cada vez maior. Tudo que pudermos investir em cursos profissionalizantes para que eles tenham uma segunda opção, vamos investir. O sonho é viver de música, mas também queremos dar uma outra perspectiva para esses meninos", diz.

Além das oficinas de rap, o CEU das Artes oferece aulas de teatro, violão, zumba, artesanato e muitas outras. Robertinho cita que essas oportunidades são o ponto principal para que a comunidade tenha uma nova vida, mais saudável e produtiva.

"As pessoas falam e reclamam da sociedade, dos garotos que ficam nas ruas, que a televisão mostra muita coisa negativa, mas essas pessoas podem ajudar e não dão oportunidades. Eu já vi menino de 12 anos envolvido com gente perigosa no tráfico e agora é um dos mais disciplinados na aula. Tendo atenção, eles se sentem valorizados, se sentem úteis e entendem o outro lado da história, já que antes eles tinham apenas a referencia negativa", finaliza.

SERVIÇO

  • Rua Robson Augusto Lopes de Diaveiro, s/n - Nova Esperança
  • Telefone (17) 3236 9598