Em 2018

Região Norte: Uma cidade dentro de Rio Preto

Região registra crescimento de 18% em 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior


Zona Norte concentra 40% das atividades econômicas do município
Zona Norte concentra 40% das atividades econômicas do município - Paulo Melegati / Vap Drone

Dos primeiros pontos comerciais da avenida Fortunato Ernesto Vetorasso até as últimas casas do Conjunto Habitacional Nova Esperança. A zona norte reflete o crescimento socioeconômico e a extensão territorial de Rio Preto, seja por meio do pujante comércio empreendedor ou por aqueles que escolheram a região para chamar de lar. O desenvolvimento dessa parte da cidade se multiplica pela demanda populacional e se distribui diante de suas principais artérias compostas de asfalto, que são formadas pelas avenidas Mirassolândia, Ernani Pires Domingues, Alfredo Antônio de Oliveira e Domingos Falavina.

Não é à toa que a zona Norte tenha se tornado uma das mais atrativas, tanto para moradores quanto para empreendedores. A região obteve um crescimento de 18% em 2018 em relação ao mesmo período do ano anterior, segundo dados divulgados pela Regional do Secovi-SP (Sindicato da Habitação). Entre os anos de 1990 e 2017, o espaço territorial do Norte da cidade de Rio Preto aumentou cerca de 161%, saltando de 30.588 metros quadrados para 80.050, em comparação feita por reportagem do Diário.

Valorização do m²

Paulo Melegati / Vap Drone Em 12 meses, o valor do m² aumentou cerca de 20%

Em 12 meses, o valor do m² aumentou cerca de 20% (Foto: Paulo Melegati / Vap Drone)

O retrato deste crescimento também está ligado diretamente à valorização da região. De acordo com estimativa feita pelo Secovi-SP, o aluguel na zona Norte cresceu, aproximadamente, 62% nos últimos cinco anos. Já no período de 12 meses, a margem de aumento chegou aos 20%.

Só para se ter uma ideia, quem estava pensando em comprar um apartamento em 2014, tinha que desembolsar cerca de R$ 2.100 por metro quadrado. Atualmente, o morador tem que investir, em média, R$ 3.300 por metro quadrado no mesmo tipo de imóvel. No caso da compra dos terrenos, o preço médio do metro quadrado subiu de R$ 160, em 2014, para R$ 550, em 2019.

"É uma região que, proporcionalmente, o metro quadrado é mais barato que em outras partes da cidade e isso facilita a compra de terrenos e também o lançamento, principalmente, de edificações populares, com financiamentos do programa 'Minha Casa, Minha Vida' e imóveis em torno de 45 m²", diz Alessandro Pereira Nadruz, diretor regional do Secovi-SP.

Um dos empreendimentos que modificou a estrutura de lazer e compras na região foi o Shopping Cidade Norte, que não somente valorizou os terrenos em seu entorno, mas também criou uma nova tendência em moradias.

"A partir do momento que a região começa a atrair empresas e melhorar o fluxo de dinheiro, as pessoas passam a alugar novos imóveis e, naturalmente, os preços sobem. Isso ocorreu, primeiramente, com a criação do centro de compras, o que fez com que os imóveis se valorizassem bastante. No entorno do shopping, vão surgindo novos negócios e oportunidades, o que atrai novas pessoas e, evidentemente, aumenta o preço dos imóveis", explica o economista Hipólito Martins Filho.

Mas diferentemente do emaranhado de prédios do Centro e dos condomínios fechados das zonas Leste e Sul, os rio-pretenses que decidem morar na região Norte têm preferência em adquirir terrenos para construir a tão sonhada casa própria.

"Os rio-pretenses têm um perfil muito característico que é o de construir casas. Então, muitos optam por loteamentos populares com 200 m² e as pessoas acabam edificando as casas, por isso existe uma preferência maior pela zona Norte", diz Nadruz.

Divisão geográfica

Divulgação Nova divisão geográfica recorta Rio Preto em 10 regiões socioeconômicas

Nova divisão geográfica recorta Rio Preto em 10 regiões socioeconômicas (Foto: Divulgação)

A atual zona Norte, como é conhecida pela maioria dos moradores, passou por uma reformulação em 2018 para se adequar à nova divisão geográfica de Rio Preto e integrar o projeto de desenvolvimento da cidade, impulsionado pelo novo Plano Diretor. Dessa forma, a região foi dividida em cinco zonas diferentes: Cidade da Criança (Vetorasso, Eldorado); Pinheirinho (Solo Sagrado); CEU (Santo Antônio e Parque Nova Esperança); Bosque (Vila Elmaz) e Talhado (Parques Residenciais Lealdade e Amizade).

Com essa nova repartição, o Plano Diretor e a Prefeitura de Rio Preto esperam fornecer melhores condições para direcionar os serviços, tanto na área da saúde e educação quanto nos setores de mobilidade e urbanização.

A criação dessas novas áreas sazonais também gera uma influência sobre a instalação de novos empreendimentos, como o Muffato Max Atacadista, o Atacadão, o Shopping Cidade Norte e, mais recentemente, o anúncio de uma loja Havan na região. "Uma empresa pensa a médio e longo prazo. Por isso, quando a Havan diz que vai para a zona Norte, ela está pensando em várias possibilidades", diz o economista Hipólito.

Por se tratar de uma área que concentra grande parte da população rio-pretense, a demanda por consumo acaba aumentando e, consequentemente, o investimento de novos empreendimentos.

"A zona Norte é uma região da cidade que tem uma população muito grande. Em função desse fluxo de consumidores, a tendência é que o fluxo de consumo seja grande também. Como o Brasil estava passando por um processo de recessão, é evidente que as empresas comecem a se deslocar para as regiões em que exista uma melhor oportunidade para empreender", explica Hipólito.

Aumento populacional

Johnny Torres 20/5/2019 Avenida Mirassolândia - Zona Norte

Avenida Mirassolândia - Zona Norte (Foto: Johnny Torres 20/5/2019)

Com um perfil predominantemente voltado para as classes C e D, um dos fatores que influencia a expansão da zona Norte é justamente a grande demanda residencial. De acordo com dados da Prefeitura de Rio Preto, as regiões que compreendem Pinheirinho, Cidade da Criança, CEU e Bosque concentram, aproximadamente, 217.710 pessoas e representam cerca de 50% do PIB (Produto Interno Bruto) da cidade.

Diante de uma melhora no cenário econômico, a tendência é de que as pessoas tenham mais disposição em investir no mercado imobiliário, por isso a região caminha para abrigar novos imóveis com as atividades da iniciativa privada.

"Em médio prazo, a zona Norte deve gerar mais empregos qualificados, atrair escolas técnicas, cursos superiores e agência bancárias. Então, a perspectiva é de se transformar em uma área com um poder de renda muito maior do que existe hoje. A região tem um fluxo de consumo muito bom por escala e a tendência é de se tornar uma das regiões mais importantes de Rio Preto em um período muito curto. Se os projetos do parque industrial, mobilidade urbana, o shopping e o lançamento de imóveis se concretizarem conforme o previsto, acredito que em um período de 10 a 15 anos, a zona Norte terá uma configuração totalmente diferente, e para melhor", revela o economista Hipólito Martins Filho.