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POUPAR PARA SE APOSENTAR

Jovens ainda sonham com a aposentadoria antes dos 60 anos

Para garantir um futuro confortável, ideal é começar a investir cedo. Planos de previdência privada são uma alternativa


    • São José do Rio Preto
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Quando as discussões sobre a reforma da Previdência Social ganharam força, há dois anos, Patrícia Moransi, hoje com 28 anos, começou a se preocupar em poupar parte de seu salário para garantir sua aposentadoria. A jovem, que trabalha como gestora em um escritório de contabilidade, está poupando para garantir que terá uma boa renda quando chegar aos 60 ou 65 anos.

Assim como ela, grande parte dos brasileiros (45%) preservam o sonho de chegar ao 60º aniversário com um rendimento garantido. Foi o que mostrou uma pesquisa recente realizada pelo Instituto Datafolha. No grupo de pessoas com idades entre 25 e 34 anos, 27% pretendem se aposentar até os 55 anos, enquanto 25% querem se aposentar até os 60. A expectativa é ainda maior entre os mais jovens, de 16 a 24 anos. Nessa faixa etária, 31% sonham em se aposentar até os 55 anos, enquanto 24% pensam em repousar entre os 56 e 60 anos.

Mas, com as mudanças nas regras de idade mínima ou tempo de contribuição, o assunto fez com que muitos passassem a buscar formas alternativas para garantir uma aposentadoria confortável. E uma das opções é a previdência privada, que não está associada ao Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), mas oferecida por instituições financeiras. A ideia é reservar um dinheiro hoje já pensando na velhice.

No ano passado, Patrícia resolveu investir e fez um plano de previdência privada junto a uma corretora de Rio Preto. "Ainda invisto pouco, R$ 200 por mês, mas penso que aos 60 ou 65 anos, vou conseguir ter uma renda razoável. Procurei também um plano adequado ao meu salário e pretendo, ainda este ano, aumentar um pouco o valor do investimento", afirma.

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Patrícia é formada em Ciências Contábeis e sua bagagem também a ajudou a buscar uma forma de investir seu dinheiro para o futuro. Para ela, os planos de investimento em renda fixa dão mais segurança. "Hoje a internet também nos proporciona um maior entendimento sobre o mercado financeiro. Além disso, antigamente as pessoas não achavam seguro fazer aplicações, diferentemente de hoje, que podemos monitorar tudo através de aplicativos no próprio celular", destaca Patrícia.

Sem receio

O assessor financeiro Joel Carvalho de Figueiredo, 31 anos, pertence a uma geração que viu a economia crescer, o que o motiva ainda mais a fazer investimentos no mercado financeiro sem muito medo. "As pessoas que estão na faixa de 60 a 80 anos viveram momentos mais complicados, com muitos governos implantando vários planos econômicos. Tivemos ainda seis moedas diferentes no Brasil, em pouco mais de 20 anos", analisa Joel.

Hoje, o assessor tem como meta investir 25% do que recebe de salário e acredita que, em 20 anos, conseguirá uma aposentadoria tranquila. "Procuro investir cerca de R$ 5 mil por mês, sendo que destino R$ 3 mil em ações e R$ 2 mil em renda fixa, dentro do meu plano de previdência privada", afirma Figueiredo.

A empresária Nancy Ribeiro Barbosa, 56 anos, faz investimento em previdência privada para ela e para todos da família. "Eu, meu marido e meus três filhos temos planos de previdência privada há cerca de 20 anos". Ela disse que adquiriu os planos para os filhos quando eles ainda eram adolescentes.

"Foi uma maneira de aplicar o dinheiro e não conheço outra forma mais segura", diz Nancy. Nesse tempo de aplicação, a empresária disse que nunca teve nenhuma surpresa desagradável. Além de pensar em uma aposentadoria tranquila, ela acredita também que os rendimentos com as aplicações foram importantes para outros benefícios, como o investimento em imóveis.

Para os especialistas ouvidos pelo Diário é importante enxergar, com mais atenção, os investimentos que possam garantir uma renda para a aposentadoria. "O conceito de aposentadoria dever ser entendido não como uma obrigação do governo, mas de cada um em garantir uma fonte de renda na velhice. Para que esta fonte de renda ou reserva financeira exista, é importante que os jovens façam uma programação e já comecem a poupar. Quanto mais cedo iniciar, menor será o sacrifício de poupança mensal", explica o consultor financeiro João Elias Martins.

A primeira dica de ouro que o consultor financeiro dá é a de que o poupador mantenha uma constância no ato de aplicar. "Nem que seja um valor pequeno mensal, mas faça sempre". A segunda dica é ”ter a consciência de não ceder às tentações, como de saques para consumo", segundo analisou João Elias.

O especialista explica que existem várias opções no mercado financeiro que podem atender aos interesses de quem busca uma renda para se aposentar. "Na previdência privada, o poupador se preocupará apenas em aplicar o recurso. A instituição financeira fica encarregada da gestão destes recursos e por rentabilizá-los. A rentabilidade acaba sendo dividida para pagar os gestores e, por isso, é baixa se comparada a outras opções de investimentos", explica.

As instituições financeiras têm notado aumento na procura por planos de previdência privada, principalmente com o andamento da reforma da Previdência. Fernanda Pasquarelli, diretora de Vida, Previdência e Investimentos da Porto Seguro, disse que, nos planos individuais, 60% dos clientes têm idades entre 30 e 49 anos, enquanto 21% têm idades entre 22 e 37 anos; 54% são homens e 46% são mulheres.

"Desde que as discussões sobre a reforma da Previdência ficaram mais intensas, tivemos uma maior conscientização das pessoas, que passaram a se preocupar mais com planejamento financeiro e renda para o futuro", disse Fernanda. Ela ainda cita uma pesquisa feita em 2018 pela Federação Nacional de Previdência e Vida (FenaPrevi), que mostrou que 60% dos brasileiros consideram a previdência privada necessária para complementar o INSS.

É importante, de acordo com Fernanda, que os jovens que estão começando suas carreiras saibam que, embora possam iniciar esse investimento em qualquer idade, a previdência privada é uma acumulação de recursos. "Com R$ 200 mensais é possível começar um plano, mas o cliente pode aumentar esse valor de acordo com sua renda e planejamento, além da possibilidade de fazer aportes adicionais sempre que desejar", explica.

Uma boa dica é utilizar o dinheiro extra do fim de ano, como o 13º salário e a Participação nos Lucros para investir no plano. Por fim, Fernanda recomenda colocar os pagamentos em débito automático, o que irá ajudar o investidor a manter a disciplina financeira.

Para quem pretende adquirir um plano de investimento, é importante analisar e pesquisar as taxas de administração cobradas pelas instituições financeiras. "Quanto menor a taxa de administração, melhor a rentabilidade. As taxas com os gestores financeiros podem variar entre 1% e 3% e a remuneração anual de 6% a 12%, dependendo da instituição e do tipo de previdência", disse o consultor.

Na avaliação do economista Ary Ramos, coordenador do curso de Gestão Pública da Unirp, é natural a preocupação com a aposentadoria e os jovens já perceberam essa realidade. "Ter um plano de previdência privada é muito positivo, mesmo que o jovem invista valores pequenos. A pessoa deixa durante um tempo maior e, com as correções, isso vai ter uma importância muito grande na qualidade de vida e na velhice".

Cada pessoa, segundo Ary, precisa procurar, dentro dos investimentos que pretende fazer, o perfil que se adeque melhor e a composição de renda que dispõe mensalmente. São dois modelos existentes de previdência privada que devem ser analisados e a grande diferença entre eles é com relação à tributação.

"O Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) é mais indicado para quem faz o Imposto de Renda (IR) no modelo completo, já que ele permite abater 12% da renda bruta anual tributável. E o outro modelo, o Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL) é recomendado para quem declara o IR no modelo simplificado, ou seja, que já abate até 20%", disse Ramos. Ele lembrou ainda que é interessante buscar instituições financeiras sérias e consultar o site do Banco Central quando for adquirir um plano de previdência privada.