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SHOPPINGS VIRTUAIS

Marketplace, a nova arma do comércio para aquecer vendas

Seja para driblar o desemprego ou para turbinar negócios, rio-pretenses garantem seu espaço nos marketplaces e vendem seus produtos sem se limitar às fronteiras da cidade


    • São José do Rio Preto
    • máx 32 min 18

Vender online tem sido uma opção viável, tanto para médias e grandes empresas que querem atingir mais um nicho de mercado, quanto para pequenos negócios, que surgem de uma ideia empreendedora ou da necessidade de sustento, diante de poucas oportunidades no mercado de trabalho tradicional. No Brasil, 75% das lojas estão presentes nos chamados marketplaces. Dessas, 97,1% pretendem continuar investindo em e-commerce durante os próximos 12 meses, conforme aponta uma pesquisa realizada pela Olist, uma plataforma online para varejistas.

Os marketplaces funcionam como shoppings virtuais. Basicamente, são ambientes em que diferentes lojistas têm a o portunidade de vender seus produtos aproveitando-se da credibilidade e da popularidade de grandes marcas, como Walmart, Americanas, Magazine Luiza, Submarino, Shoptime, entre outras. Não por acaso, é comum ver na descrição de alguns produtos nesses sites que eles são vendidos e entregues por outras empresas.

A pesquisa da Olist ouviu 623 lojistas de todos os portes e lugares do Brasil, entre agosto e setembro de 2018. E Rio Preto, por estar no sudeste do país, está na região com mais lojas que utilizam essas plataformas, representando 62,4%. A segunda região que mais investe no segmento é o sul do país, com 26,3%, uma diferença considerável de mais de 35 pontos percentuais.

Larissa de Paula Rossi, de 29 anos, é designer gráfico e faz parte da estatística das pessoas que tiveram de  encarar o desemprego de forma criativa. "Em 2016 fiquei desempregada e, como tinha duas crianças pequenas, decidi fazer da minha sala de casa o meu escritório e ter uma renda mensal a partir das vendas online de presentes criativos e personalizados", conta. Apesar de ter também uma loja física, ela afirma que as vendas online representam cerca de 90% do seu faturamento e atribui isso ao comportamento de compra atual, que faz com que os consumidores prefiram adquirir os produtos sem sair de casa.

Na visão do economista Leonardo Menezes, o desemprego ou a baixa renda contribuem efetivamente para esse cenário, quando a pessoa já tem uma força de trabalho e empreende a fim de sobreviver ou complementar a renda com uma segunda fonte. "É o que eu chamo de empreendedorismo por necessidade", define.

Já com relação a empresas consolidadas que investem nas plataformas online, o economista atribui o fato a uma visão de mercado difundida pelas mídias sociais. "Além da possibilidade de vender mais, hoje as empresas conseguem segmentar seu público de forma muito mais eficiente por temas de interesse através de filtros de direcionamento."

A pesquisa também indica que 37,5% das vendas online acontecem via redes sociais. É o caso do microempresário no ramo de joias finas, Lucas Gimenes dos Santos, 23 anos, que já teve a experiência de uma loja física, mas hoje vende exclusivamente por meio de um perfil comercial nas mídias. O Facebook já foi o carro-chefe, mas, após um reposicionamento de marca, o Instagram passou a ser a principal rede de impulsionamento e fechamento de novas vendas. "As redes são um meio de atração. Após um primeiro contato em que identificamos as preferências e a necessidade individual do cliente, vamos até ele para tirar medida, dúvidas e oferecer orçamento com formas de pagamento personalizadas", explica.

Consciente do potencial a conquistar nas vendas online, Lucas compõe a estatística dos mais de 97% dos varejistas que pretendem investir no e-commerce em curto prazo. "No meu ramo, a venda online é mais complexa, mas estamos estudando algumas alternativas para fazer isso dar certo o quanto antes para alcançar uma rede mais ampla de clientes. E também pela facilidade, tanto para o cliente, como para nós, que vendemos o produto", afirma.

A empreendedora Claudia Trefilo, 40 anos, fez o caminho contrário. No começo, investiu em uma plataforma de marketplace para impulsionar as vendas, onde permaneceu por três anos. "Na época as vendas online representavam 80% das vendas, pois eu estava começando e ainda não utilizava as redes sociais como ferramentas de trabalho. Os outros 20% eram na base da indicação mesmo. Naquele momento foi interessante porque a plataforma se encarrega de fazer o marketing. Mas são muitas lojas e pra ter mais visibilidade era preciso pagar para ter destaque", conta.

Atualmente, Claudia tem a loja física no segmento de papelaria personalizada e scrap festa, e acabou desistindo do marketplace em função de problemas com a logística. "O serviço oferecido não garantia a chegada na data prevista nem o cuidado no manuseio da encomenda, o que prejudica a qualidade do trabalho. Mas o que pesou mesmo foi o retorno. O que eu investia na plataforma entre taxa administrativa, comissão sobre o valor do pedido e o frente, percebi que me dava mais retorno sendo investido nas mídias sociais, agora que já tenho um público. Além de ter mais liberdade de negociação para oferecer descontos e vantagens sem prejuízos", avalia.

Há mais de 20 anos no mercado rio-pretense, os irmãos Renan Camerão Marques e Rodrigo Camerão Marques lideram uma marca de acessórios para churrasqueiras de fabricação própria. Segundo Renan, a decisão de vender os produtos online surgiu da necessidade de acompanhar um movimento de mercado e o resultado foi positivo.

Hoje, a empresa utiliza duas plataformas de marketplace, sendo que uma delas contempla toda a rede das principais magazines do país. "Mesmo com os custos mensais da plataforma, para nós compensa muito vender online, principalmente porque somos fabricantes, então temos uma boa margem de preço para trabalhar", explica Renan. Embora não seja um valor preciso, pois varia de acordo com o mês, o e-commerce representa cerca de 30% do faturamento mensal da loja.

Para Renan, as lojas físicas e online se complementam bem. As vendas locais contemplam o público de Rio Preto e região e, no ambiente online, os produtos são entregues para todo o Brasil. "Hoje eu pratico dois preço diferentes. Na venda online consigo um valor menor porque tem menos custos envolvidos e é uma forma de chamar a atenção e conseguir chegar a qualquer lugar do país."

O empresário afirma que além das duas plataformas que utiliza, pretende investir ainda mais no e-commerce para impulsionar as vendas da marca. "Penso que quanto mais canais de venda, maiores são as chances de vender e aumentar o faturamento", justifica.